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Artigo de opinião Quem cala, consente

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Quem cala, consente
Desde muito tempo ouve-se o ditado: “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Este ditado assim como muitos outros são consequências de um sistema que corrói a sociedade brasileira desde sua existência e as vítimas dessa estrutura são as mulheres, que por muitos anos estiveram como pano de fundo da história. Inaceitavelmente, a dominação masculina está escancarada em todo o canto, sendo na mídia pelos filmes, novelas e noticiários ou sendo no cotidiano, vemos diversas maneiras que os homens utilizam para justificar o que alguém, um dia, classificou como “coisa de macho”. Através disso, as mulheres se tornam o alvo de um mecanismo de opressão e notícias do tipo “mulher foi morta por marido” é ouvida a todo tempo.
A relação de poder entre homens e mulheres é mais explícita nos namoros, casamentos e também amizades. Existem jogos de poder nos relacionamentos, onde homens insistem em estar por cima, sempre no comando. Pode-se observar tais atitudes no filme Eu não sou um homem fácil, que mostra um universo paralelo no qual mulheres são o sexo forte, mulheres que tomam todas as atitudes de abrir a porta do carro, de segurar a bolsa por estar pesada, de fazer o pedido de casamento e até mesmo o sexo, é dominado pelas mulheres. O interessante é observar a desconstrução de valores no filme, estamos tão acostumados a ver diariamente atitudes machistas da sociedade, a ver mulheres serem assediadas, ver mulheres serem humilhadas, desvalorizadas e mortas, mas ao ver o inverso acontecendo, isso choca, e percebemos o tamanho da crueldade a qual as mulheres são submetidas. Esse filme faz os homens sentirem na pela essa crueldade, talvez através desse método será possível ver mudanças significativas, ver uma desnaturalização do machismo.
Por conta desta supremacia dos homens, a violência contra mulher entra em cena na justificativa desse poder, mas é algo que não pode ser consentido. A taxa de feminicídio no Brasil cresce exponencialmente, isso significa dizer que uma mulher é morta a cada 2 horas no país. No mês de julho deste ano, presenciamos uma verdadeira desgraça, a morte da advogada Tatiane Spitzner, de 29 anos, pelo seu marido, que a jogou da sacada do 4º andar do prédio onde moravam. O que mais causou indignação neste caso, foram os vizinhos. Enquanto muitos moradores reclamam constantemente de barulhos como de criança chorando, obras, latido de cachorro, música e etc, o grito de uma mulher é ignorado. A vítima a todo momento gritava e pedia socorro e em um prédio com vários moradores, ninguém fez nada. Um absurdo e um descaso total com o sofrimento de uma mulher. Mas afinal é “supernormal” uma mulher ser espancada pelo companheiro, “é coisa de macho”, “o marido deve corrigir sua esposa”. É preciso haver respeito a vida, principalmente, respeito a vida de uma mulher.
Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Está na hora desse ditado mudar, está na hora de meter a colher sim! A mudança precisa acontecer na estrutura da sociedade, é preciso que grandes forças como a mídia e a justiça se unam e juntas elaborem estratégias para atingir a população como incentivo à denúncia, anunciar e tornar de conhecimento geral, os locais de atendimento à mulher, é preciso ensinar a igualdade desde cedo para as crianças, é preciso confrontar o machismo.
 Até quando iremos aceitar? Mulheres, até quando irão ficar caladas vendo outras serem espancadas? Você pode fazer alguma coisa, você pode mudar a vida de uma mulher, o que não pode é se calar, pois, quem cala, consente.

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