A Dimensão Galática da Astrologia - Dane Rudhyar
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A Dimensão Galática da Astrologia - Dane Rudhyar


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apenas a 
consciência atual do homem ocidental, que tenta colocar em uma espécie de 
seqüência ordenada, e para ele significativa, a memória racial incorporada a sua 
cultura particular. A história trata do subjetivismo coletivo de uma cultura, ou 
mesmo de uma determinada comunidade ou grupo religioso. Personifica não 
apenas os chamados fatos e registros, mas também a interpretação dos mesmos. 
Nas culturas antigas, a história possuía um caráter essencialmente arquetípico, pois 
lidava primariamente com processos transfísicos e transfactuais; por exemplo, os 
grandes yuga e mahayugas dos filósofos profetas indianos. Hoje, para nossa 
cultura euro-americana materialista, a história tornou-se sobretudo busca aplicada 
e interpretação "crítica" de registros físicos dos chamados fatos. Mas o que é 
exatamente um "fato"? Não constitui apenas o que a maioria das pessoas concorda 
em aceitar como tal, amiúde desconhecedora das forças invisíveis ou não-
reconhecidas que são as verdadeiras protagonistas?
Os ciclos astronômicos ajudam-nos a compreender não somente os amplos 
ritmos da maré da evolução humana subjacentes a todas as diferentes ondas que 
acompanham a formação, auge e desintegração de culturas locais, mas a posição 
ocupada pelo atual período na maré planetária do desenvolvimento da consciência 
humana. O inicio da fase humana evolutiva que hoje parece ter atingido um 
momento de transformação crucial pode remontar à conjunção tripla de Urano, 
Netuno e Plutão durante o século sexto a.C.2 Nesse século, Gautama,
2. Em A Doutrina Secreta (Ed. Pensamento), H.P. Blavatsky menciona, sem explicação, o ano 
607 a.C. como constituindo "o fim da Era Antiga".
o Buda, Pitágoras, Zoroastro (último de uma série de profetas do mesmo nome \u2014 
segundo as doutrinas esotéricas de Pársis), Lao-Tsé e outros grandes personagens 
viveram e lecionaram. Esse século marcou o início concreto da nossa civilização 
ocidental, conquanto sejam citadas raízes mais antigas, relativas ao teísmo do 
Bhagavãd Gitã e às influências pré-natais mosaicas, caldaicas e egípcias.
O Ciclo Netuno-Plutão
Ao longo de vinte e cinco séculos, inúmeras foram as conjunções de Netuno 
com Plutão: durante a primavera de 82 a.C. (com Urano entrando em Áries, Júpiter e 
Saturno em conjunção em 84 a.C. e em quadratura com Netuno e Plutão); em 410 
d.C.; em 903; em 1397 \u2014 ao que parece a primeira conjunção em Gêmeos; e em 
1891-92. Isso significa que ocorreram cinco ciclos Netuno-Plutão entre 576 a.C. e 
1891 d.C, e agora encontramo-nos no sexto. Segundo seu caráter esotérico, estes 
números são bastante reveladores.
O período de 576 a 82 a.C. leva o número 1 característico de um novo 
começo. Infelizmente, foi um começo fatídico e distorcido pelos fantasmas do 
passado, conquanto tenha representado ao mesmo tempo a reação intelectual a esse 
passado e a incapacidade em perceber como o novo impulso criativo relacionava-se 
com a safra espiritual de onde emergira. Esta foi a tragédia da cultura ateniense, 
ainda baseada na escravidão, enquanto sonhava com a democracia e tentava integrar 
as experiências dos Mistérios de Elêusis e de Orfeu, o novo ceticismo de Sócrates e 
o intelectualismo dos sofistas.
O segundo período testemunhou o desenvolvimento e o poder do Império 
Romano, o qual deixou cicatrizes indeléveis na civilização européia. O ideal grego 
(o número 1) assumiu a forma de cidadão romano (o número 2). O conceito de 
"pessoa legal" (tanto coletiva quanto individual) encontrou seu correlato espiritual 
no ideal de Jesus, qual seja o de todos os homens "filhos de Deus", dotados, por 
conseguinte, da centelha divina imanente \u2014 a semente interior de Deus.
O terceiro período testemunhou o triunfo do Cristianismo e a decadência da 
Roma imperial (Alarico destruiu Roma em 410 d.C, na mesma época da conjunção 
Netuno-Plutão). Enquanto as fases 1 e 2 contêm trevas inexpiáveis em demasia, a 
número 3 torna-se destrutiva
e produz o caos onde as raízes de uma nova tentativa buscam alimento; mas esta 
nova tentativa atua envolta por pesada nuvem que distorce as fontes originais da 
cultura. O Islã, em resposta ao relativo fracasso espiritual do Cristianismo, 
conquistou a maioria dos países meridionais, anteriormente dominados pelo Império 
Romano. O Papado adquire poder político, tornando-se a segunda área de conflito 
durante o período número 4, de 903 d.C. a 1397, período das Cruzadas e da grande 
Ordem Européia Medieval, dominada por uma Igreja poderosa em luta contra os 
ambiciosos Imperadores Sagrados, e as idéias do Oriente Próximo, introduzidas 
pelos árabes.
O quinto período inicia-se com o Movimento Humanista, a Renascença e a 
colonização das Américas. Aí ocorre o triunfo do racionalismo, do empirismo, do 
mecanicismo e do materialismo. O número 5 é o símbolo da mente, mas quando esta 
se desenvolve sobre os alicerces de um enfoque formalista, personalista e da rígida 
abordagem da espiritualidade, vê-se forçada a tornar-se igualmente dogmática em 
suas tentativas de lidar com tudo o que a ainda poderosa herança religiosa rebaixou e 
deixou inculto. Portanto, transforma-se em mente empírica e racional, tão voltada 
para o mundo material que se torna moldada pelo ritmo da matéria.
O sexto período começa em 1891-92, com a descoberta dos raios X, da 
radioatividade, do quantum e da famosa fórmula de Einstein que reduz a matéria à 
energia e transforma a luz em alma do espaço. No princípio do século XX, a 
oposição de Urano (e todos os demais planetas) conjunção de Netuno e Plutão 
anunciou simbolicamente uma era de conflitos ideológicos e de guerras brutais e 
mundiais \u2014 a "Guerra Civil do Homem". Hoje encontramo-nos no último quarto de 
século e a relação Netuno-Plutão está prestes a assumir um caráter bastante especial.
Devido ao formato muito alongado da órbita de Plutão, durante alguns anos, a 
cada revolução do planeta em tomo do Sol ele se aproxima mais do Sol \u2014 e também 
da Terra \u2014 do que Netuno jamais o conseguiria. Assim podemos afirmar que, ao 
menos simbolicamente, Plutão penetra na órbita de Netuno. Interpreto esta 
penetração como uma espécie de processo interplanetário de "fecundação". Ele 
ocorre aproximadamente a cada 248 anos e (segundo o Observatório Naval de 
Washington, D.C.) acontecerá entre 1978 e 2000. Plutão estará no ponto de sua 
órbita mais próximo do Sol (periélio) em 1989, provavelmente a 13° de Escorpião.
Tais períodos de fecundação da órbita de Netuno por Plutão foram bastante 
significativos na história européia. Demarcaram acontecimentos cruciais e 
prolongados de meados do século XVIII à época da "descoberta" da América por 
Colombo e do Renascimento (1481-1503), durante o grande período das catedrais 
góticas e a luta entre papas e imperadores; no momento crítico do ano 1000, quando 
a Europa esperava o fim do mundo; durante o auge da cultura árabe no século VIII e 
o reinado de Carlos Magno, o qual plantou as bases do ciclo europeu; na época da 
conversão de Clóvis ao Cristianismo, marco da aceitação da nova religião pelo 
principal líder das tribos germânicas; em fins do século III; e presumivelmente 
durante o ministério de Cristo e os primórdios da Igreja com Paulo.
Como Plutão, na época em que se aproxima de seu periélio em Escorpião, 
movimenta-se um pouco mais rapidamente do que Netuno, o aspecto formado por 
ambos os planetas antes da sua interpenetração orbital costuma repetir-se inúmeras 
vezes. Pode-se afirmar que sua duração \u2014 "dentro da órbita" \u2014 é de cerca de 
noventa anos. Quando Netuno entrou em Libra em outubro de 1942 (primeira reação 
atômica acontecida em Chicago em dezembro de 1942), Plutão encontrava-se no 7° 
de Leão \u2014 ou seja,