Astrologia do Destino - Liz Greene
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Astrologia do Destino - Liz Greene


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fluxos de novas idéias e fluxos de novas visões religiosas. Plutão é, para mim, o 
símbolo da Parca dentro da alma humana, fazendo rufar os tambores dos ciclos 
históricos periódicos e anunciando o fim da expansão na esfera de um signo particular: 
o encerramento de um capítulo começado 248 anos antes. Ele assinala o término 
determinado e o advento do destino.
Ainda que cada pessoa esteja ligada ao destino de sua geração, ela encontra Plutão 
basicamente através de uma determinada casa do horóscopo e através dos aspectos 
desse planeta com relação aos planetas mais pessoais. Assim, a rígida lei da natureza 
nos confronta ao longo de domínios muito pessoais da vida e aparece como sendo 
"meu destino". Uma casa astrológica é como um palco no qual os atores representam. 
O fundo do cenário é habilmente pintado para representar "dinheiro", "lar", 
"amizades", "companheiros", "saúde", "filhos". Já comentei em algum lugar deste livro 
a respeito dos múltiplos significados das diversas casas, de modo que não vou 
descrevê-los aqui. Os cenários, dentro de um tema básico, podem assumir diferentes 
colorações. Contudo, é um pintor subjetivo que desenha essas telas de fundo que 
constituem as casas; elas, como a geografia do Hades, são, na verdade, paisagens 
interiores que projetamos sobre objetos exteriores. O modo subjetivo pelo qual 
percebemos o mundo exterior é colorido pelos signos e planetas que ocupam uma 
determinada casa astrológica, e cada pessoa possui uma visão distinta. Desse modo, 
com Plutão colocado numa dada casa do horóscopo, alguma esfera da vida torna-se o 
lugar em que se depara com a justiça eqüitativa associada com o pecado ancestral, 
sendo as limitações da natureza punidas congenitamente na pessoa por meio do que 
parece ser o "meu problema", "minha ferida incurável".
Encontrar Plutão na sétima casa, por exemplo, significa encontrar a Parca através de 
um parceiro, do "outro". As circunstâncias podem variar enormemente. O divórcio é 
comum, assim como os triângulos amorosos, as rejeições dolorosas, experiências de 
domínio e submissão dentro do relacionamento, sacrifício total da relação devido a 
convicções ou circunstâncias, morte do parceiro, confronto com a loucura de outrem, 
casamento com alguém que traz uma grande ou concreta carga emocional, problemas 
sexuais e conflitos de poder. Todas essas sanções são típicas de Plutão na sétima casa. 
As variações são enormes, mas o tema é um só: relacionamentos são o lugar onde se 
está sujeito a algo muito mais forte e inevitável do que as escolhas e vontade próprias.
Às vezes, a pessoa pode escolher trabalhar com outros que estão enredados na teia 
de Plutão, o que é uma outra forma de encontrá-lo na esfera dos relacionamentos. 
Nesse caso, encontramos o médico, o psicanalista, o psicólogo e, inclusive, o político, 
que tem de lidar com um mundo não menos louco do que aquele que o profissional 
médico seu correlato deverá enfrentar. Existe tanta compulsão na "escolha" dessas 
profissões quanto no mundo mais envolvente de uma
relação plutônica amorosa; no entanto, tem-se a ilusão de que se trata de um 
"trabalho".
O significado intrínseco a todas essas variações parece ser o mesmo: não há nada que 
se possa fazer, a não ser confiar no destino. É esse sentimento de impotência que parece 
impregnar cada encontro com Plutão, e aqui a impotência é experimentada com relação 
a outrem. Ou o parceiro impõe um destino sobre o qual a pessoa nada pode fazer, ou a 
própria pessoa se acha estruturada de certa maneira e não consegue, por mais que tente, 
alterar suas necessidades ou esquemas de relacionamento. Todos os encontros pessoais 
são turbulentos e, quanto mais profundo o encontro, menos controle sobre ele tem a 
pessoa. Assim sendo, as mudanças mais profundas ocorrem através desses encontros. 
Tenho constatado que muitas pessoas com Plutão na sétima casa desenvolvem o hábito 
de evitar um relacionamento profundo, a fim de que o destino não seja invocado e as 
emoções que pertencem ao domínio de Eresquigal não sejam liberadas. Tenho visto 
também muitas situações em que as emoções primordiais do inconsciente são projetadas 
no parceiro. No entanto, o destino não se deixará enganar, e parece surpreender a pessoa 
mais cedo ou mais tarde, por mais que ela lhe tente escapar. Essa é uma maneira 
bastante popular de vivenciar Plutão na sétima casa. É o parceiro quem é depravado, 
violento, traiçoeiro, dominador, castrador, voraz, inibidor, manipulador, cruel. Não 
precisa enfatizar a intensidade com que o próprio comportamento inconsciente da 
pessoa é capaz de atrair emoções tão primitivas, até mesmo do companheiro mais 
civilizado. Obviamente não é, na realidade, o outro quem é todas essas coisas, antes, 
porém, uma deidade, um poder primevo na vida que a gente percebe através do outro. É 
esse poder que nos força a aceitar o rosto incivilizado da natureza como um ingrediente 
necessário da experiência. E esse terrível outro alguém jamais entraria na vida da pessoa 
disfarçado de parceiro, amante, amigo ou "público" (pois essa é uma outra tela de fundo 
do palco que faz parte da sétima casa), se esse recôndito Outrem não habitasse em 
alguma parte do íntimo dela, não fosse o invisível feiticeiro e deflorador da sua alma. O 
parceiro pode ir embora, ser desleal, enganar, reprimir, morrer ou apresentar penosas e, 
muitas vezes, insuperáveis dificuldades. Mas é através desse parceiro que um poder 
arquetípico é encontrado. Estamos à vontade em todos os lugares, menos neste, onde 
nos deparamos com a Necessidade.
Não desejo aqui descrever as manifestações de Plutão no horóscopo casa por casa. 
Não é minha intenção fornecer um "receituário" para a interpretação desse planeta, 
antes, porém, focalizar a atenção sobre a sensação e o significado de Plutão de um 
modo mais genérico. O leitor, sem dúvida, poderá descobrir o restante por si mesmo. Os 
confrontos com o poder e a impotência, a perda e o desejo frustrado, e a cura virtual que 
advém da aceitação da Necessidade são características de Plutão em todas as casas. 
Algumas, como a sétima e a décima, tendem a nos apresentar pessoas e objetos, 
enquanto outras, como a oitava e a décima segunda, tendem a nos apresentar objetos e 
estados emocionais subjetivos \u2014 os atores .incorpóreos na peça. Seja como for, o 
encontro é o mesmo. A deusa Necessidade, cujo nome grego é Arranque e que 
encontramos na visão cósmica de Plutão, é uma outra imagem que vale a pena examinar 
no sentido de ampliar o significado astrológico de Plutão. No mito grego clássico, a 
Necessidade é sempre citada e vivenciada no que James Hillman chama de "modos 
patologizados".
Experiências patologizadas estão, freqüentemente, associadas com Ananque 
(Necessidade). . . Em essência, necessidade significa um vínculo fisicamente 
opressivo de servidão a um poder inevitável. Os relacionamentos familiares e os 
laços que mantemos em nossos mundos pessoais são modos pelos quais 
vivenciamos a força da necessidade. Nossas tentativas para nos livrarmos de 
obrigações pessoais são tentativas de escapar do círculo fechado de Ananque. 40
Uma qualidade de crônico e repetitivo sofrimento ou restrição, que retorna em 
círculos inúmeras vezes, exatamente quando a pessoa se acha livre deles, é algo que 
associo ao efeito de Plutão nas esferas da vida representadas pelas casas astrológicas. 
Não existe nunca solução, mas, ao contrário, um movimento em espiral que leva a 
pessoa cada vez mais para dentro de si mesma. Isso poderia também ser descrito como 
a sensação de estar acorrentado a alguma coisa, assim como Ananque, na visão de 
Platão, "acorrenta" ou submete os céus ao círculo, de acordo com