A Astrologia do Karma - Pauline Stone
266 pág.

A Astrologia do Karma - Pauline Stone


DisciplinaAstrologia611 materiais2.095 seguidores
Pré-visualização50 páginas
até do último milímetro de liberdade pessoal. Tornamo-nos 
escravos do desejo de manter e defender o que nos parece necessário. 
Quando a vontade pessoal atinge esse patamar, a necessidade de manter o 
controle a qualquer custo passa a ser uma preocupação avassaladora, seja nos 
negócios, nos relacionamentos ou na competição intelectual. Dominar e manipular os 
"oponentes" passa a ser uma segunda natureza, e muitas vezes o que é seu é 
ferrenhamente defendido sem o mínimo de piedade. Ao mesmo tempo, há uma 
acentuada relutância, ou mesmo incapacidade, em ceder, diminuir o ritmo, ou admitir 
o erro. É provável que a atitude seja inflexível \u2014 falta de disposição de arredar pé de 
um determinado ponto para evitar o retrocesso e a eventual derrota. 
O desafio de obter controle sobre pessoas ou situações pode tornar-se um teste 
crucial para a pujança da nossa força de vontade e nos levar ao envolvimento com 
todos os tipos de jogos de poder, cujo reflexo no nível internacional é a política de 
poder mundial. A necessidade de exercer poder pode ser acentuada sobretudo na área 
sexual, possivelmente com base na idéia de que a conquista sexual irá, de alguma 
forma, proporcionar o controle total sobre alguém. 
Os conceitos de possuir e pertencer acabam representando um tema fundamental 
em nossas atividades ou relacionamentos, e corremos o risco de virar vampiros 
vorazes sugando o sangue das pessoas próximas no desejo compulsivo de "consumi-
las". 
O desejo de vencer, então, passa a ser obsessivo, dotando-nos de uma 
persistência tremenda para conseguir nossos objetivos, por mais tempo que leve: a 
impaciência de Marte evolui para uma inexorabilidade muito mais perigosa. Além do 
mais, o desejo obsessivo de manter o controle gera inevitavelmente o medo de perder 
o controle, o que por sua vez resulta na necessidade de montar um sofisticado sistema 
de defesa. 
 
 
O preço da defesa pessoal 
 
O medo nesse estágio baseia-se no temor de ver sua vontade vencida ou sua 
segurança arrebatada. No nível mais profundo, é o medo da destruição pessoal e, 
portanto, da morte, na medida em que a morte é encarada como uma ameaça 
 
 
à continuação da vida. Entretanto, também é medo de sofrer qualquer tipo de perda 
que possa ameaçar a existência tal como a conhecemos, e, conseqüente-mente, o 
medo de perder qualquer coisa ou qualquer pessoa sem a qual acreditamos não ser 
possível viver. 
O medo pode ter significativa expressão no plano sexual: assim como tentamos 
ter poder sobre os outros pela conquista sexual, também tememos o poder sexual que 
os outros podem ter sobre nós. 
A íntima ligação entre os sentimentos de vulnerabilidade em relação à morte e 
ao sexo explica por que uma doença potencialmente fatal, transmitida sexualmente, a 
AIDS, representa um cabide perfeito para a humanidade pendurar o seu medo, 
enquanto nos esforçamos para entender o desafio de Plutão. 
O medo associado a Plutão pode ser diferenciado daquele associado a Saturno 
pois, no caso de Saturno, o que se teme é apenas a desgraça social: com Plutão, é a 
destruição total. 
Para preservar a segurança, pode-se começar a policiar qualquer 
comportamento capaz de nos expor à aniquilação ou à perda. A tendência é reprimir 
todas as emoções e impulsos que, manifestados, poderiam colocar em risco a 
estabilidade do atual modelo de vida e levar a mudanças indesejáveis. Estamos 
sujeitos a mostrar muita reserva, escondendo tudo o que possa, a qualquer momento, 
ser usado contra nós. Temos o cuidado especial de ocultar nossos sentimentos e 
"fraquezas" mais profundos, que os outros podem usar para nos controlar. 
A desconfiança e a suspeita nos assediam; dúvidas inquietantes sobre as 
motivações dos outros atrapalham constantemente os relacionamentos. E, mesmo 
resguardando nossos segredos, sentimos necessidade de ficar totalmente a par dos 
movimentos dos "oponentes". Em termos internacionais, isso transparece na 
espionagem política e industrial. 
Entretanto, por maior que seja a insegurança, ela nunca é admitida, pois 
acreditamos que mostrar abertamente o medo aumenta ainda mais a vulnerabilidade. 
E, por maior que seja a necessidade, hesitamos em pedir ajuda, com medo de revelar o 
fato de não estarmos totalmente no controle. 
Finalmente, percebemos que estamos acorrentados a uma verdadeira prisão de 
isolamento auto-imposto, privando-nos da possibilidade da autêntica proximidade 
com os outros. Para defender o ego, construímos uma muralha protetora que, na 
realidade, nos condena automaticamente à solidão. A defensividade individual atinge 
proporções descomunais, cujo reflexo, no plano mundial, são os gigantescos arsenais 
de armas. O planeta Terra canaliza mais recursos para a defesa do que para qualquer 
outro fator isolado. 
 
 
Plutão, deus do inferno 
 
A tendência a conter-se por causa do senso de vulnerabilidade é intensificada 
por memórias subconscientes de situações anteriores desta vida ou de outras quando 
nossa vontade foi vencida ou sofremos a dor da perda. O medo de repetir o padrão de 
comportamento que resultou em perda pode levar-nos a reprimir as emoções e 
impulsos que involuntariamente associamos à dor. A suposição não 
 
 
admitida de que a expressão aberta dessas emoções e desses impulsos levará 
inevitavelmente a mais sofrimento pode fazer com que venhamos a mantê-los 
trancafiados, tolhendo sua expressão. 
Entretanto, é possível que a repressão não atinja apenas as emoções e impulsos 
que tememos resultarem em perda, mas também os sentimentos arraigados e 
poderosos que sentimos no passado, em resposta a essas perdas. 
Quando julgamos ser da maior importância ficar no controle e manter uma 
estrutura existente, e quando essa segurança nos é tirada, o sofrimento é inevitável. 
Mas como muitas vezes não se pode expressar abertamente a dor no momento em 
que ela é sentida, pode ser que ela seja reprimida. Assim, sentimentos de mágoa, 
ressentimento, ciúme ou ódio resultantes de perdas kármicas ou frustrações da 
vontade, sobretudo durante a infância, podem ser empurrados para as profundezas 
do subconsciente, onde sua intensidade aumenta toda vez que uma nova frustração 
da vontade desperta memórias de frustrações anteriores. Esse tipo de emoções 
subconscientes também remonta a experiências kármicas de outras vidas. 
O planeta Plutão está intimamente associado com o que está oculto, e não é por 
simples coincidência que o deus romano Plutão, também conhecido como Hades, era 
o regente do Inferno (mundo subterrâneo). 
A repressão de emoções e impulsos gera o acúmulo de energia frustrada que 
inevitavelmente irrompe ou entra em ebulição sempre que há oportunidade. Em 
conseqüência, situações bastante corriqueiras podem, às vezes, fazer ressoar uma 
corda que ativa as emoções subconscientes e leva a uma reação totalmente 
desproporcional em relação ao acontecimento. As emoções frustradas muitas vezes 
são responsáveis pelo comportamento descontrolado e irracional, como nos acessos 
de raiva ou violência. 
O contínuo acúmulo da energia frustrada torna-se cada vez mais difícil de 
aceitar e descarregar. O medo primordial de perder o controle manifesta-se agora 
como medo de perder o controle sobre as emoções e impulsos reprimidos, que 
durante um bom tempo havíamos conseguido arrolhar. O medo primordial da 
destruição manifesta-se agora como medo de que o subconsciente, se for libertado, 
encontrará um meio de nos destruir ou, pelo menos, de destruir a vida tal como a 
conhecemos. 
O medo que temos de confrontar os impulsos subconscientes internos também 
pode refletir-se na nossa atitude em relação aos mesmos impulsos no mundo 
externo. Às vezes nos esquivamos de pessoas ou situações que representam aquilo 
que tememos; em outras ocasiões, passamos ao ataque. Via de regra, o 
comportamento que mais condenamos nos outros é o que mais tememos identificar