A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar
157 pág.

A Prática da Astrologia - Dane Rudhyar


DisciplinaAstrologia611 materiais2.093 seguidores
Pré-visualização42 páginas
os acidentes aparentes, todos os 
conflitos resultam de "assuntos inacabados". O astrólogo que anda no 
caminho da sabedoria avalia muito alto sua responsabilidade para com 
seu cliente e está disposto a encará-la com o melhor da sua capacidade 
e da sua possibilidade. Por essa razão, ele sabe ficar calado. Não 
obstante, manter-se calado quando palavras e conhecimento podem 
curar, sanar - isso também poderá significar um "assunto inacabado". 
Para o homem, não há meio de fugir da responsabilidade pessoal. 
TERCEIRO PASSO 
 
Estabelecer um Método de Trabalho Simples e Claro 
Tendo compreendido a natureza e o propósito da astrologia 
(primeiro passo) e tendo aceito antecipadamente a responsabilidade 
para com o cliente, responsabilidade que é inseparável do uso sábio de 
qualquer conhecimento obtido através dos símbolos e das técnicas 
astrológicas (segundo passo), o futuro astrólogo agora está pronto para 
dar o terceiro passo. Ele (ou ela) deve aprender a estabelecer um 
método de trabalho simples e claro, assim como deve seguir uma 
seqüência completa e fidedigna de operações, que irão fornecer-lhe os 
dados necessários nos quais poderá basear suas interpretações 
psicológicas. E, antes de mais nada, o astrólogo deve compreender 
plenamente a verdadeira natureza das ferramentas que utilizará, pois 
todo tipo de atividade sempre se baseia em ferramentas ou é 
condicionado por elas, sejam naturais ou feitas pelo homem. Agir sem 
dar maior atenção possível a essas ferramentas só poderá levar à 
ineficiência prática e à confusão mental. 
O Mapa As rológico amo Figura Simból ca t i
 
Na astrologia, o primeiro procedimento sempre é "erigir" ou 
"levantar" um mapa. Um mapa astrológico pode ser entendido como 
um tipo de fórmula química, na qual os planetas e outros itens 
representam os "elementos" simples e básicos, que nas suas 
combinações variadas constituem o tema da "química" da 
personalidade. Quando 
entendido dessa maneira, o mapa mostrará com clareza como todo 
indivíduo, embora complexo e diferenciado no seu temperamento e 
comportamento, na realidade é apenas um composto de fatores, 
combinados de maneira especial, comuns a todos os seres humanos. 
Todavia, o mapa astrológico é mais do que uma fórmula, mais do que 
um "mapa". Não é simplesmente uma coisa a ser estudada por meio de 
um intelecto frio e analítico. É uma coisa a ser sentida. 
O mapa deve ser sentido como um símbolo vivo do universo 
inteiro, visto de um determinado lugar, num determinado instante. É a 
representação simbólica de uma das experiências humanas mais 
básicas; a experiência do céu, a experiência de infinidade e ordem. É a 
"assinatura" do Criador, a "partitura musical" da Harmonia universal 
que, por baixo de todas as tempestades, de todos os temores e de todas 
as vitórias tumultuosas, é paz e sublimidade. O músico treinado olha 
para a partitura musical e ouve os sons, com toda a sua qualidade 
comovedora. Do mesmo modo, para o astrólogo treinado, o mapa de 
nascimento deverá "evocar" a pessoa viva; e, de fato, os planetas e os 
signos do zodíaco deverão ser vistos como atores numa cena cósmica, 
tão significativa quanto as cenas religiosas representadas em 
incontáveis Crucificações e Natividades, que despertam a emoção dos 
fiéis e são um alimento simbólico para a intuição dos sábios. O mapa 
de nascimento é um quadro simbólico da realidade cósmica. Deverá 
falar à imaginação tanto quanto ao intelecto. Deverá adquirir vida. 
 
ifi
t -
t i li 
i l i i
O Momento do Nascimento e Seu Sign cado 
Todo mapa astrológico é um mapa de nascimento. A astrologia 
foi corretamente chamada de "a ciência de todos os inícios" (Marc E. 
Jones), porque se baseia principalmente no estudo da es rutura semente 
das po enc a dades de vida e de crescimento, manifestadas no primeiro
nstante de qua quer ciclo de at v dade orgânica. A semente é o lugar de 
encontro do passado e do futuro; nela, um ciclo chega ao seu fim, de 
onde um novo ciclo emerge. A astrologia, porém, lida principalmente 
com aquele aspecto da semente no qual a estrutura do futuro organismo 
é revelada como um novo conjunto de potencialidades de vida, 
relativamente ímpar. 
O momento do primeiro choro é importante para o levantamento 
do mapa de uma pessoa (horóscopo), porque marca .o início de uma 
existência relativamente independente - e não pode haver nenhum 
conjunto de potencialidades de vida realmente novo e original, enquan-
to não houver pelo menos os primeiros princípios de independência 
orgânica e de expressão. O primeiro choro é o primeiro ato de expres-
são orgânica integral, porque é a reação do organismo inteiro diante da 
penetração do ar. Esse ar inalado carrega consigo a "assinatura" do 
passado inteiro do universo; mas, quando o bebê solta o seu primeiro 
grito, ele expressa sua reação original ao universo. Começa a criar seu 
futuro. Essa reação normalmente deverá tornar-se cada vez mais 
ndividual - uma nova contribuição para a vida - à medida que a criança 
cresce e atinge a idade da responsabilidade; quando isso ocorre, o que 
no nascimento era apenas um conjunto de potencialidades, pouco a 
pouco se transforma na realidade concreta do caráter e do 
comportamento consciente do indivíduo. 
i
O estágio pré-natal da vida orgânica é apenas a soma do passado 
da raça à espera da ocasião em que um momento presente, que traz 
consigo o poder de iniciar a vida (viabilidade), abrirá caminho para a 
revelação gradual do futuro. O que chamamos vida é essa revelação 
constante do futuro através de uma série de situações presentes: uma 
revelação que começa com o primeiro choro. 
Eu também deveria aduzir que através da primeira inalação 
ocorre uma mudança na circulação do sangue, que a partir daí passa 
pelos pulmões e é oxigenado dentro deles. Portanto, é só nessa hora que 
o coração começa a funcionar na forma característica de um todo 
orgânico auto-suficiente. 
 
O Mapa de Nascimento e Seus Elementos 
 
Embora um mapa de nascimento seja uma representação gráfica 
bidimensional do universo, como é realmente, ainda assim essa 
representação é muito seletiva. Seleciona certos fatores como sendo 
"mais importantes" e deixa de lado muitos outros - assim como uma 
fórmula química enfatiza um certo tipo de relacionamento molecular e 
ignora muitos outros fatores. Entre todos os dados astronômicos de 
que pode dispor, a astrologia seleciona os que se ajustam a certos 
quadros de referência - e ignora os demais.* 
A astrologia lida com corpos celestes que se movimentam - ou 
mais exatamente com os movimentos periódicos de pontos e discos de 
luz localizados no céu. Esses movimentos só podem ser calculados e 
determinados no espaço e no tempo, quando as posições cambiantes 
dos corpos celestes são medidas tomando-se como referência o hori-
zonte e o período do dia ou das posições equinociais do Sol, dentro do 
ciclo anual, ou então o valor relativo dos períodos planetários. E esses 
três quadros principais de referência são conhecidos na astrologia como 
a roda das Casas, os signos do zodíaco e a configuração geral do 
sistema solar (de onde deriva o significado atribuído a cada planeta). 
Cada um desses três quadros de referência tem um significado e um 
caráter bem definidos, e a combinação deles produz o mapa astrológico 
- o único instrumento essencial usado na astrologia. 
 
 
O Horizonte e o Meridiano 
Falando de um modo geral, o horizonte é a linha do encontro 
aparente da terra (ou do mar) com o céu. Por extensão psicológica, ele 
também abrange o significado de "os limites de observação ou 
experiência" (Dicionário Funk and Wagnalls). O horizonte é a base da 
 
_______________________ 
 
*A estrutura completa de um ciclo (por exemplo, a vida de um homem) é do 
começo ao fim um quadro de referência para todos os momentos e todos os 
eventos que ocorrem