A Dimensão Galática da Astrologia - Dane Rudhyar
209 pág.

A Dimensão Galática da Astrologia - Dane Rudhyar


DisciplinaAstrologia611 materiais2.093 seguidores
Pré-visualização50 páginas
iluminada. Eles surgem como profundas 
percepções intuitivas da necessidade imperativa de transcender o modelo 
institucionalizado da mentalidade coletiva característica de uma sociedade que 
chegou à fase outonal de desintegração. Essas intuições, ou idéias-semente, devem 
receber uma formulação mental consistente e \u2014 ao menos para as mentes abertas e 
ansiosas por nova luz \u2014 convincentes. Todas as novas teorias cosmológicas da 
moderna astrofísica constituem basicamente formulações metafísicas, conquanto 
baseiem-se, via de regra, de forma precária e vagamente, em "fatos" revelados pelos 
nossos instrumentos, ainda mais complexos e que vêem de longe. A era cientifica 
precisa hoje de uma formulação transfísica mais do que estritamente metafísica.
4. A filosofia tântrica hindu refere-se à realização máxima do homem como "Experiência da 
Perfeição" \u2014 em sânscrito, Purna (ver os conhecidos livros de Sri Woodruff sobre Tantra).
A própria astrologia não tem nenhum significado realmente válido, exceto 
enquanto aplicação prática de urna metafísica implícita. Infelizmente, o astrólogo é 
tão desconhecedor ou desinteressado em relação a esse alicerce metafísico quanto o 
técnico de nível superior o é no que respeita aos conceitos metafísicos dos filósofos 
científicos e do novo grupo de "filósofos da ciência". Até mesmo os astrólogos 
sérios, ansiosos por ajudar seus clientes, com freqüência não chegam a preocupar-se 
realmente com o verdadeiro significado da astrologia, o por que funciona e como 
sua utilização pode afetar psicologicamente os que a ela recorrem. Novamente, não 
diferem dos tecnólogos interessados em tomar suas invenções cada vez mais 
eficazes, sem grande preocupação com o uso que a sociedade fará delas \u2014 até 
mesmo quando se toma evidente que, no atual estado em que se encontra a 
sociedade, a invenção será usada com fins destrutivos.
Como na maior parte dos casos a astrologia tradicional trata de 
acontecimentos concernentes relação entre seres humanos atuantes no meio 
ambiente material, ela opera no nível em que os planetas se movem como massas de 
matéria sombrias e sólidas, dentro do que imaginamos como um sistema 
heliocêntrico. Até mesmo o Sol central, neste nível, é visto como um aglomerado de 
matéria com calor extremo, o que o torna fonte de intensas radiações. Tais radiações 
são interpretadas como "partículas" (fótons), conquanto também pareçam, 
ambiguamente, comportar-se como "ondas". Essa ambivalência pode relacionar-se 
com o caráter duplo de "Sol" e "estrela".
Esse dualismo fornece-nos a chave simbólica para uma clara compreensão da 
possibilidade de mudar nossa consciência, da realidade em nível de materialidade 
centralizada à de galacticidade. Simbolicamente mostra-nos qual o próximo passo 
neste processo de transcendência (não estou usando o termo transcendência em 
sentido absoluto \u2014 como quando o filósofo cristão fala de Deus como o "Outro 
absoluto" e estabelece uma separação absoluta entre Deus, o Criador e o homem, a 
criatura \u2014 mas apenas com o significado de "ultrapassar" as limitações do estado de 
fisicalidade há muito aceito, entretanto não mais exclusivo).
Parece lógico e até mesmo inevitável associar simbolicamente o nível 
transfísico de consciência ao conceito de galacticidade, porque a Galáxia hoje 
desafia a mente humana em sua capacidade de imaginação cósmica. Mas tal desafio 
não é defrontado quando consideramos
as estrelas galácticas da mesma forma materialista (ao menos relativamente) como a 
astronomia imagina nosso Sol. As duas condições de "Sol" e "estrela" não devem ser 
consideradas por nossas mentes como existentes em mesmo nível. Quando a mente 
humana é hipnotizada pelo caráter físico de seu ambiente planetário sombrio e 
opaco, só consegue imaginar o Sol como uma massa física de matéria extremamente 
quente, cujo poder resulta de reações nucleares que parecemos capazes de duplicar.
Se insistirmos em permanecer no nível dos planetas sombrios que necessitam 
de uma fonte central de energia cósmica, poderemos considerar "verdadeiro" tal 
modelo astrofísico \u2014 ou melhor, adequado e válido. Contudo, devemos aceitar pelo 
menos a possibilidade do Sol, enquanto estrela participante da vasta totalidade da 
Galáxia, atuar em outro nível de existência, onde a matéria física toma-se 
transubstanciada em música e mente. Os fundamentos para essa transubstanciação 
encontra-se no conceito de espaço esboçado, em termos mais simples, nas páginas 
precedentes.
A Galáxia, segundo este modelo transfísico, é concebida como um pleroma de 
formas luminosas produzidas pela ação recíproca das vibrações espaciais. As 
estrelas são "filhas" do próprio espaço, quando visto rodopiando. São condensações 
de luz espacial \u2014 ou espiritual \u2014 na relação formal que estabelecem entre si. É 
uma relação formal que, na minha opinião, não obedece aos princípios de 
centralidade e nacionalidade ou exclusão. Com isto quero dizer que o centro 
galáctico não é ocupado por uma enorme massa de matéria semelhante a um super-
Sol, mas é melhor comparada com o eixo de uma roda. No âmago galáctico, a força 
cósmica que em nosso universo físico de planetas sombrios denominamos gravidade 
\u2014 ou seu análogo galáctico \u2014 deve ser condensada ou concentrada. Nesse âmago, o 
qual pode constituir o que recentemente os astrônomos consideraram um "buraco 
branco", o espírito aflora, proveniente de uma dimensão mais elevada ou 
possivelmente de outro universo.
Isto não significa que o modelo provisório da Galáxia e dos agrupamentos de 
diversos tipos de sistemas estelares galácticos, esboçado pelos astrônomos, não seja 
válido. Tal interpretação é feita a partir do que percebem ao analisar cuidadosamente 
as diferentes evidências de seus instrumentos. Entretanto, também podemos 
interpretar os fatos como referentes ao reflexo materializado de "formas de relação 
vibratória".
as quais no nível galáctico possuem um caráter que transcende a natureza dos 
relacionamentos entre cada entidade física observada em nosso nível de existência 
planetária terrestre.
Provavelmente argumentar-se-á que, se nossa consciência não é capaz de atuar 
no nível de "galacticidade", é inútil pensarmos segundo termos fundamentalmente 
estranhos nossa consciência da "materialidade' ; mas se esta objeção fosse válida, 
não teria sentido os homens proclamarem ideais determinantes, assim esperamos, 
em nossa vida individual ou coletiva. Neste caso, nenhum credo religioso faria 
sentido.
O homem primitivo interpretava as estrelas como os corpos radiantes dos 
deuses. Os cientistas modernos consideram-nas enormes massas de matéria em 
estado de plasma, no interior das quais ocorrem reações químico-atômicas 
inimaginavelmente poderosas. Cada modelo ajusta-se ao nível específico da 
consciência coletiva de homens que o consideram "verdadeiro". Cada modelo é 
adequado em termos da necessidade humana coletiva, à qual busca corresponder. 
Em uma cultura clássica (sobretudo a cultura européia clássica), homens cuja 
mentalidade coletiva durante muito tempo fora profundamente condicionada por 
dogmas religiosos baseados em suposta revelação divina, reagiam a tal 
condicionamento desenvolvendo uma mentalidade mais analítica, objetiva ou 
empírica. A natureza dessa mente tornou-a especialmente apta a lidar com o mundo 
em termos de "materialidade". Também produziu, ou foi relacionada no homem, 
com um sentimento profundo e instigante de "centralidade". Em conseqüência, o 
homem cada vez mais passou a atuar segundo impulsos egocêntricos por ele 
socialmente idealizados como