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Os mistérios de Atlântida

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cem nereidas montadas em delfins, pois naquele tempo pensavam que era esse o número
de nereidas. No interior do templo havia também outras imagens, doadas por particulares. E
em volta do templo, do lado de fora, havia estátuas de ouro dos dez reis e de suas mulheres; e
havia muitas outra grandes ofertas, tanto dos reis como de cidadãos, vindas da própria cidade
e de cidades estrangeiras sobre as quais tinham domínio. Havia também um altar que, em
tamanho e ornamentação, correspondia ao restante, e havia palácios construídos da mesma
maneira, dignos da grandeza do reino e da glória do templo.
"Além disso usavam fontes de água fria e quente; essas nascentes eram abundantes, e os
dois tipos de água serviam maravilhosamente para o consumo devido à sua qualidade
excelente. Faziam construções em torno das nascentes e plantavam árvores adequadas; também
possuíam cisternas, algumas abertas e outras cobertas, para serem usadas para banhos quentes
no inverno. Havia o banheiro dos reis e os banheiros particulares, que eram separados, e
também banheiros especiais para as mulheres, e outros ainda para os cavalos e o gado e que
eram adequadamente ornamentados. A água que escorria era conduzida em parte para a gruta
de Poseidon, onde cresciam todos os tipos de altas e lindas árvores, devido à excelência do
solo; a que sobrava era levada por aquedutos que passavam por cima das pontes para os
círculos externos; e havia muitos templos construídos e dedicados a muitos deuses; também
jardins e locais para exercícios, alguns para os homens e outros, separados, para os cavalos,
em ambas as ilhas formadas pelas zonas; e no centro da maior das duas havia uma pista de
corridas de uma estádia de largura e que se estendia em comprimento por toda a volta da ilha,
para corridas de cavalos. Havia também casas de guarda em intervalos regulares, para o
corpo de guarda; alguns soldados trabalhavam na zona menos importante, que era perto da
Acrópole; os de maior confiança recebiam casas dentro da cidadela e protegiam os reis. Os
cais eram cheios de trirremes e de depósitos navais, e tudo estava sempre pronto para ser
usado. Chega de falar no plano do palácio real. Atravessando as baías de fora, que eram em
número de três, chegava-se a um muro que começava no mar e dava a volta: distava, em todos
os pontos, de cinqüenta estádias da baía e da zona maior, circundando o conjunto e terminando
na saída do canal em direção ao mar. Toda a área era densamente coberta de habitações e o
canal e a maior das baías eram cheios de navios e de mercadores que vinham de todas as
partes e que, devido ao grande número, faziam dia e noite um alarido contínuo de vozes
humanas e diversos barulhos. Repeti suas descrições da cidade e sobre o antigo palácio quase
com as mesmas palavras que usou para me contar, e agora devo descrever a natureza e a
organização do resto do país. O país todo foi descrito como sendo muito elevado e íngreme
junto ao mar, porém as terras que ficavam em torno da cidade formavam uma planície
circundada por montanhas que desciam em direção ao mar; era uma planície lisa e nivelada,
de formato alongado, estendendo-se três mil estádias em uma direção e medindo, do mar até o
centro da ilha, duas mil estádias; toda a região da ilha fica em direção ao sul e é abrigada ao
norte. Drópidas exaltou as montanhas circundantes por sua quantidade, tamanho e beleza,
qualidades pelas quais excediam tudo o que possa ser visto hoje em dia em qualquer lugar;
nessas montanhas havia também muitas aldeias ricas e povoadas, rios e lagos, e prados que
forneciam alimento suficiente para todos os animais, selvagens ou domésticos, e madeira de
várias espécies, em abundância, para todos os tipos de trabalho. Agora descreverei a planície,
que fora cultivada durante muitas eras por muitas gerações de reis. Era retangular e, em sua
maior parte, reta e alongada, e o que não era em linha reta seguia a linha do fosso circular. A
profundidade, largura e comprimento desse fosso era incrível, dando a impressão de que uma
obra dessas, além de tantas outras, dificilmente poderia ter sido feita pela mão do homem.
Mas preciso repetir o que me foi dito. Era escavado numa profundidade de cem pés e tinha
uma estádia de largura; dava a volta em toda a planície e tinha dez mil estádias de
comprimento. Recebia os riachos que desciam das montanhas, rodeava a planície tocando a
cidade em diversos pontos, para depois dirigir-se ao mar. Na planície havia canais retos, de
cem pés de largura, que eram ligados ao fosso que ia para o mar; entre esses canais havia um
intervalo de cem estádias e através deles a madeira era trazida das montanhas para a cidade, e
também os frutos da terra seguiam para a cidade em navios que usavam passagens transversais
para irem de um canal a outro. Duas vezes por ano colhiam os frutos da terra — aproveitando
a chuva, no inverno, e usando a água dos canais no verão. Quanto à população, cada lote da
planície tinha um chefe nomeado para dirigir os homens aptos para o serviço militar, e o
tamanho de cada lote era um quadrado de dez estádias de lado e o número total de lotes era de
sessenta mil.
"Quanto aos habitantes das montanhas e do resto do país, havia também uma multitude que
possuía líderes a quem obedeciam, dependendo da localização de suas casas e aldeias. Em
tempo de guerra o líder tinha que fornecer a sexta parte dos carros de guerra, para que
houvesse um total de dez mil carros; também dois cavalos com cavaleiros montados, e um
carro leve, sem assento, acompanhado por um guerreiro a pé carregando um pequeno escudo e
um auriga montado para dirigir os cavalos; era também obrigado a fornecer dois
arremessadores, dois lançadores de pedras e três homens com dardos, que eram lutadores de
escaramuças, e quatro marinheiros para complementar a tripulação de mil e duzentos navios.
Era assim a ordem da guerra na cidade real — as dos outros nove governos eram todas
diferentes entre si e seria cansativo descrevê-las. Quanto aos cargos e honrarias, era a
seguinte a organização básica: cada um dos dez reis, em sua própria divisão e em sua cidade,
tinha o controle absoluto de todos os cidadãos e muitas vezes das leis, punindo ou matando
quem bem desejasse.
"Quanto às relações entre os governos, eram reguladas pelas injunções de Poseidon
segundo a lei que lhes tinha sido entregue. Essas leis foram gravadas pelos primeiros homens
numa coluna de oricalco que ficava situada no meio da ilha, no templo de Poseidon, onde o
povo se reunia a cada cinco ou seis anos, alternadamente, honrando portanto igualmente o
número ímpar e o número par. E quando estavam reunidos discutiam os assuntos públicos,
indagavam se alguém havia cometido alguma transgressão e julgavam o culpado de acordo —
e antes de julgá-lo davam-se em penhor um ao outro da seguinte maneira: havia touros que
eram designados para o templo de Poseidon; e quando os dez eram deixados a sós, após terem
orado pedindo aos deuses que aceitassem os sacrifícios que lhes fossem agradáveis,
perseguiam os touros desarmados, usando apenas cordas e paus; e quando agarravam um touro
levavam-no para a coluna; e golpeavam-lhe a cabeça e matavam-no junto à inscrição sagrada.
Bem, estava gravado na coluna, além das leis, um voto invocando terríveis pragas sobre quem
desobedecesse. Quando, portanto, depois de oferecerem os sacrifícios de acordo com o
costume, haviam queimado as pernas do touro, preparavam uma taça e nela colocavam um
coágulo de sangue para cada um; levavam o resto do animal para o fogo depois de terem feito
uma purificação em torno de toda a coluna. Em seguida bebiam o líquido da taça em
recipientes de ouro e, brindando ao fogo, juravam que haviam de julgar de acordo com as leis
da coluna e que puniriam todo aquele que as houvesse transgredido e que no futuro não
transgrediriam qualquer das inscrições e não ordenariam nem obedeceriam a ninguém que os
mandasse agir de maneira que não fosse conforme às leis