atlas_geoambiental
101 pág.

atlas_geoambiental


DisciplinaGeologia7.703 materiais60.662 seguidores
Pré-visualização50 páginas
Os vales de drenagem, em geral, são bem próximos uns 
dos outros e apresentam vertentes, na maior parte, com 
declives bastante acentuados, o que restringe bastante 
o tamanho das parcelas que podem ser mecanizadas e 
plantadas. Além de ser grande a possibilidade de que 
poluentes agrícolas cheguem com facilidade até os ca-
nais de drenagem;
\uf03f	devido à diversidade geológica, do relevo ser bastan-
te movimentado e da pedogênese não ser homogênea, 
predominam solos bastante diferenciada em cores (figu-
ra 49), espessuras (figura 50), características físicas e, 
certamente químicas. Portanto, de características agrí-
colas bastante variáveis, na maior aparte das vezes, de 
local para local.
Figura 46 - Uma grande parte dos terrenos montanhosos da região 
é recoberta por solos naturalmente pouco permeáveis e é ocupada 
por pastagens. O pisoteamento contínuo do gado reduz ainda mais a 
permeabilidade desses solos e aumenta a velocidade do escoamen-
to superficial, gerando condições propícias ao desencadeamento de 
processos erosivos, escorregamentos e à diminuição da infiltração 
das águas das chuvas no subsolo. Como pode ser verificado nesta 
foto, nem mesmo as vertentes excessivamente declivosas foram pou-
padas do desmatamento. Isso vem interferindo muito negativamente 
na dinâmica das águas superficiais e subterrâneas. Não se justifica 
que áreas como estas sejam desmatadas para plantar pasto. Nelas 
gado circula pelas curvas de nível e como estas são muito próximas 
uma das outras, quase toda a superfície se transforma em caminhos 
altamente compactados e impermeabilizados.
Figura 47 - Rio Catas Altas, um exemplo de um rio com as 
águas turbulentas e rápidas. Assim é a maioria dos rios da 
região do médio e alto Vale.
Figura 48 - Vertente d´água associada aos terrenos calcários. 
Preciosidades como estas são raras mas ainda existem na 
área. Segundo informações de moradores, muitas nascentes 
secaram ou estão secando, principalmente nas regiões ex-
cessivamente reflorestadas com plantas que absorvem água 
a grandes profundidades, como o pinus e o eucalipto, e na-
quelas onde a sua maior parte é ocupada por pastagens; 
Figura 49 - Um aspecto bastante comum dos solos da região 
é a mudança brusca de coloração. É resultado da composição 
diferenciada das rochas das quais se originaram.
Figura 50 - Um outro aspecto comum dos solos da região é 
a variação da espessura da camada agrícola, que em poucos 
metros pode variar de rasa a profunda. 
Camada agrícola
Horizonte C: rocha parcialmente 
alterada
9
\uf03f	uma interferência bastante negativa nas características ambientais da região são as queimadas (Figura 55) que 
anualmente se fazem nas pastagens. Uma boa parte da região fora das áreas de preservação ambiental é ocupada 
por pastagens. Nem mesmo as áreas com declives quase que verticalizados (Figura 56), onde o gado, na maior 
parte dos casos, não consegue por elas circular, são poupadas das queimadas. Como o gado não consegue circular 
nessas áreas, geralmente elas são invadidas por tipo de samambaia ou por uma espécie de gramínea alta. Vege-
tações que secam bastante durante o inverno e costumam ser queimadas pelos fazendeiros. É importante ressaltar 
que durante os trabalhos de campo, flagrou-se por toda região trabalhadores cortando ou queimando a mata que 
estava em recuperação em áreas excessivamente declivosas. As queimadas das pastagens são uma das maneiras 
que os fazendeiros acharam para aos poucos irem eliminando o pouco que resta das manchas de mata que existem 
e assim, sem serem incomodados pelos órgãos ambientais, vão ampliando o tamanho das parcelas de pasto, pela 
invasão do fogo nas matas ao redor.
Estes são alguns aspectos geoambientais regionais que devem ser considerados para que macrodiretrizes de pla-
nejamento territorial e gestão ambiental aconteçam de forma racional e a levar em conta o bem-estar comum da 
região no seu todo. A seguir, descrevem-se as particularidades geoambientais setoriais, que levaram a dividir a área 
em vários domínios e subdomínios geoambientais.
minerais - em razão da diversidade geológica a região se destaca por ser fonte de vários bens minerais de grande 
importância socioeconômica para os estados de São Paulo e Paraná. Como poderá ser observado na descrição dos 
domínios geoambientais, vários bens minerais (figura 51), com potencial de exploração já confirmado e outros por 
se confirmar, existem nos mais diversos setores da área.
Este é um aspecto que deve pesar bastante nas decisões de uso e ocupação do solo. Para se evitar conflitos fu-
turos e não inviabilizar o potencial de explotação, nas decisões de planejamento e gestão ambiental, a exploração 
mineral deve prevalecer sobre às demais formas de uso e ocupação, que não sejam de cunho preservacionista, ou 
de interesse turístico/científico.
Cabe ser lembrado que sem os recursos minerais não podemos viver, que não podemos criá-los e que eles não 
ocorrem onde a gente quer, e sim onde a natureza os colocou.
Ressalta-se que na região, especialmente nas áreas onde se explora calcário, como no caso dos terrenos mais 
próximos a Curitiba, dentre outros, já existem conflitos entre a atividade de mineração com as outras formas de 
uso e ocupação do solo. Conflitos que tendem a se agravarem, pois, com o crescente desenvolvimento agrícola 
do país, cada vez mais tem aumentado a demanda por insumos relacionado às rochas calcárias (figura 52). Bem 
mineral abundante nos mais diferentes setores da região e já intensamente lavrado, em alguns casos, em áreas 
urbanizadas e ou sob forte pressão de urbanização, como acontece nas proximidades de Curitiba. Esse é um 
aspecto que deve ser considerado em conjunto pelos planejadores e gestores ambientais dos estados de São 
Paulo e Paraná.
ambientais - como aspectos ambientais regionais importantes, salientam-se que:
\uf03f	existem na região dois grandes compartimentos com características ambientais bem diferentes, que mudam 
bruscamente de um para outro. A porção do médio para o alto Vale do Ribeira é caracterizada por apresentar um 
sistema de drenagem de alta energia (figura 53), que está escavando muito mais do que depositando sedimentos. 
Aí os rios e córregos apresentam as águas bastante turbulentas, com alto potencial de oxigenação e de se autode-
purarem. Sendo portanto um ambiente com características de relevo e de drenagem mais favoráveis à dispersão 
do que à concentração de poluentes, tanto terrestres como atmosféricos. Do médio para o baixo Vale, ocorre uma 
mudança brusca na dinâmica das águas superficiais. As águas dos córregos e rios aí passam a ser bem mais lentas, 
pouco turbulentas e de baixa capacidade de transporte de sedimentos, de se oxigenarem e de se autodepurarem. 
Conseqüentemente, trata-se de um sistema com características mais concentradoras do que dispersoras (figura 
54). Por isso, é um ambiente que mais negativamente é impactado por tudo o que de ambientalmente incorreto for 
feito na região dispersora;
\uf03f	a baixa permeabilidade dos solos e os declives acentuados da maior parte da área fazem com que seja um am-
biente de escoamento superficial rápido e por isso o nível e a vazão dos rios oscilam muito e bastante rápido com as 
mudanças climáticas. Nesse sentido, é uma região onde se deve ter uma preocupação especial para não desmatá-
la e impermeabilizá-la excessivamente; 
Figura 51 - Na região existem várias frentes de lavra de rocha 
para revestimento. Neste caso, trata-se de uma lavra de rocha 
alcalina associada ao maciço de Tunas do Paraná, terrenos dife-
renciado neste trabalho como Subdomínio 5A.
Figura 52 - Frentes de lavra de calcários como as desta 
foto existem em grande número nos terrenos diferenciados 
como Subdomínio 9B.
Figura 53 - Um rio de alta energia. Figura 54 - Um rio de baixa energia. 
Figura 55 - Flagrante de uma queimada eliminando uma 
mancha de mata em meio a uma área de