A Dimensão Galática da Astrologia - Dane Rudhyar
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A Dimensão Galática da Astrologia - Dane Rudhyar


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e pseudomisticismo prolixos e ao mesmo tempo relacionar Plutão 
com todas as formas de materialismo e ditadura; bem mais difícil é enfrentar um 
Plutão que simplesmente reflete o próprio rosto oculto e aceitar verdadeiramente o 
confronto cármico. Só é possível passar pelo carma cumprindo-o, guardando no 
coração a visão do futuro \u2014 a percepção de que se é em essência uma estrela na 
Galáxia. Não é fácil manter com segurança e determinação tal percepção, ao mesmo 
tempo em que se é golpeado por terremotos plutonianos. Não obstante, este é o 
verdadeiro desafio plutoniano. Aquele que recua diante do desafio não pode atingir 
espiritualmente seu mais elevado propósito, sua estrela.
A coragem é necessária, bem como a vontade que transcende as decisões 
mesquinhas do ego e manifesta o caráter da inevitabilidade. Ninguém deve tentar 
trilhar o Caminho a não ser que tenha de fazê-lo, devido a um ímpeto inevitável que 
não pode ser ignorado. Uma vez iniciada a jornada, não se deve parar ou olhar para 
trás. Deve-se permitir que Urano destrua reiteradamente as próprias limitações 
acalentadas, a Netuno expandir a consciência e a Plutão guiar o aspirante por entre 
as trevas até o Vácuo onde novo foco de luz finalmente brilhará, reorganizando os 
fragmentos dispersos do que por tanto tempo ele aceitou como sendo ele.
PARTE II
5
Os Planetas Transaturninos nos Signos do Zodíaco
Muito já foi escrito sobre o que representa o zodíaco, assim não é necessário 
tecer uma discussão detalhada a este respeito aqui. Já enumerei em diversos livros as 
razões fundamentais da minha não-aceitação do zodíaco sideral supostamente 
relacionado com constelações de verdadeiras estrelas. Contudo, percebi que na 
antigüidade, quando a astrologia tinha um enfoque centrado na localidade, quando 
acreditava-se que a Terra era plana e os astrólogos observavam diretamente a 
abóbada celeste, o zodíaco relacionava-se com grupos de estrelas através das quais o 
Sol passava durante sua jornada anual pelo firmamento.1 Na Índia, a astrologia 
reteve significativamente este enfoque, devido adoração hindu de antigas doutrinas, 
e as vidas dos seres humanos sintonizaram-se com tudo o que sua cultura e tradição 
considera verdades e fatos da existência inquestionáveis.
Quando a Terra passou a ser vista como um dos inúmeros planetas que giram 
volta do Sol todo-poderoso, o zodíaco tropical tornou-se um inevitável fato da 
existência, pois o relacionamento em constante modificação entre a Terra e o Sol 
transformou-se em fator fundamental na astrologia. Tal relação foi projetada sobre o 
céu, formando o zodíaco tropical. Os doze signos zodiacais regulares representam, 
na astrologia e astronomia modernas, segmentos de 30° da órbita terrestre, também 
chamada de eclíptica.
Para falar de um zodíaco de fato sideral, referindo-nos a verdadeiras estrelas, 
seria lógico considerá-lo do ponto de vista do Sol, ou seja, heliocentricamente. Na 
astrologia galáctica, provavelmente seria melhor considerar a interseção do plano do 
equador solar com o plano
1. Ver As Casas Astrológicas.
galáctico como estabelecedora de um eixo \u2014 que por sua vez fornece-nos o ponto 
de partida para um "zodíaco" solar (heliocêntrico). Contudo, apesar de atingirmos 
assim um ponto de vista galáctico, vale questionar se o próprio conceito de zodíaco 
teria algum significado. Estaríamos lidando com um enorme período de revolução 
solar em tomo do centro galáctico \u2014 cerca de 200 milhões de anos \u2014 e até o 
momento nada sabemos sobre o significado desse período na existência do Sol. 
Ainda hoje alguns astrólogos professam acreditar que o Sol não somente gira à volta 
da Galáxia, mas também circunda, em tempo muito menor, alguma estrela galáctica, 
que por sua vez gira em tomo do centro galáctico; entretanto, dificilmente os 
astrônomos contemporâneos endossam semelhante convicção.
O zodíaco deve ser considerado como um conceito estritamente terrestre e 
geocêntrico, constituindo um sistema de coordenadas para o estudo astrológico do 
que ocorre no sistema solar e nos afeta. Em qualquer momento, a estrutura do 
heliocosmo como um todo afeta em primeiro lugar o Sol e suas radiações; estes por 
sua vez afetam a Terra e todos os organismos vivos da biosfera. Mas, à medida que a 
Terra movimenta-se dentro deste heliocosmo, também é diretamente afetada pela 
situação bastante complexa produzida por todos os planetas em movimento dentro 
de um campo solar e galáctico saturado. Estes dois efeitos são eletromagnéticos e 
gravitacionais; provavelmente atuam também no nível das energias ou processos 
mentais (quaisquer que sejam), os quais transcendem as formas de liberação de 
energia que conhecemos hoje.
Em outras palavras, a situação em seu todo é tão complexa e tão cheia de 
incógnitas que seria pouco sensato até mesmo considerar a influência astrológica, 
atribuída a planetas afastados, como algo possível de ser explicado em termos 
estritamente "científicos". Por este motivo, só posso pensar na astrologia como 
linguagem simbólica e, segundo o significado original e profundo do termo, como 
"mito", ou mythos. Precisamos desse mythos para transmitir a ordem universal à 
nossa consciência; e o conceito de uma dimensão galáctica é essencial a fim de cha-
mar a atenção do homem moderno para a atuação de forças transformadoras e 
transcendentes.
Os mitos são necessários à evolução de uma cultura e da consciência à qual 
conferem uma" estrutura específica. Assim como a democracia americana precisa 
acreditar que "todos os homens são livres e iguais" \u2014
na verdade um mito, se considerarmos os fatos existenciais \u2014 a fim de manter ao 
menos uma orientação ideal para uma realidade espiritual transcendente; também o 
astrólogo, caso seja confiável e intelectualmente honesto, deve aceitar como 
postulado a existência no universo de um fator X que busca gravar em todos os 
organismos vivos um sentido de ordem cósmica transcendente.
Este sentido de ordem é fundamental especificamente à "consciência 
reflexiva" (Teilhard de Chardin) que denominamos humana. Em nosso atual estágio 
evolutivo, parece lógico- e válido falar desse fator X como "galáctico", e 
possivelmente implícito na atividade do centro de nossa Galáxia conquanto, 
conforme podemos ver, tal centro não pareça ser o que via de regra consideramos 
um aglomerado de substância material.
Os planetas atuantes entre Sol e Saturno fornecem-nos informações definidas 
sobre esta ordem universal no nível do heliocosmo \u2014 nível de consciência limitado 
por Saturno. Os planetas que giram além da órbita de Saturno indicam-nos como 
pode ser feita, de maneira mais significativa, a transição entre a consciência 
heliocósmica e a galáctica. Alertam-nos para as ciladas e crises do caminho; e, nas 
cartas natais, os trânsitos desses planetas mostram quando esperar uma mudança 
geral na vida do indivíduo. Contudo, não indicam de modo preciso e infalível os 
eventos concretos que deflagrarão tais mudanças; tampouco mostram como a 
pessoa reagirá ou responderá a eles, e existe uma grande diferença entre "reagir" a 
um acontecimento \u2014 qualquer organismo vivo ou mesmo uma molécula faz isso \u2014 
e "dar uma resposta" para o que ele torna possível. Uma resposta \u2014 na acepção 
correta do termo \u2014 só pode originar-se do centro individualizado da consciência, o 
ego ou eu.
Em seus trânsitos, os planetas transaturninos demoram vários anos para 
atravessar um signo do zodíaco. Urano leva cerca de sete anos; Netuno, de doze a 
treze anos; Plutão, um período bastante variável, entre doze e trinta anos, devido ao 
alongamento incomum da sua órbita. Portanto, é evidente que o simples fato de 
unta pessoa nascer