A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar
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A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar


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assim "corporificada" participa do propósito nacional cole vo, tenha ou 
não percepção desse fato. Essa participação toma-se parte integrante do 
seu propósito individual e assim deve ser reconhecida. Esse fato não se 
aplicava da mesma forma às sociedades antigas, onde o Estado era a 
criação de um rei, expandia-se por meio do casamento do rei, etc. 
Havia um "estado", mas não uma "nação" - e não havia mapa nacional 
coletivo, só o mapa de um " eino" ou, quando muito, de uma "tradição 
ancestral", que dominava todos os súditos com a força de uma 
compulsão básica instintiva e, num propósito coletivo, a diferença entre 
compulsão básica e participação é realmente muito grande! 
2. Áreas geográficas e regência zodiacal. Na astrologia 
ptolomaica, as "regências zodiacais" foram atribuídas a regiões 
vagamente definidas do mundo então conhecido - sendo cada região, 
por inteiro, relacionada com um signo do zodíaco. De uma maneira um 
tanto peculiar, as zonas de regência irradiavam-se do mar 
Mediterrâneo, o centro da civilização daquele período. No decorrer dos 
séculos, essas zonas se tornaram locais de habitação de numerosas 
nações; portanto, nações sem qualquer semelhança ainda conservam o 
mesmo signo 
zodiacal como regente (por exemplo, França e Itália sob a regência de 
Leão; Inglaterra, Dinamarca e Alemanha sob Áries etc.). A validade 
dessas regências tem sido contestada e modificada por astrólogos; 
novas regências foram atribuídas às cidades, às províncias, etc. Isso 
causou muita confusão. 
Há muitas décadas, Albert Ross Parsons (mais tarde Sepharial) 
procurou estabelecer uma correlação direta entre faixas de longitude 
terrestre e signos zodiacais ou constelações, baseado no princípio de 
que a Terra poderia ser considerada como um microcosmo do 
macrocosmo, a esfera celeste. Presumindo que seja possível tal 
correspondência entre a esfera celeste e o nosso globo, dois problemas 
precisam ser resolvidos: a. A correspondência se refere às constelações 
ou aos signos do zodíaco? b. Por onde devemos começar - isto é, qual 
longitude da Terra corresponde a 0° de Áries? 
De acordo com Parsons, cada continente geográfico e cada 
região corresponde a uma constelação particular de estrelas fixas e tem 
afinidade com ela - sempre a mesma. Poder-se-ia dizer que esse tipo de 
cor-respondência é o mesmo segundo o qual Áries é o "governante" da 
cabeça, Touro do pescoço, Gêmeos dos ombros e dos pulmões, etc. O 
homem é visto como o microcosmo e o universo como o macrocosmo - 
e, sem dúvida, a correspondência entre eles provou seu valor na 
astrologia natal. Foram feitos diagramas simbólicos nos quais um 
homem vergado para trás, com os pés tocando a cabeça, é rodeado pelo 
zodíaco, estando Áries na cabeça e Peixes nos pés. 
Em tal correlação simbólica, porém, acredito que o que poderia 
corresponder ao corpo humano não é o zodíaco das constelações, mas o 
zodíaco dos signos. Em outras palavras, é o primeiro mês depois do 
equinócio vernal - isto é, o início da primavera - que corresponde à 
cabeça, e não a um grupo de estrelas fixas; os pés estão relacionados 
com a última das doze divisões do ano solar, mais do que com a 
constelação de Peixes. Substituindo o globo da Terra pelo corpo 
humano, esse mesmo tipo de equivalência poderia ser usado. Contudo, 
a dificuldade então seria decidir qual porção longitudinal da superfície 
da Terra corresponde ao signo de Áries - e, por implicação, à cabeça 
humana. Foi aceita a hipótese, especialmente na Inglaterra, de que o 
meridiano de Greenwich corresponde ao 0° de Áries, mas tal 
suposição certamente pode ser questionada. O problema se relaciona 
com aquilo que poderíamos chamar de "geografia oculta"; todavia, o 
campo é grande demais e as implicações têm um alcance bastante 
longo para que possam ser discutidas aqui. 
O tipo de correspondência pelo qual Albert Ross Parsons 
demonstrava interesse era, todavia, um no qual todo o mapa celeste das 
constelações podia ser focalizado sobre o globo terrestre inteiro e 
determinadas estrelas seriam relacionadas com certas localizações 
geográficas. Contudo, partindo desse ponto de vista, torna-se bastante 
evidente que deveríamos considerar o fato de que as longitudes 
zodiacais das estrelas mudam constantemente por causa do movimento 
cíclico, chamado "precessão dos equinócios". Se a esfera celeste é 
projetada sobre nosso globo, o Equador e a eclíptica são dois círculos 
que se cruzam; seus pontos de cruzamento (0o de Áries e de Libra) 
deslocam-se constantemente em direção ao Ocidente, fazendo um 
circuito completo em mais ou menos 25.868 anos. Esse deslocamento 
pode ser relacionado com a freqüentemente mencionada "marcha para 
o Oeste dos impérios". Pode-se supor que isso significa que deva 
ocorrer um deslocamento dessa mesma maneira, sobre nosso globo, das 
configurações estelares (constelações). Portanto, a constelação que 
poderia ter sido indicada como "regente" da Inglaterra no ano 1000 a.C. 
agora está regendo a imensa vastidão do Oceano Atlântico. Ela tornará 
a reger novamente o que restar das Ilhas Britânicas, por volta do ano 
27000 d.C. 
Foi baseado em tal tipo de raciocínio que Edward Johndro 
estabeleceu, há cerca de vinte anos, seu sistema de astrologia 
geográfica e procurou ajudar as pessoas a descobrirem a localização 
geográfica com que seus próprios mapas de nascimento estariam em 
sintonia mais favorável. Outro astrólogo, Paul Councel, trabalhou ao 
longo de linhas similares, apoiado numa base diferente, interpretando o 
fenômeno da precessão dos equinócios de modo fundamentalmente 
divergente do aceito pelos astrônomos modernos. Em qualquer dos 
casos, o problema prático é a maneira como determinar a longitude 
geográfica sobre a qual o equinócio da primavera ou o Sol vernal 
devem ser projetados em qualquer momento específico. Johndro 
localizou o grau O de Áries atualmente a mais ou menos 30° de 
longitude oeste. Councel afirma que em 1932 o equinócio vernal 
ocorreu na longitude de 35°50' oeste (veja 
Cosmic Causation in Geophysics, 1945). Parece-me que os dois 
cálculos não se ajustam com exatidão suficiente aos atuais eventos 
históricos, registrados no rápido movimento direcionado a oeste do 
foco principal ou dos focos de civilização humana, durante o último 
milênio - a menos, naturalmente, que queiramos dar um significado um 
tanto peculiar a nossa civilização européia. Aqui, mais uma vez, tudo 
depende da nossa interpretação e desde que não tenhamos uma intenção 
excessivamente óbvia de fazer com que a História se encaixe dentro de 
um padrão preconcebido, a significação e a validade históricas do 
paralelismo são, possivelmente, os únicos critérios de que dispomos 
para determinar que faixa longitudinal corresponde a que signo ou 
constelação. 
O assunto não pode ser discutido mais longamente aqui. Tudo o 
que eu quis mostrar foi que, se tal teoria do deslocamento da regência 
zodiacal para regiões de longitude da Terra está correta, um homem 
nascido em qualquer lugar do globo também poderá se ver relacionado 
com uma constelação e com uma estrela, em conseqüência de seu lugar 
de nascimento. Contudo, como esses relacionamentos geocelestes se 
deslocam de acordo com os ciclos de civilização de 25.868 anos, o que 
isso realmente significa é poder a vida de um homem ser vista como 
algo que ocupa um ugar definido (portanto uma função) nesse vasto 
ciclo precessional. Esse é o maior de todos os seus "quadros de 
referência" e seu lugar exato dentro dele pode ser determinado pela
ong tude do seu local de nascimento na ocasião em que nasceu. Caso 
se compreenda tal fato, também é possível admitir que um homem tem 
condições de modificar seu lugar e sua função nesse "quadro de 
referência", mudando sua residência - o que abre um campo de 
investigação muito interessante, desde que haja entendimento do que na 
realidade está