A Astrologia do Karma - Pauline Stone
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A Astrologia do Karma - Pauline Stone


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a diferença entre o fracasso e o sucesso 
dos relacionamentos sexuais, onde a "contenção" pode inibira união completa. 
O ato sexual, na verdade, espelha o que ocorre na prática da cura espiritual. No 
ato de cura, deixamos de lado a nossa própria vontade para que a energia universal 
possa fluir através de nós; da mesma forma, no ato sexual nos abandonamos para nos 
unir ao fluxo de energia do parceiro. 
Fica mais fácil lidar com a questão da confiança quando nos sintonizamos com 
a consciência universal. À medida que diminui a necessidade de ficar o tempo todo 
no controle de si mesmo, aumenta a possibilidade de nos abrir aos outros e assumir 
riscos quanto ao possível resultado final. Começamos a encarar os outros menos 
como ameaça à segurança e mais como instrumentos da vontade divina. 
 
 
O trauma do abandono de si 
 
O desafio que representa alinhar a vontade pessoal com aquilo que 
denominamos "vontade universal" é incomensuravelmente profundo. A 
autopreservação, a mais primitiva expressão da força vital, é um instinto humano tão 
fortemente desenvolvido que é difícil pensar em termos de renúncia à vontade 
pessoal. Na realidade, todo o nosso estilo de vida \u2014 como pessoas e como nações \u2014 
é voltado para a resistência à submissão, pois as leis dos homens determinam que o 
ganho de uns é necessariamente a perda de outros. Entretanto, no que diz respeito à 
vontade universal, a própria questão de ganho ou perda é suplantada. O que é 
universal, por sua própria natureza, precisa levar em conta o bem-estar de todas as 
partes interessadas, e portanto, em última análise, todos precisam ganhar e ninguém 
deve perder. Por esta razão, não é preciso ter medo da idéia de entregar o controle à 
vontade universal. 
A renúncia da vontade pessoal não implica, necessariamente, submissão a 
pessoas, grupos ou nações que tentam impor sua vontade sobre nós com o objetivo 
 
 
de aumentar o seu poder. O desafio não é aprender a abrir caminho para outros seres 
humanos, já que não há nenhuma garantia de que as visões estreitas deles sejam em 
qualquer medida melhores que as nossas. Ao contrário, a questão é desenvolver a 
sintonia com a vontade universal, pois somente dessa forma pode-se encontrar uma 
solução que beneficie TODOS os interessados.* 
Nosso maior problema pode ser contentar-se em cumprir o que se pede de nós 
sem necessariamente ver o resultado final. Este é um desafio peculiar daqueles que 
trabalham com a cura; apesar de desejarem muito que o doente recupere a saúde, eles 
precisam se submeterá vontade universal aceitando que a cura só possa ser realizada 
numa determinada época e de uma determinada maneira, a despeito dos seus desejos 
pessoais. 
Surge aqui uma questão espinhosa: até que ponto podemos aguardar e deixar que 
a vontade universal se manifeste por nosso intermédio, e até que ponto precisamos 
continuar a estabelecer metas pessoais? A resposta pode ser: continuar disposto a dar 
início a avanços na nossa vida, ao mesmo tempo sem perder a flexibilidade para 
modificar os objetivos se verificarmos que eles são continuamente bloqueados. Não é 
questão de fraqueza nem de passividade, mas sim de manter sob controle a afirmação 
excessiva da vontade pessoal. A solução do problema pode ser o grau de dinamismo 
necessário para atingir o objetivo. Porque o que está de acordo com a vontade 
universal pode exigir de nós um grande esforço, mas nunca uma oposição feroz entre a 
nossa vontade e a dos outros. As peças do quebra-cabeça universal devem encaixar-se 
facilmente. 
 
 
Uma questão de identidade 
No que diz respeito a Plutão, o conceito de abandono de si dá origem a um medo 
peculiarmente acentuado de auto-aniquilação. Muitas vezes, a idéia de abrir mão da 
vontade pessoal provoca ansiedade quanto à possibilidade de nos tomarmos joguetes, 
sem inteligência própria, totalmente despojados de personalidade ou individualidade. 
Quando esse medo é acentuado, em geral há falta de compreensão do princípio de 
Urano, que enfatiza o papel único que cada indivíduo tem dentro do todo. O desafio de 
Plutão não é destruir esse papel \u2014 mesmo porque ele é indestrutível \u2014 e sim fazer um 
acordo para que ele seja desempenhado sob a orientação da direção divina. É Saturno, 
e não Plutão, que ameaça fazer de nós joguetes ou zumbis, pois na realidade ê quando 
obedecemos cegamente a uma seita, um Estado ou uma nação que perdemos a 
identidade. 
O medo de perder a identidade está presente em todas as situações da vida em 
que somos obrigados a deixar para trás o que é familiar e seguro para entrar de cabeça 
no desconhecido. O que tememos é deixar de existir se formos despojados de tudo o 
que constitui a nossa realidade. Sempre que ocorrem essas mudanças dolorosas em 
nossa vida, podemos ter certeza de que o desafio é de natureza plutoniana (e não 
uraniana, onde a mudança é uma expressão de liberdade 
 
__________________________________ 
* The Magic of Findhorn, de Paul Hawten, descreve como essa filosofia é colocada em prática na 
Comunidade da Nova Era de Findhorn, onde os conflitos de vontade, que inevitavelmente surgem na vida 
comunitária do dia-a-dia, são resolvidos dessa forma. 
 
 
e não de renúncia). A morte pode ser considerada o exemplo supremo da crise de 
identidade plutoniana, pois é preciso deixar para trás tudo aquilo com que nos 
identificamos no momento. Da mesma forma, a perda de um parceiro ou de um 
emprego antigo pode produzir a sensação de que já não estamos "inteiros", que 
subitamente uma parte de nós deixou de existir. A fase de reavaliação de quem ou o 
que somos, ou de sentir-se num vácuo, é um aspecto importante do processo de Plutão, 
que acontece num ponto em que já confrontamos, mas ainda não transformamos os 
velhos modos de pensar, de sentir e de agir. 
Plutão não tem a função de aniquilar, mas sim de favorecer a individualidade, 
pois a energia liberada pela quebra de ligações que até esse momento consumiam a 
força vital pode agora ser canalizada para direções novas e mais satisfatórias. Muitas 
vezes, saímos de um trauma com a consciência de sermos pessoas muito mais inteiras 
e de termos descoberto recursos que não sabíamos possuir. 
 
 
Plutão no mapa natal 
 
Embora o posicionamento de Plutão por signo represente um importante desafio 
para a geração das pessoas nascidas em intervalos de mais ou menos vinte anos, nossa 
atenção deve recair primeiro sobre o posicionamento desse planeta por casa e seus 
aspectos com os planetas interiores. Aí estarão indicadas as áreas específicas da vida 
em que nós, como pessoas, somos instados a derrubar as barreiras que nos isolam dos 
outros no âmbito da expressão da nossa vontade. Somos instados a superar a vontade 
pessoal desenvolvendo a sintonia com a vontade universal. Também somos instados a 
superar os sentimentos de vulnerabilidade pessoal que nos tornam difícil expressar a 
verdade e nos revelar plena-mente aos outros. Trabalhando com Plutão nesse sentido, 
começamos a ter acesso força universal, o poder através do qual curamos a nós 
mesmos e ao planeta como um todo. 
Nas áreas da vida regidas pelo posicionamento de Plutão, teremos 
inevitavelmente de lidar com fortes ligações e compulsões, levando a uma sensação de 
insegurança e medo da perda. É aí que podemos ter propensão para tendências 
dominadoras ou manipuladoras, além daqueles padrões de comportamento defensivos 
através dos quais nos desligamos dos outros e sofremos a sensação do isolamento. 
Nessas áreas estamos sujeitos a ter fortes sentimentos de mágoa, ressentimento e 
raiva como reação a derrotas, perdas ou ameaças à nossa segurança. Entretanto, a 
dificuldade em expressar abertamente esses sentimentos, sobretudo durante a infância, 
pode significar que eles continuam reprimidos e aumentam de intensidade, resultando 
em extrema tensão na área em questão. 
Conseqüentemente, é nas áreas da