A Auto-Realização através da Astrologia - Clara A. Weiss
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A Auto-Realização através da Astrologia - Clara A. Weiss


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do homem e abrindo o caminho para que a intuição 
desça de seu ambiente mais elevado, trazendo toques de percepção 
sutil do Amor-Sabedoria. 
 
Os planetas 
A Lua. Como regente exotérica, a Lua representa um papel fora 
do comum neste signo de Câncer, pois, além de apresentar desafios 
ao crescimento, transmitindo os impulsos do Quarto Raio, trabalha 
também para a integração da personalidade, ajudando a protegê-la 
contra um bombardeamento demasiado possante de impactos: o que 
faz deixando de registrar ou abrandando muitos dos impactos aos 
quais o homem é sensível. A média dos humanos não está equipada 
para suportar toda a carga desses contatos, nem para manipulá-los 
 
construtivamente, nem para transmutá-los ou interpretá-los com 
aceno. 
Para a mente comum, a Lua encobre o planeta Netuno, mas isso 
não acontece para o discípulo que está trabalhando o seu desabrochar 
espiritual. Duas de suas grandes dificuldades são a sua "super-
sensibilidade" às impressões e a rapidez com a qual responde às 
mesmas, à medida que o atingem, provenientes de "todos os pontos 
da bússola". 
A matéria da qual a Terra é feita é de qualidade espessa, áspera, 
pesada e fosca; o objetivo da Lua ao influenciar a "forma" é 
aprimorá-la, o que faz durante um longo período de transição, repleto 
de lutas e conflitos que ocorrem como desafios ao crescimento; o 
aprimoramento total é finalmente alcançado e o material passa a ser 
adequado para o uso da Alma. 
Netuno, Deus do Mar, Poseidon, rege Câncer esotericamente. Só 
exerce seu poder depois de o discípulo ter alcançado algum progresso 
como ser espiritual, evitando as armadilhas do "brilho"6 e da ilusão7 
que o planeta cria para aqueles que não conseguem diferenciar o falso 
do verdadeiro. Para os espiritualmente avançados, este regente 
proporciona um aumento de visão, o que eleva a aspiração ao nível 
do plano búdico, onde a percepção intuitiva cria a verdadeira 
percepção interior. 
Autoconhecimento e Autopercepção 
Ocorre neste signo do Câncer uma necessidade específica de 
elevar a consciência do plano astral para o plano mental, onde a 
mente poderá dominar hábitos emocionais antigos e bem radicados, e 
quaisquer outras reações supra-sensíveis que impedem o progresso 
espiritual. Quando as pressões interiores começam a importunar, elas 
devem ser encaradas de frente; e ao entrar em confronto com um 
problema o homem deve se manter firme, dirigindo-se ao Eu Superior 
para uma orientação que o ajude a encontrar a solução de seu 
 
6. Verdade velada no plano astral. 
7. Verdade velada no plano mental. 
 
dilema. A pessoa deve desenvolver aquelas respostas que 
automaticamente o livrarão de qualquer influência mental de massa; 
deve enfrentar e reconhecer sozinha o seu "eu", etapa de 
desenvolvimento que é efetuada no signo seguinte de Leão. 
O canceriano precisa se ver em vários relacionamentos, inclusive 
em seus relacionamentos com a família, com os amigos e com grupos 
de todo tipo. Quando sua visão estiver mais abrangente, ele poderá 
visualizar uma nova perspectiva de si mesmo e perceber que faz parte 
de um todo maior. Seu trabalho é o de efetuar uma síntese de seus 
corpos físico, emocional e mental, reconhecendo que algumas 
mudanças devem ser feitas e determinando quais de seus traços 
negativos devem ser transmutados em características mais desejáveis. 
Goethe disse certa vez que a harmonia da vida não vem para aqueles 
que atingem sua meta, mas para os que, em movimento, lutam 
continuamente. 
Câncer rege o peito, o estômago, a região abdominal, os 
intestinos, o diafragma e a área do plexo solar que no homem não 
desenvolvido é o centro de seus desejos inferiores. Como o Câncer, o 
canceriano é muito tenaz, e isso se revela em vários níveis. É muito 
difícil libertar-se dos desejos, que, porém, uma vez transformados em 
expressões de algum valor maior, passam a ser um ativo muito 
valioso. 
Gordon Allport vê o Desejo num largo quadro de referências, e 
não limitado pela designação habitual de aspecto inferior das 
emoções. Seus comentários esclarecem ainda mais este campo: "A 
Fé", diz ele, "é basicamente a crença do homem na validade e na 
possibilidade de realização de alguma meta (valor). A meta não é 
estabelecida pelos desejos. Desejos, porém, não são apenas 
empurrões vindos de trás (pressões). Incluem também estados 
complexos orientados para o futuro, como o anseio por um mundo 
melhor, pela perfeição, por um relacionamento totalmente satisfatório 
com o universo. Este impulso para a frente característico de todos os 
desejos que emanam de sentimentos maduros é tão importante que 
proponho o termo "intenção" para definir a operação dinâmica que 
estamos tentando descrever. Mais do que "desejo", o termo define a 
presença dos componentes racional e ideacional em todo esforço 
produtivo. Alguma idéia do fim está sempre presente dentro do ato 
em si. É 
 
essa inseparabilidade entre a idéia do fim e o decorrer da ação que 
chamamos de "Fé" .8
O homem ou a mulher de Câncer podem ter uma disposição 
bastante variável, e quando as condições não lhes são agradáveis 
buscam a solidão; a sensibilidade aguçada faz com que sejam 
facilmente magoados, e também respondam com facilidade ao 
psiquismo, alto ou baixo dependendo de seus estágios de evolução. O 
psiquismo inferior traz consigo o "brilho" e, quando o pensamento em 
questão pertence à massa, o canceriano aceita como seu e reverte aos 
preconceitos de massa. 
Todavia, essa sensibilidade é o próprio fator que lhes confere o 
poder de imaginação fértil e o acesso a um mundo de fantasia, o qual 
evocam sempre que se vêem cegos pela falsa realidade das visões 
astrais. Isto às vezes provoca um senso de falsa importância, pois o 
canceriano avalia seu sentido psíquico como sendo aquilo que o torna 
um canal de expressão das idéias dos mundos superiores. 
Para equilibrar seus pontos fracos, os cancerianos têm natureza 
afetuosa, memória retentiva (a tenacidade do caranguejo) de qualidade 
fotográfica, capazes de rápida absorção e reflexão. Há um forte 
instinto maternal na natureza de Câncer, cuja timidez é 
freqüentemente interpretada como orgulho. Os cancerianos lutam 
pelos seus ideais. 
Quando dominam o temor de conhecerem suas próprias 
fraquezas, dão um grande passo em direção à sua meta de 
autopercepção. 
Abraham Maslow esclarece sobretudo o valor do conhecimento 
de si mesmo em seu livro Em busca de una Psicologia do Ser, no qual 
analisa "A Necessidade de Conhecer e o Medo do Conhecimento": 
Do nosso ponto de vista, a maior descoberta de Freud foi que a 
grande causa de muitas doenças psicológicas é o medo de se conhecer 
realmente \u2014 de conhecer suas emoções, impulsos, lembranças, 
capacidades, potencialidades, o seu próprio destino\u2026 
Em geral, este medo é defensivo, no sentido de que serve como 
proteção para a nossa auto-estima, o nosso amor e o respeito que temos 
para 
 
 
8. The Individual and his Religion, pp. 130-31. 
 
com nós mesmos. Temos a tendência de ter medo de qualquer 
conhecimento que possa criar em nós sentimentos de desprezo para com 
nós mesmos ou de inferioridade, fraqueza, maldade ou vergonha. 
Protegemos a nós e à imagem que fazemos de nós mesmos usando de 
repressão e de outras defesas semelhantes, que são essencialmente 
técnicas pelas quais evitamos conscientizar-nos de verdades 
desagradáveis ou perigosas\u2026 ("Ser totalmente honesto consigo mesmo é 
o melhor esforço que um ser humano pode fazer." S. Freud.) 
Mas há outro tipo de verdade que tendemos a evitar\u2026 negamos o 
nosso lado melhor, nossos talentos, nossos impulsos mais elevados, nos-
sos potenciais e nossa criatividade. Em suma, é uma luta contra a nossa 
grandeza, o temor da hybris\u2026 
\u2026a descoberta em si mesmo de um grande talento certamente pode 
causar euforia, mas causa também temor das responsabilidades