A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
40 pág.
capitulo_1 Oratoria e retorica

Pré-visualização | Página 1 de 13

CAPÍTULO 1
Introdução ao Estudo da 
Retórica e Oratória
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender a concepção da retórica e sua finalidade, identificando suas 
funções e características.
� Identificar as fontes da retórica grega e a discussão com perspectiva platônica.
� Analisar as relações interpessoais e reconhecer as diferentes definições de 
retórica e oratória.
10
 Oratória e Retórica
11
Introdução ao Estudo da Retórica e Oratória Capítulo 1 
Contextualização
O contexto do estudo da oratória e da retórica no mundo contemporâneo é 
bastante amplo. Nesta disciplina queremos enfatizar a construção e exposição 
dos argumentos para que possamos transmitir uma mensagem de qualidade. 
Vejamos como se considerava a arte retórica na antiguidade. 
Havia-se deixado de lado, até aqui, um ponto importante sobre 
o escopo da arte retórica. Por vezes, a retórica foi e ainda é 
apresentada como a arte de proferir discursos eloquentes. De 
fato, muitos são os que associam uma boa retórica a um discurso 
bem elaborado, destacado por diversos recursos de linguagem, 
enfim, ornamentado. Essa definição guarda correspondência 
com os primeiros discursos dos sofistas – portanto, anteriores ao 
aparecimento do tratado de Aristóteles sobre a retórica – mas que 
atingiu destaque e refinamento com a obra de Isócrates (436-338 
a.C.), hábil e longevo retor, que se destacou pelo seu programa 
de ensino baseado nas artes humanas, predominantemente 
literárias (o Paideia). Isócrates se destacou por atacar tanto os 
que praticavam e ensinavam a dialética erística (aqueles que 
se propunham às disputas, a partir de posições antagônicas de 
mundo, objetivando chegar a uma pretensão de descoberta, 
a qual refletiria as formas particulares da leitura da natureza e/
ou que fossem capazes de chegar a uma verdade) quanto os 
sofistas, que ensinavam a arte dos discursos políticos aos nobres. 
Isócrates não acreditava que, da dialética erística, pudesse 
emergir um conhecimento diferente dos demais, ou que o simples 
fato de se arrebatar o maior número possível de seguidores fosse 
um medidor da correção de um dado conhecimento. Tampouco, 
poder-se-ia fazer qualquer juízo positivo da arte dos sofistas de 
ensinar discursos políticos mecanicamente, já que as condições 
para a descoberta da Verdade jamais teriam ali algum papel a 
desempenhar (GILL, 1994 apud VIEIRA, 2012, p. 8).
Estudar oratória e retórica pode parecer um tanto distante da realidade em 
que estamos inseridos, mas se observarmos o cotidiano, perceberemos que 
estamos permeados de argumentos retóricos, apresentando cada qual um tipo 
de oratória. A você, estudante desta disciplina, convidamos para seguir conosco 
neste caminho de descobertas. 
Conceito de Retórica e Oratória
A retórica no conhecimento humano, especificamente na 
filosofia, é uma forma de expressão de exposição de ideias utilizada 
pelos sofistas. Segundo este grupo de pensadores gregos da 
antiguidade, não existe uma verdade, o que há é apenas uma boa 
forma de argumentar ou uma forma ruim de argumentar.
12
 Oratória e Retórica
Ao iniciarmos a discussão sobre a retórica, queremos expor quais são suas 
características fundamentais e como estas características se relacionam com o 
modo com o qual nos expressamos. 
A vitalidade dos estudos retóricos até os nossos dias foi o que 
levou à organização de um curso que levantasse os principais 
problemas com que a Retórica se tem havido ao longo de 
sua história, cheia de pontos altos, mas também de crises e 
questionamentos. A bem dizer, é esta mesma dialética que está 
no bojo de sua própria natureza, que implica em controvérsia, 
discussão e, consequentemente, em influência e formação de 
opinião. De fato, a Retórica tem sido colocada à prova pelos 
mesmos princípios que a norteiam internamente e que fazem 
com que ela refloresça sempre: aceitação da mudança, o 
respeito à alteridade, a consideração da língua como lugar de 
confronto das subjetividades. Partindo-se do princípio de que a 
argumentatividade está presente em toda e qualquer atividade 
discursiva, tem-se também como básico o fato de que argumentar 
significa considerar o outro como capaz de reagir e de interagir 
diante das propostas e teses que lhe são apresentadas. Equivale, 
portanto, a conferir-lhe status e a qualificá-lo para o exercício da 
discussão e do entendimento, através do diálogo. Na verdade, 
o envolvimento não é unilateral, tendo-se uma verdadeira arena 
em que os interesses se entrechocam, quando o clima é de 
negociação, e em que prevalece o anseio de influência e de 
poder (MOSCA, 2001, p. 16).
Quando falamos do movimento sofista da filosofia grega antiga, apontamos 
para alguns autores deste período que representam muito bem a figura de um 
retórico. Nesse sentido, merece destaque o filósofo Górgias, que muito bem 
definiu o não ser. Podemos citar ainda o filósofo Protágoras de Abdera, que com 
seu pensamento defendeu o relativismo na Antiguidade.
A nossa discussão sobre a retórica e o papel da oratória na 
formulação e na exposição de argumentos passará necessariamente 
por Platão e Aristóteles. Estes dois filósofos da Antiguidade 
escreveram textos que detalham muito bem a arte retórica ou do bem 
dizer, se assim quisermos. De acordo com estes dois filósofos e com 
os sofistas, devemos estar atentos para a boa formulação retórica de 
um argumento e a boa oratória de exposição do mesmo. Na disciplina 
de Oratória e Retórica queremos lembrar a você, estudante, que a 
forma de bem dizer as palavras ou a boa formulação de um discurso 
é fundamental para que possamos entender, expor e transmitir uma 
mensagem.
Podemos observar isso na discussão da Antiguidade desenvolvida por 
Sócrates. Platão, ao expor e escrever as ideias socráticas, nos passa a mensagem 
de que Sócrates foi um homem comprometido com a moral e com a verdade. Já 
alguns sofistas, como Sófocles, apresentam Sócrates como amigo dos sofistas e 
Na disciplina de 
Oratória e Retórica 
queremos lembrar 
a você, estudante, 
que a forma de bem 
dizer as palavras ou 
a boa formulação 
de um discurso é 
fundamental para 
que possamos 
entender, expor 
e transmitir uma 
mensagem.
13
Introdução ao Estudo da Retórica e Oratória Capítulo 1 
um retórico. Isso significa que o modo como apresentamos uma ideia ou expomos 
um pensamento produz um determinado efeito naquele que ouve. 
O surgimento da Retórica na Grécia antiga prende-se à luta 
reivindicatória de defesa de terras na Sicília, que haviam 
caído em poder de usurpadores. Esse caráter prático, aliado 
à eficácia, esteve sempre presente nas finalidades da Retórica 
e é o que modernamente a situa junto à Pragmática. De fato, 
para se decidir em que medida um discurso visa persuadir 
e como o faz, há que levar em conta as características 
fundamentais da situação em que ele se dá e as relações de 
intersubjetividade dos interlocutores. Os efeitos perseguidos 
pelos discursos persuasivos são produtos não de um simples 
ato ilocutório, como também de elementos extraídos da 
força ilocucionária da situação. Cabe ainda lembrar que o 
ato de informar não existe em estado puro e serve antes a 
convencer e persuadir do que por si próprio. Assim é que 
discursos que se têm como informativos, tais como o científico 
e o jornalístico, são o exemplo disso, uma vez que existem 
em função de determinada finalidade prática a ser atingida. 
Por esse motivo, coloca-se em questão a tradicional divisão 
das modalidades dos gêneros jornalísticos em informativos, 
interpretativos e opinativos, que, na realidade, serve apenas 
para balizar a práxis jornalística, quando não mesmo para 
despistar um leitor desavisado (MOSCA, 2001, p. 26).