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Anotações - Direito Civil - 01 de 09

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DIREITO CIVIL – PONTO 01 
 
 
Lei de Introdução ao Código Civil. Pessoas naturais: Personalidade e capacidade. Direitos da 
personalidade. Morte presumida. Ausência. Tutela. Curatela. Pessoas jurídicas: Conceito. 
Classificação. Registro. Administração. Desconsideração da personalidade jurídica. Associações. 
Fundações. 
 
DE MARIA JÚLIA FERREIRA CÉSAR – GRUPO DE ESTUDOS PROCURADOR DO DF 
+ TEXTO GRUPOS TRF5 
ATUALIZADO EM 09/2010 POR RODRIGO PESSOA PEREIRA DA SILVA 
RESUMO ATUALIZADO POR RICARDO LEITÃO - DIA 19.08.2012 
 
LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL 
 
I – NOÇÕES GERAIS 
 
A LICC, atual LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (Lei 12376/2010) é 
uma regra de Superdireito ou sobredireito (E. ZITELMANN utiliza o termo, que é assimilado pelo direito 
hermenêutico). Ou seja, são normas que definem a aplicação de outras normas. É o Estatuto do Direito 
Internacional Privado (conjunto de normas internas de um país, instituídas especialmente para definir se a 
determinado caso se aplicará a lei local ou a lei de um Estado estrangeiro). 
 
As principais funções da Lei são: a) determinar o inicio da obrigatoriedade das leis (art 1º) ; b) regular a 
vigência e eficácia das normas jurídicas (art 1º e 2º); c) impor a eficácia geral e abstrata da obrigatoriedade, 
inadmitindo a ignorância da lei vigente (art.3º); d) traçar os mecanismos de integração da norma legal, para a 
hipótese de lacuna na norma (art.4º); e) delimitar os critério de hermenêutica, de interpretação da lei (art.5º); 
f) regulamentar o direito intertemporal (art.6º); g) regulamentar o direito internacional privado no Brasil (art. 
7º a 17), abarcando normas relacionadas à pessoa e à família (art.7º e 11), aos bens (art 8º), às obrigações 
(artigo 9º), à sucessão (art.10), à competência da autoridade judiciária brasileira (art. 12), à prova dos fatos 
ocorridos em pais estrangeiro (art.13), à prova da legislação de outros países (art. 14), à execução da 
sentença proferida por juiz estrangeiro (art. 15) à proibição do retorno (art. 16), aos limites da aplicação da 
lei e atos jurídica de outro pais no Brasil (art. 17) e, finalmente, aos atos civis praticados por autoridade 
consulares brasileiras praticados no estrangeiro (art. 18 e 19) (CRISTIANO CHAVES – TEORIA GERAL 
– 7º EDICAO) 
 
II – VALIDADE, VIGÊNCIA, VIGOR E EFICÁCIA DAS NORMAS JURÍDICAS 
 
A VALIDADE do ato diz respeito a eficiência com que o seu suporte fático foi preenchido. Se 
houver preenchimento da hipótese de incidência de maneira deficiente surgira defeito que pode autorizar a 
nulificação do ato: destruição de um ato jurídico em razão de um seu defeito. (Pontes de Miranda). 
 
 
 
 
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A validade pode ser analisada sob um aspecto: 
 
a) formal (observância das normas referentes ao processo de criação da lei, exemplo: artigo 60, §§ 1º e 2º 
CF); ou 
b) material (verificação da matéria passível da codificação está sendo observada, exemplos: artigos 21 a 24, 
CF/88, artigos que estabelecem as matérias que podem ser objeto de regulação e por quem). 
 
 A VIGÊNCIA é critério puramente temporal da norma, vai desde o início até a perda de sua 
validade. Nesse aspecto, não há que fazer qualquer relação com outra norma. 
 
 A EFICÁCIA refere-se à possibilidade de produção concreta de efeitos. A eficácia pode ser 
classificada pela ineficácia. Por sua vez, pode ser: 
 
a) social (não se confunde com sua efetiva observância,) e 
b) técnica (a possibilidade de produção de efeitos em concreto, EXEMPLO: artigo 7º, I, CF/88, proteção 
contra a despedida arbitrária que deve ser regulada por Lei Complementar, a eficácia técnica está 
comprometida) 
 
 
 O VIGOR está relacionado à realização efetiva e concreta da norma, está relacionado com o conceito 
da ULTRATIVIDADE, ou seja, uma norma que não está mais vigente, mas continua a reger todas as 
relações jurídicas consolidadas em sua vigência. EXEMPLO: alguns artigos do CC/16 . 
 
III – APLICAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS 
 
 Na aplicação das normas jurídicas o operador depara-se com as seguintes atividades: a 
INTERPRETAÇÃO e a INTEGRAÇÃO. 
 
 
– INTERPRETAÇÃO 
A finalidade interpretativa da norma é: a) revelar o sentido da norma e b) fixar o seu alcance. São métodos 
de interpretação (não são excludentes e nem exclusivas entre si) das normas (Caio Mário fala em 
interpretação quanto aos elementos das normas jurídicas): 
 
1. Literal ou gramatical – o exame de cada termo isolada e sintaticamente, na maioria das vezes, não é o 
melhor método; isoladamente nunca satisfaz. 
2. Lógico – utilização de raciocínios lógicos indutivos ou dedutivos. 
3. Sistemático – análise a partir do ordenamento jurídico no qual a norma se insere, a norma não será 
verificada isoladamente, será relacionada com o ordenamento jurídico. 
4. Histórico – verificação dos antecedentes históricos, verificando as circunstâncias fáticas e jurídicas, até 
mesmo o processo legislativo. Caio Mário afirma que esse método não existe, o que há é o elemento 
histórico invocado para coadjuvar o trabalho do intérprete. 
5. Finalístico ou teleológico – análise da norma tomando como parâmetro a sua finalidade declarada, 
adaptando-a às novas exigências sociais; não se analisam somente os aspectos históricos, mas também a 
própria finalidade. 
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Quanto mais métodos forem aplicados, no exercício da interpretação, melhor resultado será obtido pelo 
intérprete. 
 
• Quanto à origem ou quanto ao intérprete: 
1. Doutrinária 
2. Jurisprudencial – resulta do exercício da função jurisdicional 
3. Autêntica ou pública – a lei interpretativa é considerada como a própria lei interpretada, estando assim, 
também sujeita a processo interpretativo (CAIO MÁRIO). A lei interpretativa tem que ter a mesma 
hierarquia da lei interpetrada. 
 
• Quanto aos resultados do alcance eficacial: 
1. Declarativa 
2. Extensiva 
3. Restritiva 
4. Ab-rogante 
 
Não há hierarquia em relação aos critérios acima, e um não exclui o outro 
 
A interpretação judicial, sempre com fundamento no dispositivo acima, busca também atualizar o 
entendimento da lei, dando-lhe uma interpretação atual que atenda aos reclamos das necessidades do 
momento histórico em que está sendo aplicada. 
 
 
– INTEGRAÇÃO 
 
Quando inexiste lei a ser aplicada diretamente ao caso, deve o magistrado se valer de outras fontes do 
Direito para encontrar a regra que efetivamente deve disciplinar à relação jurídica sujeita à sua apreciação, 
ou seja, para aplicar o Direito (grande desafio do operador do direito). A LICC permite a integração na 
hipótese de lacunas (falta de previsão legal sobre uma matéria), nos termos do artigo 4º (REGRA DE OURO 
para a integração das leis): 
 
Artigo 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os 
costumes e os princípios gerais de direito. 
 
Essas são as fontes supletivas do direito, juntamente, com a DOUTRINA, a JURISPRUDÊNCIA e a 
EQÜIDADE, que são também métodos de integração da norma jurídica. 
 
A interpretação pode ocorrer sempre, mesmo que a lei seja clara (isso é um dogma). Já a integração depende 
da existência de lacunas, que, por sua vez, podem ser: 
 
a. AUTÊNTICAS (PRÓPRIAS) – ocorrem quando o legislador não identificou uma hipótese 
b. NÃO-AUTÊNTICAS (IMPRÓPRIAS) – o legislador previu, mas preferiu não tratar sobre o assunto. 
EXEMPLO: cabimento de embargos de declaração contra decisão interlocutória. 
 
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“SILÊNCIO ELOQÜENTE” – o legislador quis excluir a possibilidade, é a possibilidade de se restringir a 
aplicação da lei com base na LACUNA NÃO-AUTÊNCIA. Exemplo: competência constitucional da Justiça 
Federal não pode ser ampliada pelo legislador, sob a alegação de tratar-se de lacuna. Trata-se de rol taxativo 
(numerus clausus).