A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar
157 pág.

A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar


DisciplinaAstrologia609 materiais2.086 seguidores
Pré-visualização42 páginas
do astrólogo tem de estar 
no indivíduo, não em seu ajustamento à vida e não em acontecimentos 
ou confrontos específicos. 
Há, contudo, um tipo de astrologia que não presume problemas, 
crises e confrontos específicos como possibilidades originadas pelas 
configurações gerais de adaptação pessoal à vida, mas, sim, os encara 
como fatores principais e como pontos de partida. Ela é chamada de 
"astrologia horária" - o termo "horária" significando "da hora". 
A astrologia horária é a astrologia das coisas particulares. Lida 
diretamente com casos e situações particulares declarados e o indivíduo 
que está enfrentando essas estruturas particulares de experiência tem, 
nessa astrologia, um papel especial. Ele marca seu cartão no 
relógio de pon o da entrada do reino da vida consciente; isto é, ele 
expressa sua disposição de começar a trabalhar conscientemente em 
qualquer problema que apresente na ocasião. Estabelece sua 
necessidade e prova sua disposição de encarar esse problema em 
termos de um propósito universal, de enfrentá-lo com tal inteligência 
que, embora ndividualizada através de uma mente individual, em 
essência é um fator universal. 
t
i
i
A vida do homem e da mulher comuns é condicionada por 
sentimentos ou impulsos biológicos, por reações egocêntricas diante 
das experiências, por padrões tradicionais de comportamento, reações 
socialmente esperadas e pelo desejo confuso ou vacilante de alcançar 
algum estado de existência ideal. O indivíduo poderá pensar a respeito 
de muitas coisas, poderá até mesmo ter um intelecto brilhante, rápido 
na associação de dados memorizados e na consulta das fichas 
preenchidas para referência, existentes no seu cérebro - e mesmo assim 
ele poderá não viver nem um pouco de acordo com a "maneira 
consciente" da verdadeira inteligência. Ele provavelmente sabe o que 
quer e seu intelecto poderá discutir os prós e os contras de cada 
situação da vida, em termos do que ele "sabe" e do que ele "quer". Ele 
poderá exibir o tipo de inteligência social a cujo respeito testes de 
inteligência fornecem dados - uma faculdade pronta a se adaptar às 
situações sociais e às exigências da vida coletiva. Mas nada disso diz 
respeito ao que eu chamei aqui de "viver consciente", mas apenas ao 
comportamento biológico, egocêntrico ou social. 
"Viver conscientemente" significa viver como um indivíduo 
diferenciado do comum, consciente de um propósito e movido pela 
determinação constante de ajustar sua vida (comportamento, 
sentimento e pensamento) às necessidades desse propósito. Se a pessoa 
se vê como um indivíduo separado de tudo o mais que existe no 
mundo, e se seu propósito é egocêntrico e não se relaciona com 
qualquer coisa maior do que o seu próprio ser, temos então uma forma 
de viver negativa, basicamente destrutiva e intencional, mais do que 
consciente. A verdadeira consciência envolve um relacionamento 
profundamente sentido e reconhecido entre o indivíduo e o un verso. 
Um indivíduo que não está relacionado com o universo é uma ficção. 
Nenhum indivíduo vive no vácuo. Ele está relacionado - com um 
grupo, com a sociedade, com a humanidade e com o universo. Se não 
tem uma percepção plena do 
seu estado de relacionamento total, não se pode dizer que ele seja 
verdadeiramente "consciente", a despeito do seu intelecto brilhante, da 
sua sagacidade social e do seu sucesso. Ele não vive em termos da 
verdadeira inteligência nem em termos do espírito. 
A inteligência é a focalização da harmonia universal na mente do 
indivíduo. É o ajustamento do individual ao universal, das ações 
particulares ao propósito universal, pois só esse propósi o pode to ná-
las espiritualmente significativas. Viver conforme a "maneira 
consciente", a maneira da verdadeira inteligência, é viver em termos do 
nosso lugar, da função e do propósito essencial no Todo universal. É 
determinar o próprio destino; é passar a ser, pouco a pouco, a totalidade 
do que se é potencialmente. É satisfazer a Harmonia universal no lugar 
e na hora em que se é convocado para a ação. É se tornar o próprio Céu 
natal, na forma de uma personalidade concreta sobre a Terra. É fazer 
tudo isso não só de uma maneira geral, mas todos os dias, em todos os 
momentos, com a maior exatidão e pureza de intenção, com a maior 
eficiência possível. 
t r
Contudo, como podemos ter certeza de que estamos vivendo de 
tal maneira? Que padrão de valores, que quadro de referência pode 
haver, com o qual possamos testar a validade das nossas ações no 
momento exato em que enfrentamos um novo teste, uma nova crise, um 
novo problema? A astrologia responde: "Observe o céu. Interrogue 
suas configurações ordenadas. Peça que a Harmonia universal lhe dê 
uma resposta. Assim como a Natureza tem uma cura para cada doença, 
assim também o céu tem uma solução para cada problema. Toda 
necessidade individual consciente, claramente formulada e declarada 
com ardente fervor, é sempre satisfeita pelo espírito - desde que o 
indivíduo não feche sua porta para o influxo espiritual e para a 
mensagem divina." 
A inteligência, conforme já a defini, é um fator universal. Ela 
existe em estado latente em todos os seres humanos. Impregna o 
universo inteiro. Tudo o que o indivíduo tem de fazer é produzir uma 
"lente" para focalizá-la e uma mente capaz de receber e conter suas 
emanações. Há muitos tipos de lentes e de recipientes mentais, mas a 
inteligência é uma só e é a mesma em todos os lugares. Ela está em 
cada todo orgânico, assim como está visível no céu. Se podemos 
decifrá-la com mais facilidade no céu é porque, ali, a distância dos 
corpos 
celestes torna-a mais simples e estruturalmente mais clara, pelo fato de 
que nós - os inquisidores, os necessitados - não podemos perturbar de 
nenhum modo as configurações celestes e, também, porque a 
experiência do céu e dos seus luminares é uma das mais vitais e mais 
antigas entre todas as experiências comuns a todos os homens. 
Todavia, o importante é saber o que procuramos; é a nossa 
atitude em relação à procura, e também em relação à resposta obtida. O 
essencial é compreender que podemos alcançar essa inteligência 
diretamente, à medida que ela é focalizada em nossa mente quando 
estamos preparados para tanto, e também indiretamente, quando se 
expressa através do nosso relacionamento com o universo e, em 
particular, com o sistema solar, que é o "espaço vivo" do nosso Sol, 
fonte da nossa vitalidade. A inteligência é a manifestação ativa da 
Harmonia universal; conseqüentemente, sempre que se produz urna 
desarmonia, deverá haver também um esforço para o restabelecimento 
da harmonia. Essa é a lei da compensação, quer vista como carma pelos 
ocultistas, quer vista como o princípio da "compensação psicológica" 
(C.G. Jung) pelos psicólogos. Por causa dela, todo vazio deve ser 
preenchido, toda necessidade deve ser satisfeita - desde que não haja 
alguma coisa no recipiente vazio ou na pessoa necessitada que bloqueie 
o caminho para o restabelecimento da harmonia. 
O verdadeiro tipo de astrologia horária baseia-se nesses 
princípios. Todo mapa horário levantado em resposta a uma 
necessidade real e bem formulada deve ser considerado uma expressão 
da inteligência universal, que está à procura do restabelecimento da 
harmonia rompida pela crise ou pelo problema que causou a 
necessidade pessoal. O indivíduo necessitado poderia ter encontrado 
uma resposta direta dentro de si mesmo, se sua mente estivesse 
realmente aberta para o influxo da inteligência - chame isso de 
"intuição", se quiser, ou de "resposta de Deus à sua prece". Mas, se a 
mente do indivíduo é por demais confusa, desordenada ou angustiada 
para que ele possa fazer de si mesmo uma "lente" capaz de focalizar a 
inteligência universal, que está sempre procurando restabelecer a 
harmonia, então deve ser encontrado um intermediário ou um espelho, 
para fazer