A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar
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A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar


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de deuses cíclicos (AEons), deuses que 
operavam desde o princípio até o fim de imensas Eras cósmicas - tendo 
o tempo sido dividido em períodos de manifestações e de dormências 
dos deuses que tornavam a despertar no momento do novo amanhecer 
cósmico. 
Todavia, depois de milênios de desenvolvimento mental, alguns 
poucos começaram a pensar num Ser Supremo que não dormia durante 
os períodos de repouso ou dissolução universal; que não apenas 
mantinha a integridade do seu ser durante todas as fases de tempo 
concebíveis, mas também permanecia ativo de uma maneira misteriosa 
e transcendente. Há mais ou menos cinco mil anos atrás, filósofos e 
iogues hindus compreenderam que tal condição de ser, misteriosa e 
transcendente, não precisava permanecer desconhecida. Ensinaram que 
o homem é intrinsecamente idêntico, em essência, ao Ser Supremo e, 
por conseqüência, não tinha de ser escravo do sono ou da morte. O 
homem podia continuar a existir além do encerramento do ciclo de 
vida, no qual havia emergido como um indivíduo. Podia transpor os 
ciclos e conhecer seu eu Divino - se estivesse disposto e fosse capaz de 
se submeter a disciplinas de comportamento e de pensamento muito 
rigorosas. 
Nessa evolução da consciência espiritual do homem, a astrologia 
desempenhou um papel dos mais importantes. Em primeiro lugar, ela 
deu a prova visível e demonstrável de que o primeiro dos dois grandes 
conceitos mencionados era correto - isto é, a prova de que o tempo era 
cíclico, de que a mudança significava uma seqüência periódica de 
transformações ou metamorfoses, que podiam ser medidas e previstas. 
Mais tarde, a astrologia também forneceu uma representação, ao menos 
simbólica, do conceito de que todo homem é um indivíduo em 
potencial; isto é, que há nele, além de todas as mudanças superficiais de 
humor, temperamento e caráter, uma permanente estrutura individual 
de ser. Essa estrutura permanente deve estar lá, se vai haver 
"imortalidade individual". Ela é a identidade imutável - o "arquétipo" - 
da pessoa individual que existe no 'mago de todas as mudanças 
biopsicológicas. E o mapa astrológico de nascimento. 
O mapa de nascimento não muda, mas o mundo caminha e os 
corpos celestes prosseguem nos seus movimentos cíclicos, como se 
nada tivesse acontecido. Todavia, uma coisa extraordinária aconteceu: 
um homem nasceu com a capacidade potencial de parar o tempo em si 
mesmo e imortalizar a estrutura da sua individualidade - a estrutura 
modelada de acordo com o céu inteiro, tal como estava no momento da 
sua primeira respiração. Se ele consegue fazer isso, torna-se, na 
realidade e como personalidade humana viva, seu próprio céu - isto é, 
a projeção de Deus sobre a Terra, de uma fase da Sua existência 
universal num momento do tempo. A imortalidade individual é, 
portanto, a superação da constante fatalidade da mudança por alguma 
coisa que resiste à mutação - ou, falando de um modo abstrato, a 
superação do tempo pelo espaço. Isso também significa a superação da 
"Natureza" pelo "ser", pois o ser ê a identidade imutável do indivíduo - 
o "Eu"; e o "Eu" é, fundamentalmente, a estrutura estável do ser, com o 
qual todos os fatores de mudança têm de estar relacionados para que 
possa haver consciência. 
Se o "Eu" e sua representação celeste (ou "assinatura"), o mapa 
de nascimento, não mudam, a Natureza, por outro lado, é mudança 
perpétua. Ela é a expressão multitudinária da influência recíproca de 
forças e energias, sempre crescendo e minguando, que se configuram 
no que percebemos como corpos (desde as moléculas até os planetas) e 
depois se dissociam, deixando as entidades materiais evanescentes 
desmoronarem. Graças à astrologia (e às ciências que surgiram dela), 
agora sabemos que a Natureza é organizada; suas manifestações são 
cíclicas e podem ser medidas pelos movimentos regulares dos corpos 
celestes. Sabendo isso, não precisamos temer essas mudanças naturais - 
entre elas a velhice e a morte corporal - mas, também, ainda temos de 
entender que manter (e talvez imortalizar) a nossa personalidade 
individual significa superar a Natureza, suas transformações e 
desintegrações incessantes e sua tendência universal de decair para um 
nível morto ("entropia"). 
Astrologicamente falando, isso significa que a integridade do 
nosso mapa de nascimento deve ser mantida contra a pressão do 
universo de mudança (natureza) - portanto, contra os novos impactos 
de todos os corpos celestes, que têm suas posições alteradas depois do 
nosso nascimento. Esses impactos constantes se referem ao que os 
astrólogos chamam de "trânsitos". Um trânsito é a manifestação 
focalizada da pressão interminável, aplicada pela Natureza, sobre a 
estrutura nata , arquetípica, da nossa personalidade. Ela coloca a força 
do universo de mudança - e dos fatores sociais, coletivos, presentes na 
experiência individual que constitui a "natureza humana" - contra a 
integridade do indivíduo; portanto, coloca as efemérides contra o mapa 
de nascimento! 
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Todos os trânsitos (excetuando-se as passagens dos planetas 
sobre os lugares que ocupavam no mapa de nascimento) tendem a 
distorcer e a desfigurar a estrutura básica do nosso ser, a tirá-lo do seu 
equilíbrio. Portanto, eles são desafios. Se os enfrentamos e 
permanecemos fiéis à nossa própria "verdade" arquetípica (que pode 
ser lida no mapa de nascimento), então teremos ganho muito em 
consciência e em força. Superando a mudança ou a oposição, teremos 
aprendido muito a respeito do que somos como uma individualidade 
imutável. Portanto, seremos capazes de viver mais plenamente, de 
encarnar mais do nosso ser na vida terrena, de expressar nosso caráter 
de uma forma mais convincente, de trans ormar em ação o que somos 
em potencialidade - que é a base da "imortalidade pessoal". 
f
 
 
As Técnicas dos Trânsitos, Velhas e Novas
 
Estas afirmações podem se tornar mais claras e mais utilizáveis, 
quando analisamos a técnica por meio da qual o astrólogo estuda esses 
trânsitos. Tendo diante de si o mapa de nascimento, calculado sobre o 
exato momento da primeira respiração (o primeiro momento de 
existência independente como indivíduo), o astrólogo abre suas 
efemérides. Se ele deseja estabelecer o trânsito que está em vigor em 
qualquer momento determinado, em relação a esse mapa, procura esse 
ano e esse dia nas efemérides e anota as posições zodiacais de todos os 
planetas. Em seguida, coloca-as dentro do imutável "quadro de 
referência" do mapa de nascimento e vê em que casas elas caem. 
Também calcula os relacionamentos angulares formados entre essas 
novas posições planetárias e as posições que os planetas ocupam no 
mapa natal. 
Vamos imaginar que, no mapa natal analisado, Netuno se 
encontrava nos 19° 48' de Câncer (19 de agosto de 1910). No dia 3 de 
maio de 1946, de acordo com as efemérides, poderá ser encontrado no 
mesmo ponto zodiacal; 19° 48' de Câncer. Júpiter está a noventa graus 
de distância, em 19° 48' de Libra, recebendo uma oposição de Mercúrio 
que está atravessando o 20° de Áries. O astrólogo então dirá que 
Saturno está transitando sobre o Netuno natal; que ambos, Júpiter e 
Mercúrio, estão formando quadraturas por trânsito com esse Netuno 
natal. E também que, mais ou menos na mesma época, Marte fará uma 
conjunção por trânsito com o Sol natal (a 7° de Leão). 
O astrólogo examinará esses vários trânsitos e procurará 
determinar o significado de cada um deles; então, tentará coordenar as 
indicações, obtidas dessa maneira, formando com elas um quadro mais 
ou menos coerente do que o nativo poderá esperar nesse dia ou perto 
dele, 5 de maio de 1946. Ele dirá que a força de Saturno em trânsito, 
superpondo-se sobre a de Netuno natal, afetará qualquer coisa 
representada por Netuno no mapa de nascimento - talvez sua 
consciência social ou sua percepção dos valores espirituais ou, então, 
seu subconsciente.