A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar
157 pág.

A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar


DisciplinaAstrologia611 materiais2.098 seguidores
Pré-visualização42 páginas
alinhamento exato do Sol, da Lua e da Terra. Durante um eclipse solar, 
a Terra recebe a força total da conjunção soli-lunar. Esse eclipse 
constitui um desafio excessivamente intenso, para se iniciar alguma 
coisa nova e abandonar o passado. Isso pode significar revolução ou 
evolução, dependendo da força da estrutura interior da personalidade - 
isto é, da capacidade do indivíduo de não ser violentamente arrancado 
do seu centro. 
Por outro lado, os eclipses lunares constituem desafios à 
integração pessoal. A Terra é puxada pelo Sol e pela Lua em direções 
exatamente opostas: isso pode significar desintegração - ou, assim 
como a Lua ressurge da aparência espectral que tem quando está 
eclipsada - um novo ajustamento à vida, uma nova qualidade de 
integração da personalidade com o ambiente. 
DÉCIMO PRIMEIRO PASSO 
 
O Estudo das Progressões 
 
 
it l i t 
No decorrer de todo este livro, acentuei o fato de que a astrologia 
é, em essência, um estudo dos ciclos da vida, isto é, um estudo da 
ordem estrutural que pode ser percebida na seqüência de tempo dos 
eventos ocorridos na vida dos indivíduos e das nações. Os conceitos de 
ciclos, de repetição cíclica de fenômenos e de fases periódicas no 
crescimento de organismos vivos, não teriam tomado forma na mente 
humana, a menos que tivessem sido observadas seqüências de 
fenômenos freqüentemente repetidas. Todavia, perceber tais seqüências 
é uma coisa; ser capaz de medi-las, bem como ser capaz de determinar 
o padrão exato da sua repetição, é outra. Todas as medições de tempo 
desse tipo envolvem o uso de relógios - assim como as medições de 
espaço exigem uma vara de medir, uma régua graduada. 
Até bem recentemente, o relógio básico, usado em todos os tipos 
de medição do tempo, foi o céu. Em sua origem, os ponteiros desse 
relógio eram o Sol e a Lua. Mais tarde, quando se tornou necessária 
uma precisão maior, a passagem das estrelas pelo zênite serviu como 
medida básica de tempo. Em qualquer dos casos, o tempo era medido 
pelo movimento cíclico de algum corpo celeste, assim como o espaço 
era medido tendo como referência as dimensões do nosso globo; uma 
base comum para toda experiência humana foi tomada como padrão de 
medida. A astrologia é válida, porque os ciclos que ela adota como
varas de medir nos mu os e variados processos de desenvo v men o da
vida fazem parte da experiência humana comum. Ela é válida no 
sentido mais profundo porque esses ciclos ficaram, portanto, impressos 
no inconsciente ancestral, coletivo da humanidade. Eles são fatores 
fundamentais na mente do homem. 
O que são esses ciclos? O dia, o ano, o mês de lunação - e, de 
uma forma muito mais ampla e mais recente, o ciclo dos equinócios, 
isto é, o ciclo do relacionamento mutável entre a cronometragem das 
estações e o lugar do Sol no meio das estrelas. 
O ciclo do dia é o período mais básico, uma vez que ele se 
relaciona com a alternação da luz (ou atividade) e da escuridão (ou 
repouso). Foi determinado pelo nascer e pelo pôr do Sol. O ciclo do 
ano se relaciona com as mudanças das estações e foi medido pela 
mudança na posição do Sol poente (ou nascente) ao sul e ao norte de 
uma posição média que foi chamada de oeste (ou oriente). Os cálculos 
zodiacais vieram numa data posterior; originalmente, o que serviu para 
medir o ciclo anual foi, quase sem dúvida, essa oscilação norte-sul dos 
pontos de ocaso do Sol no horizonte ocidental. Quanto ao mês de 
lunação, foi um ciclo definido pelas fases da Lua; portanto, pelo 
intervalo entre duas Luas novas (ou no princípio, provavelmente, entre 
duas Luas cheias - fatos de experiência mais facilmente observáveis). 
No capítulo anterior, enfatizei a oposição básica existente entre o 
mapa de nascimento como um fator duradouro, e a constante mudança 
da configuração do sistema solar, durante os anos de vida de uma 
pessoa. Eu disse que ela deveria ser interpretada como uma oposição 
entre a personalidade individual permanente dessa pessoa e a Natureza, 
sempre cambiante, entre a identidade pessoal básica e as muitas forças 
que a todo momento querem desafiar sua integridade. Todavia, não 
devemos esquecer o fato de que a identidade de um homem é apenas 
um arquétipo, um plano abstrato, uma constante, com a qual tudo o que 
está em eterna mudança deve ser relacionado para que possa haver um 
desenvolvimento consciente e integrado da personalidade. 
Nesse sentido, há um velho provérbio que diz que "um templo 
não é feito num dia". A construção do templo é um processo, embora 
possamos dizer que esse processo depende de dois fatores principais, as 
plantas e a soma das atividades dos construtores (sujeitos a várias 
pressões, mudanças de humor, opiniões conflitantes ou desejos de auto-
expressão); há porém um terceiro fator que deve ser considerado. Sem 
as plantas do arquiteto, como quadro de referência constante, as 
atividades dos construtores não teriam nem coesão, nem planejamento, 
nem propósito; contudo, sem um programa de trabalho e sem a 
atividade vigilante de um administrador ou de um empreiteiro, o 
processo de construção não se desenvolveria com facilidade ou 
eficiência. 
O homem não nasce com sua personalidade já feita. A 
personalidade é desenvolvida e inclui três fatores essenciais: 
(1) Um esquema individual (planta) que estabelece a disposição 
básica e o propósito do determinado organismo humano que nasce. 
(2) A influência mutuamente exercida, por um lado, pela 
estrutura da personalidade permanente e, por outro, pelas energias da 
natureza humana, pela pressão das necessidades e das tradições 
sócio-culturais e pelo impacto do clima e das condições da terra etc. 
(3) A inteligência administradora que procura fazer com que o 
segundo fator esteja sempre a serviço do propósito do primeiro; que 
transforma os desafios da natureza cambiante em opo unidades de 
crescimento pessoal. 
rt 
A parte desempenhada por essa inteligência administradora é de 
integração. O administrador-empreiteiro é quem se encarrega de fazer 
com que a planta se transforme num edifício concreto - através do 
trabalho dos operários, da cooperação adequada de influências 
políticas, de um fluxo apropriado de materiais e de todos os 
ajustamentos constantes requeridos durante o processo de construção 
(isto é, durante o processo, que dura a vida inteira, de desenvolvimento 
da personalidade). Os ajustamentos exigem contratos, acordos, 
compromissos, consultas, coordenação, correlação, e todas essas coisas 
estão nos domínios da inteligência. 
A inteligência é a capacidade de fazer ajustamentos exeqüíveis e 
eficientes tanto para o meio interior quanto para o exterior. A 
inteligência integra a experiência social humana para que ela possa ser 
útil e significativa à personalidade, ao "eu". Ela administra (com a 
assistência da vontade) as atividades da pessoa. A inteligência mais 
penetrante faz seus ajustes, tomando como referência constante as 
disposições da planta original e o propósito da personalidade que está 
se desenvolvendo - enquanto a inteligência superficial, oportunista, 
trabalha bem no meio de forças naturais e de pressões sociais, 
procurando soluções temporárias, acalmando sentimentos feridos, 
envolvendo-se em compromissos e num diplomático toma lá, dá cá. 
O que o astrólogo chama de "progressões" lida, em princípio, 
com a operação desses dois tipos de inteligência. Pode-se dizer - desde 
que não encaremos a questão muito literalmente - que as progressões 
como um todo, revelam o modo pelo qual os trânsitos e o mapa de 
nascimento podem ser integrados, ou, talvez, com mais exatidão, a 
atividade dessas influências no indivíduo que procura constantemente 
incorporar os resultados da experiência (os trânsitos) na estrutura do 
seu ser (mapa de nascimento). Essas influências "pertencem" 
essencialmente ao ser, elas servem ao propósito