resposta a acusação MARIO SALAFRÁRIO
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resposta a acusação MARIO SALAFRÁRIO


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7º SEMESTRE 
ADVOGADOS 
ASSOCIADOS
AO JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA PENAL DA COMARCA DE PINDORAMA
NATUREZA: AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA, rito comum.
PROCESSO Nº: XXX.XXX.XXXX
AUTOR: MINISTÉRIO PÚBLICO
ACUSADO: MARIO SALAFRÁRIO
MARIO SALAFRÁRIO, já devidamente qualificado nos autos, vêm, respeitosamente, perante esse juízo, por intermédio de seu procurador devidamente constituído, apresentar tempestivamente, com fundamentação nos artigos 396, 396-A e 397, todos do Código de Processo Penal Brasileiro, sua
RESPOSTA A ACUSAÇÃO
em face da denúncia promovida pelo Ministério Público, o qual alega a suposta prática delituosa do crime de ROUBO MAJORADO PELO EMPREGO DE ARMA DE FOGO (Art. 157 § 2º-A, I, CP). Em que pese a convicção e eloquente atividade do consagrado Ministério, tal denúncia não merece prosperar pelos motivos de fato e de direito abaixo citados.
	
Pindorama, 01 de março de 2019
DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA
Antecipadamente à análise dos fatos, o réu, humildemente, requer a este juízo que lhe conceda todos os benefícios da gratuidade da justiça aplicáveis, com fulcro no artigo 804 do CPP.
DOS FATOS
Conforme narra a denúncia, no dia 02 de janeiro, a vítima foi abordada pelo réu portando uma arma de fogo, a qual a vítima não soube informar o tipo, embora se recordasse possuir cano curto. Posteriormente, o réu determinou que lhe fossem entregue o dinheiro que tinha na carteira.
A vítima entregou a ele R$ 50,00 (cinquenta) reais, que, subsequentemente, evadiu-se do local em posse do objeto do crime. Duas testemunhas, João Fofoqueiro e Maria Falamansa, que presenciaram o fato, observaram-no correr para dentro de um lote. Ao verem policiais, Marombado e Zulu, interceptaram-nos e comunicaram a ocorrência do ilícito. Também indicaram o local onde o querelado estava.
Os policiais abordaram o réu, que negou qualquer participação no crime. Embora os policiais não tenham conseguido êxito em localizar a arma utilizada, bem como o valor extraviado, a vítima reconheceu a pessoa detida como o autor da ação criminosa. As testemunhas confirmaram a versão apresentada pela vítima, embora tenham afirmado não conseguir precisar o que exatamente o réu tinha em suas mãos. 
Em sede de delegacia, o suspeito manifestou seu direito de permanecer em silêncio. Foi decretada sua prisão em flagrante e, posteriormente, houve conversão para prisão cautelar. 
É o resumo do necessário.
DO DIREITO
Palavra isolada da vítima
Inicialmente, cumpre ressaltar que o sistema processual penal pátrio adota a modalidade acusatória, onde se observa a necessidade da acusação formular todas as provas pertinentes no sentido de que se consiga o sentenciamento do acusado.
Percebe-se, destarte, ser incabível a mera indicação de provas genéricas no âmbito da persecução penal. O lastro probatório tendente a alcançar a condenação exige do acusador a materialidade de evidencias concretas para cercear o direito constitucional à liberdade daquele que tenha transgredido a norma incriminadora.
Nesse sentido, e analisando pormenorizadamente o caso concreto, ao Ministério Público competia a devida elaboração de todos os meios indicativos tendentes a sentenciar o réu, o que não ocorreu na construção da denúncia ora contestada. 
Em que pese o entendimento de que a palavra da vítima tem relevância nos crimes de roubo, não se pode atribuir, tão somente a esta, a capacidade de transgredir o direito fundamental à liberdade. Observa-se, contudo, que no caso em roga, a vítima reconheceu o réu alguns minutos após a consumação do crime, e isso nos permite refletir se, de fato, o que ela afirma possui força suficiente para uma condenação.
O roubo dispersa uma série de sentimentos explosivos nas vítimas: o medo, raiva e impotência são alguns dos exemplos dessa mescla fisiológica ao estar diante de uma ameaça real. Agregado a isso, há se se observar que, ao ter seu patrimônio violado, o que se predomina é o deseja de reaver a posse perdida de seu bem e, não raras as vezes, a vítima cria uma realidade para si que não condiz com os fatos verdadeiramente ocorridos, alterando, por exemplo, fisionomia e inclusive utensílios que o suposto autor estaria de posse.
O egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios \u2013 TJDFT \u2013 possui entendimento jurídico firmado no sentido de não ter a palavra da vítima força suficiente no que tange a condenação criminal, senão vejamos:
APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO. EMPREGO DE ARMA. CONCURDO DE PESSOAS. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. CONDENAÇÃO. PALAVRA DA VÍTIMA. ISOLADA. FRAGILIDADE. ABSOLVIÇÃO. Para lastrear um decreto condenatório é necessário acervo probatório firme e coeso, o qual não se forma apenas pela palavra da vítima, que não foi confirmada por qualquer outro elemento de prova, inobstante seja de relevância em crimes contra o patrimônio. A condenação exige juízo de certeza que, não firmado, deve dar lugar ao princípio in dubio pro reo para absolvição do agente. Apelação desprovida. TJDFT 2ª Vara Criminal \u2013 Processo 0013532-05.2010.8.07.0007 0013532-05.2010.8.07.0007
Observa-se aqui a hipossuficiência comprobatória que a mera imputação de crime possui em relação aos fatos ocorridos. O legislador sabiamente quis evitar impulsos ou mesmo vinganças por parte daqueles que, sem motivação aparente, decide iniciar persecução criminal contra outros.
Não se encontram revestidas no processo outros elementos de prova que se harmonizam com a delação da vítima para a efetivação da prisão do réu. É notório que este não foi encontrado com o objeto do crime, ora sendo a quantia certa de R$ 50,00 (cinquenta reais), bem como a mencionada arma do crime.
Da fragilidade testemunhal
Em que pese a existência de testemunhas no caso relatado, a versão do fato descritas por estas não está dotada de total credibilidade pelos motivos a que a seguir se expõe.
Embora seja incontroverso terem as testemunhas presenciado o fato, não o fizeram de forma direta vez que estavam distantes da vítima e autor no desenvolver da ação criminosa.
Elas avistaram a execução do roubo e a posterior fuga do autor em direção ao lote. No entanto, em nenhum momento descreveram pormenorizadamente as características reais do autor aos policiais, seja no momento do flagrante ou mesmo em sede policial. 
O que se observa é que a participação das testemunhas na captura do réu se limitou apenas a indicação do local onde viram, pela última vez, o suposto autor do crime, sem ponderar se haviam outras pessoas naquele mesmo local.
A prova testemunha no âmbito penal, quando existe, deve ser coesa e firme ao detalhar os moldes da atividade criminal a que as testemunhas tenham verdadeiramente presenciado. É nesse sentido que decidiu o TJMG ao proferir a seguinte sentença:
APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO MAJORADO - ACERVO DE PROVAS INSUFICIENTE - FRAGILIDADE DE INFORMAÇÕES NO DEPOIMENTO DA VÍTIMA E TESTEMUNHAS - IN DUBIO PRO REO - ABSOLVIÇÃO - NECESSIDADE.1 - Não obstante a palavra da vítima ocupe substancial valoração no contexto probatório em delitos patrimoniais, encontrando-se tais dizeres desprovidos de informações aptas a precisar o envolvimento do agente no crime, aliado aos frágeis depoimentos das testemunhas, referido acervo probatório não possui autonomia para motivar uma sentença condenatória, já que no Direito Penal não se trabalha com presunções ou conjecturas, mas somente com o juízo da certeza.2 - Quando a Ação Penal reúne provas que geram dúvidas, outro caminho não há senão avocar o princípio do in dubio pro reo, onde a absolvição é a certeira prestação jurisdicional aplicável ao caso.
Dessa forma, embora o emaranhado descritivo tanto das testemunhas quanto da vítima façam presumir que o autor da conduta delitiva seja o réu, o que se verifica, em verdade, é que as testemunhas não viram, de fato, as características do acusado, tampouco se este portava uma arma.
Assim, resta incontroverso a existência de conflito entre as provas verbais, o que enseja, desde já, a sentença