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RESUMO GERAL DE DIREITO CIVIL   MARIO GODOY

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CURSO ISOLADO DE DIREITO CIVIL – AULA 1 
 
Professor: Mario Godoy 
 
Tema: Personalidade e capacidade civil 
 
 
1. Conceito de personalidade. 
 
É a aptidão de ser titular de direitos e deveres. Todo homem a possui. 
 
2. Início e fim da personalidade. 
 
O início da personalidade se dá com o nascimento com vida (teoria natalista). E 
seu fim, com a morte. 
 
Entretanto, nos termos do art. 2º do CC, a lei põe a salvo, desde a concepção, os 
direitos do nascituro. Trata-se, na verdade, de direitos expectativos, que têm seu 
aperfeiçoamento condicionado ao nascimento com vida. 
 
3. Ausência. 
 
Ausente é a pessoa que desaparece do seu domicílio sem dela haver notícia, e sem 
que haja deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens. 
 
O processo de sucessão por ausência desdobra-se em três etapas. 
 
1) Curadoria provisória. Visa declarar o estado de ausência, ordenar a 
arrecadação dos bens do ausente e nomear um curador para administrá-los; 
 
2) Sucessão provisória. O prazo para sua abertura é de pelo menos 1 ano a contar 
da arrecadação, e tem por objetivo declarar o estado de ausência, autorizar o inventário 
e partilha dos bens e transferi-los à posse dos herdeiros; 
 
3) Sucessão definitiva. A ser aberta no prazo de 10 anos após o trânsito em julgado 
da sentença de sucessão provisória. Gera o reconhecimento judicial da morte presumida 
e a transferência da propriedade dos bens aos herdeiros. 
 
Casos de declaração de morte presumida que dispensam a prévia decretação de 
ausência (CC, art. 7º): 
 
a) se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; ou 
 
b) se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado 
até dois anos após o término da guerra. 
 
 
 
 
 
4. Comoriêcia. 
 
Têm-se por comorientes as pessoas que falecem na mesma ocasião, sem que se 
possa averiguar qual delas precedeu às demais. Consoante o art. 8º do CC, os 
comorientes presumem-se simultaneamente mortos. 
 
5. Capacidade civil. 
 
A capacidade pode ser de direito, representando a aptidão de ser titular de direitos 
e deveres, e de fato, que se relaciona à aptidão de exercer pessoalmente os direitos e 
deveres na ordem civil. 
 
Todas as pessoas possuem capacidade de direito, mas nem todas possuem 
capacidade de fato. 
 
6. Incapacidade absoluta e relativa. 
 
A incapacidade significa uma restrição legal à capacidade de fato. Enquanto os 
absolutamente incapazes agem representados, por não poderem exprimir sua vontade, os 
relativamente incapazes agem assistidos, ou seja, acompanhados da pessoa do 
assistente. 
 
Consideram-se representantes e assistentes dos incapazes os seus pais, tutores e 
curadores. 
 
São portadores de incapacidade absoluta os menores de 16 anos (CC, art. 3º): 
 
São portadores de incapacidade relativa (CC, art. 4º): 
 
a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos; 
 
b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; 
 
c) Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua 
vontade; 
 
d) Os pródigos. 
 
Cabe, afinal, destacar, que, nos termos do art. 84 do Estatuto da Pessoa com 
Deficiência (Lei 13.146/15), aqueles que sofrem de deficiência mental têm assegurado o 
direito ao pleno exercício de sua capacidade civil em igualdade de condições com os 
demais. 
 
7. Emancipação. 
 
Consiste na antecipação da capacidade civil plena. Verifica-se nas hipóteses 
previstas no art. 5º, parágrafo único, do CC: 
 
a) Pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento 
público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o 
tutor, se o menor tiver 16 anos completos; 
 
b) Pelo casamento; 
 
c) Pelo exercício de emprego público efetivo; 
 
d) Pela colação de grau em curso de ensino superior; 
 
e) Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de 
emprego, desde que, em função deles, o menor com 16 anos completos tenha economia 
própria. 
 
 
CURSO ISOLADO DE DIREITO CIVIL – AULA 2 
 
Professor: Mario Godoy 
 
Tema: Direitos da personalidade 
 
 
1. Conceito e características. 
 
Direitos da personalidade são direitos que integram a condição essencial da 
pessoa. Apresentam as seguintes características: 
 
a) Irrenunciabilidade; 
 
b) Intransmissibilidade; 
 
c) Extrapatrimonialidade; 
 
d) Imprescritibilidade; 
 
e) Impenhorabilidade. 
 
2. Tutela. 
 
Nos termos do art. 12 do CC, a tutela dos direitos da personalidade pode ser 
repressiva quando já houve o dano, ou preventiva, pressupondo a iminência de lesão a 
um bem juridicamente protegido. 
 
3. Atos de disposição do próprio corpo. 
 
Consoante o art. 13 do CC, os atos de disposição corpórea são defesos em dois 
casos: 
 
a) Quando implicarem diminuição permanente da integridade física; ou 
 
b) Quando contrariarem os bons costumes. 
 
Exceção: quando se fizer presente exigência de ordem médica. 
 
3. Tratamento médico. 
 
Art. 15 do CC. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, 
a tratamento médico ou intervenção cirúrgica. 
 
4. Nome. 
 
Todas as pessoas são identificadas por um nome, sendo este composto pelo 
prenome, que pode ser qualquer um desde que não exponha o portador ao ridículo, e 
pelo patronímico, sendo este o sinal identificador da pessoa, indicando sua progênie. 
 
E nos termos do art. 19 do CC, o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza 
da proteção que se dá ao nome. 
 
5. Palavra e imagem. 
 
Consoante o art. 20 do CC, a utilização ou a exposição da imagem ou palavra de 
uma pessoa pode ser proibida em dois casos: 
 
a) Quando implicar ofensa à reputação; ou 
 
b) Quando se destinar a fins comerciais. 
 
Exceções que tornam justificável o uso da palavra e imagem: 
 
a) Autorização do titular; 
 
b) Interesse da administração da justiça; ou 
 
c) Manutenção da ordem pública. 
 
6. Privacidade 
 
Art. 21 do CC. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a 
requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer 
cessar ato contrário a essa norma. 
 
 
 
CURSO ISOLADO DE DIREITO CIVIL – AULA 3 
 
Professor: Mario Godoy 
 
Tema: Pessoas jurídicas 
 
 
1. Conceito. 
 
Pessoas jurídicas são entidades para as quais a lei reconhece personalidade civil. 
Gozam de autonomia em face de seus instituidores. 
 
2. Classificação. 
 
Quanto à estrutura, podem ser: 
 
a) Universitas personarum. Formadas a partir da reunião de duas ou mais pessoas. 
Exemplos: sociedades e associações; 
 
b) Universitas bonorum. Constituídas em torno de um patrimônio destinado a um 
fim. Exemplo: fundações. 
 
Quanto à atuação, classificam-se em: 
 
a) Pessoas jurídicas de direito público externo. Correspondem a entidades 
públicas reconhecidas internacionalmente. Exemplos: ONU, OIT, República Federativa 
do Brasil, etc.; 
 
b) Pessoas jurídicas de direito público interno. Traduzem entes públicos 
reconhecidos no plano interno do País. Exemplos: União, Estados, Municípios, 
autarquias, fundações públicas, agências reguladoras etc.; 
 
c) Pessoas jurídicas de direito privado. Não integram a esfera pública. Exemplos: 
sociedades, associações, fundações, partidos políticos, organizações religiosas, 
empresas individuais de responsabilidade limitada, etc. 
 
 3. Constituição. 
 
Constituem-se as pessoas jurídicas a partir