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Sarampo

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1 Doenças Exantematosas – Pediatria 2 
Nicolle Moraes Nunes 
“Eu nunca pensei que veria sarampo de novo. Contudo, estamos vendo muitos casos de sarampo recentemente. Uma 
das principais causas é a questão socioeconômica, e outra é um grupo ideológico antivacinas que acredita que 
vacinas causem autismo. Esse grupo antivacinação é a coisa mais absurda que já ouvi falar, não tem nada a ver! 
Voltamos a falar de Sarampo porque já tivemos dois casos no RJ, casos em SP, e em Roraima, e isso pode se alastrar. 
Então, é muito grave!” 
Epidemiologia 
O sarampo é uma doença endêmica entre diversos continentes. Principalmente em países desenvolvidos como EUA, 
Alemanha, e outros seguimentos da Europa, estão surgindo casos de sarampo. Contudo, na Europa esses casos não 
estão relacionados com a questão social, mas com uma questão intelectual de grupos antivacina. “Essa geração 
antivacina provavelmente tem esse pensamento porque não viu a geração que morreu de sarampo. Esses grupos 
antivacinas não entendem que se eles não viram mortes por doenças que hoje são prevenidas é justamente porque 
existem as vacinas!” 
 Primeiros 5 meses de 2018 no mundo: 
- 128 mil casos suspeitos; 
- 81 mil casos confirmados na Europa- Principalmente em adolescentes e adultos jovens. 
- A queda da taxa de cobertura vacinação é o principal fator disso. 
Na Europa e EUA, a questão dos grupos antivacinas é o que tem causado essa queda na taxa de cobertura vacinal, 
enquanto na Venezuela é uma questão muito mais social. 
 Venezuela - surto de sarampo desde julho de 2017: 
- Atual situação sociopolítica e econômica do país; 
- O intenso movimento migratório contribuiu para a propagação do vírus para outras áreas geográficas. 
A Venezuela está em surto de Sarampo desde 2017 porque não tem dinheiro o suficiente para vacinar os indivíduos. 
Esse surto na Venezuela é uma das coisas que contribuiu para as taxas de infecção no Brasil. Então, uma questão 
socioeconômica na Venezuela cria propagação para outras áreas geográficas, principalmente países vizinhos (como o 
Brasil). 
 Região das Américas - Declarada livre de Sarampo em 2016. 
A região das Américas estava declarada livre de sarampo até a ocorrência desse surto na Venezuela. O sarampo 
tinha sido considerado erradicado pela vacina desde 2016. Então, é um retrocesso absurdo! 
Nos primeiros meses de 2018 houveram 1.864 casos de sarampo em 11 países. Dentre esses 1.864 casos, 1.427 
deles foram na Venezuela. 
Brasil 
 O Brasil enfrenta um surto de sarampo desde fevereiro de 2018. 
Antigamente, o Brasil tinha casos isolados de sarampo. Os poucos casos que aconteciam estavam relacionados com 
crianças sem cobertura vacinal (seja pela faixa etária, ou não). Essas crianças viajavam para áreas endêmicas, e 
alguns dias depois da volta ao país começavam a apresentar os sintomas. Devido ao período de incubação da doença 
a criança só desenvolvia os sintomas depois que já tinha voltado de viagem. Isso dava a impressão de que a doença 
tinha sido contraída aqui; contudo, ela tinha sido contraída em outro lugar e só se manifestava aqui. Hoje, por outro 
lado, com esse surto de sarampo as crianças estão realmente sendo infectadas no Brasil. 
 Genótipo D8- Circulante na Venezuela desde 2017. (É o mesmo circulante no Amazonas e Roraima). 
“É importante saber disso para não dizer que é um complô contra a Venezuela!” Esse genótipo que estava na 
Venezuela é o mesmo que está agora no Amazonas, em Roraima. Isso não é uma coincidência, isso esclarece que é o 
genótipo que estava na Venezuela que está causando as infecções em Roraima. 
“É o mesmo genótipo! É só fazer o rastreamento do RNA que você vai ver que o Sarampo de lá é o mesmo que está aqui!” 
 
 
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Nicolle Moraes Nunes 
 Até julho de 2018 foram detectados 3.000 casos suspeitos, e dentre esses 526 foram confirmados. 
 Atenção! Não é porque temos apenas 526 casos confirmados que os outros 2.474 sejam negativos. Esses 2.474 
casos podem não ser positivos porque não houve acesso ao exame, não teve a janela de tempo adequada, ou 
porquê não foi feita a sorologia. Então o caso pode ter ficado apenas como suspeito porque não houve confirmação 
através de sorologia. Ou seja, os casos confirmados provavelmente estão subnotificados; provavelmente os casos 
positivos são muito maiores. 
 Dentre casos confirmados, 317 estão no Amazonas (bem próximos à Venezuela, o que não é uma 
coincidência). 
 No Rio de Janeiro houveram 2 casos. 
 Houveram 3 mortes por sarampo. (Onde?) 
Faixa etária 
 Faixa etária mais acometida: Dos 6 meses aos 4 anos. 
O acometimento de crianças com 6 meses provavelmente ocorre porque pela faixa etária ela ainda não foi vacinada 
com a tríplice viral. A primeira dose da vacina tríplice viral (SCR- Sarampo, Caxumba e Rubéola) só é feita aos 12 
meses de vida. 
Observação: A vacina tríplice viral pode ser representada por MMR ou SCR. 
Etiologia 
 Agente etiológico: Paramyxovirus (Família paramyxoviridae, gênero Morbillivirus). 
 O sarampo é uma doença viral aguda de ALTA TRANSMISSIBILIDADE. 
Só para vocês terem uma ideia: De cada 10 contactantes com 1 pessoa infectada, 9 vão ter sarampo. A transmissão é 
altíssima. “Se eu tiver com sarampo e tiverem 10 pessoas aqui, 9 delas vão desenvolver a doença se não estiverem 
com a cobertura vacinal adequada!”. 
Dúvida de aluno: Professor, a infecção por sarampo também pode ser assintomática? R: Não. Sarampo não pode ser 
assintomático. Os sintomas vão variar conforme os graus de gravidade, mas assintomático no sarampo não. Em 
outras doenças exantemáticas você pode ter a infecção e não desenvolver a doença (não desenvolver sinais e 
sintomas clínicos), mas sarampo não. Aliás, na medicina nunca é 100% de certeza, mas em 99,9% dos casos não vai 
haver sarampo assintomático. 
Dúvida de aluno: Professor, na vacina para sarampo a cobertura é específica para um tipo de vírus só? Se eu estou 
vacinado estou vacinado para esse vírus, e não existe outros tipos de vírus que possam me infectar com sarampo? 
R: A vacina diminui a probabilidade da população se infectar, mas não impede que a infecção aconteça. Então, 
algumas das pessoas vacinadas vão se infectar. Contudo, nessas pessoas vacinadas que se infectaram a vacina tem a 
função de diminuir o grau de gravidade da doença. “A vacina não vai te imunizar 100%. A vacina tem duas funções: 
evitar e atenuar. Se ela não evitar, e você tiver sarampo mesmo assim, ela vai atenuar; ou seja, vai reduzir a 
gravidade da doença.” 
 Relato de caso por uma aluna: “Professor, eu sou vacinada (tenho duas doses de SCR) e mesmo assim tive 
sarampo”. 
- Você foi comprovada com sorologia?- Sim! 
- Quantos anos você tinha?- 11 anos. 
- E você foi para onde?- Fui para Mato Grosso. 
“Quando eu tive sarampo, eu fiz a sorologia na Bahia (onde moro). Contudo, na minha cidade e nem na região, não 
tinha relato algum de caso. Eu tive os sintomas já tinha cerca de 20 dias que eu tinha chegado do Mato Grosso, 
acharam até que meus sintomas eram de alergia, começou a empolar meu corpo. Quando fiz a sorologia eu já tinha 
até sarado, não tinha mais nada. Ninguém tinha na região, ninguém teve. Ai todo mundo imaginou que eu tinha 
pego quando viajei para o Norte do Mato Grosso”. 
- E por que ninguém tinha sarampo na região? Por causa da cobertura vacinal. Se ninguém tivesse cobertura vacinal 
você teria infectado todo mundo. Você seria o caso índice. 
Dúvida de aluno: Professor, nesse caso o que aconteceu para ela ter a doença foi que não teve soroconversão da 
vacina? R: Teve sim! “Na vacina nós colocamos vírus vivos atenuados, capsulas, ou fragmentos de vírus para que seu 
 
 
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