Livro AT
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DisciplinaPrevenção e Promoção de Saúde9 materiais94 seguidores
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Acompanhamento Terapêutico
na Rede Pública
 
UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO
GRANDE DO SUL
 
 
Reitor
José Carlos Ferraz chncmann
Vice-Reitor e Pró-Reitor
de Coordenação Acadêmica
Pedro Cezar Dutra Fonseca
 
 
EDITORA DA UFRGS
Diretora
Jusamara Vieira Souza
Conselho Editorial
Ana Lígia Lia de Paula Ramos
Cassilda Golin Costa
Cornelia Eckert
Flávio A. de O. Camargo
Iara Conceição Bitencourt Neves
José Roberto Iglesias
Lúcia Sá Rebello
Mônica Zielinsky
Nalú Farenzena
Sílvia Regina Ferraz Petersen
Tania Mara Galli Fonseca
Jusamara Vieira Souza, presidente
 
Acompanhamento Terapêutico
na Rede Pública
 
a clínica em movimento
Analice de Lima Palombíni
e colaboradores
Segunda ediçao
\u161l
uFRGS
EDITORA
 
© dos autores
1ª edição: 2004
Direitos reservados desta edição:
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Capa: Vera Gliese
Revisão: Luciane Souza
Editoração eletrônica: Carlos Batanoli Hallberg
 
A185 Acompanhamento terapêutico na rede pública: a clínica em movimento /
Analice de Lima Palombini... [et al.]. \u2013 2.ed. \u2013 Porto Alegre: Editora
da UFRGS, 2008.
Apresentação de Miriam Chnaiderman.
Inclui referências.
1. Psicologia social. 2. Psicologia clínica \u2013 Psicanálise. 3. Acompanha
mento terapêutico \u2013 Clínica \u2013 Rede pública. 4. Acompanhamento terapêu
tico \u2013 Capacitação \u2013 Formação profissional. 5. Psicanálise \u2013 Clínica \u2013
Movimento. 6. Saúde mental \u2013 Serviços \u2013 Saúde pública \u2013 Rede pública.
7. Acompanhamento terapêutico \u2013 Programa \u2013 Ensino \u2013 Pesquisa \u2013 Ex
tensão universitária \u2013 Fundamentação teórica. I. Palombini, Analice de
Lima. II. Título.
CDU 159.964.2:316.6
 
CIP-Brasil. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação.
(Ana Lucia Wagner \u2013 CRB10/1396)
ISBN 978-85-386-0007-7
CONVITE À LEITURA
Ao ler o texto de Analice, o roteiro construído, as autorias convoca
das para a publicação e os conteúdos elaborados, foi-se consolidando para
mim a idéia de que o livro registra a constituição de uma rede de diálogo
produtora de atores sociais. Recorro a Mário Testa que, em Saber en Salud
(1997), escreveu sobre a construção do conhecimento nas ciências sociais
para dar suporte ao que acabo de afirmar. Testa propõe um espiral de co
nhecimento no qual flui o trânsito das práticas da vida cotidiana às ciências
sociais e destas para a vida cotidiana ressignificada. Tal trânsito é possibili
tador de subjetivações e viabilizador de sujeitos coletivos. Nesse processo,
o sujeito desdobra-se em diversos que o transformam: o sujeito da vida co
tidiana passa a sujeito epistêmico e, deste, a avaliador, para se tornar sujei
to público e reconstituir a vida cotidiana.
O trabalho de Analice e seus interlocutores parte da vida de portadores
de sofrimento psíquico, de estudantes e professores comprometidos na for
mação de psicólogos e de trabalhadores de saúde mental implicados na práti
ca clínica, em um contexto que entremeia universidade e serviços públicos
de saúde em tempos de democratização da sociedade, de reurbanização das
cidades, das reformas sanitária e psiquiátrica. Nesse contexto, os autores dão
se ao trabalho de indagar, de formular hipóteses, de ousar práticas de ensino
e de fazeres profissionais instituintes e, assim, acompanham a loucura às ruas.
Prosseguem questionando, elaborando releituras, compartilhando saber-faze
res e vêm a público coletivamente, constituindo a clínica em movimento.
Com eles aprendemos sobre espaço-tempo nas cidades, na clínica, nas
psicoses, ficamos confinados na cama, vamos às ruas, tropeçamos em an
danças pelo centro, sabemos de histórias nunca contadas, costuramos ou
tras histórias, fazemos passeatas e alcançamos o mar.
A trajetória percorrida pelos autores possibilita, mais do que a rein
venção de tecnologias de cuidados clínicos, uma ressignificação do cotidiano,
transformando-os em militantes sociopolíticos, pois, nitidamente, são agen
ciadores de projetos de vida.
É um livro escrito por quem está construindo um outro mundo possível.
Sandra Fagundes
Secretária Municipal da Saúde
Porto Alegre, 2004.
AGRADECIMENTOS
Este livro narra as vicissitudes de um trabalho que é como aventura
em alto-mar: vislumbrando terras novas, enfrentando tempestades e cal
marias, percorrendo mares epraias inexplorados. Nãoforam poucos os es-
forços para realizá-lo. Muitos marujos, portos efaróis foram vitais para
guiá-lo. Por isso, os agradecimentos, que não são poucos, restam, mesmo
assim, inconclusos.
À equipe doCAPS CAIS Mental Centro, de Porto Alegre, em cujo porto
teve início esta travessia. Em especial, a Cláudia Bartzsch, Ester Trevisan
e Maria Cristina Carvalho da Silva, que se ocuparam particularmente deste
projeto (a Ester e Cristina, ainda, por compartilharem descobertas e inquieta
ções).
À Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS, pela acolhida e estímulo.
A Simone Kasper, companheira de primeira hora nesta nau, ajudan
do-me a conduzi-la até o mar, sem medo de navegar pelo desconhecido.
A Miriam Chnaiderman, que esteve conosco em algum ponto dessa
viagem, e se manteve depois, mesmo à distância, sempre presente.
A Luís Antônio Baptista, pela leitura crítica e cuidadosa dos originais,
e por tudo o que me ensina sobre as cidades e seus portos.
Aos colegas: Liliane Fröemming, pela aposta no projeto; Edson Sou
sa, pelo entusiasmo e parceria (fazendo a nau seguir seu curso sob qual
quer tempo); Ana Costa, que ajudou a percorrer um pedaço deste mar; Cleci
Maraschin e Ana Marta Meira, pelos novos rumos que souberam imprimir
a esta navegação.
A Karol Cabral e Márcio Belloc, que conheci cruzando os mesmos
oceanos \u2013 efizeram-se imprescindíveis nas minhas travessias.
Às equipes dos serviços que se dispuseram a uma parceria, em espe
cial a Ana Lúcia Rosa, Denise Machado, Denise Gick, Iara Wrege e Mar
celo Leite, da Equipe de Saúde Mental do Centro de Saúde Santa Marta;
Simone Fabris, Sandra Correa e Cláudia Marquesan, do CAPS Cais Men
tal Cruzeiro; Martha Brizio, Carlos Kessler e Simone Rickes, da Clínica
de Atendimento Psicológico da UFRGS; Débora Nagel, do Hospital Psi
quiátrico São Pedro.
A Ricardo Burg Ceccim, Cândida Boemecke, Simone Machado e Nara
Castilhos que, na Escola de Saúde Pública do RGS, conduziram-me a no
vas rotas de navegação, alcançando outros portos. Aos trabalhadores dos
serviços de saúde da Grande Porto Alegre e interior do Estado que estive
ram presentes nessa aventura.
A Régis Cruz, Simone Frichenbruder, Tatiana Ramminger e toda a
equipe de trabalhadores do Projeto Morada São Pedro, pelas terras novas
e pródigas que me fizeram conhecer.
Finalmente, o percurso que este livro narra só se fez possívelporque
contou (e segue contando), a cada ano, com um grupo de estudantes dis
postos à aventura de acompanhar aos que chamamos loucos na sua circu
lação pela cidade, fora do ambiente protegido dos serviços em que são aten
didos. Sou extremamente grata a esses estudantes por sua disposição eper
sistência em um trabalho que exige emprestar seu corpo e subjetividade à
cena do outro. Eles são muitos, o que impede nomeá-los todos, mas con
tam um a um. Evoco, então, aqui, aqueles cujos nomes, por razões desco
nexas, emergem agora à superfície da memória: Eliane, Ernesto, Laura,
Mariana, Paula, Jacqueline (os que aqui escrevem); Amadeu, Maria Ilda,
Miriam, Gisele, Alice, Bianca, Daniel, Deise, Lísia, Lucas, Lucenira, Fer
nanda, Christiane, Ana Carolina, Silvana, Karla, Thaís, Denéia, Cristia
ne, Camila, Alexandre, Carolina, Gabriela, Priscilla, Tatiana, Ana Paula,
Vanessa, Joceline, Geisa, Luana, Paula, Isabel...
Cada um deles somente pôde tomar lugar nesta nau porque houve
quem aceitou tê-los como acompanhantes. Os agradecimentosfinais pres
tam homenagem, assim, aos que embarcaram nesta viagem em condições
singulares, disponibilizando afetos epensamentos, delírios epaixões, para
se arriscarem na aventura (desejada