Tributos em Espécie - 1º bimestre
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Tributos em Espécie - 1º bimestre


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Izabela Portolan - FAG
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DIREITO TRIBUTARIO 
Conceito \u2013 é a ramificação autônoma da ciência jurídica, atrelado ao direito público, concentrando o plexo das relações jurídicas que emantam o elo Estado vs. Contribuinte, na atividade financeira do Estado, quanto a instituição, fiscalização e arrecadação de tributos.
TRIBUTO
Conceito \u2013 art. 3º, CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção da ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". 
Caráter pecuniário: o valor do tributo deve ser expresso em moeda corrente, não sendo permitido tributo in natura ou in labor, mesmo em imposto de importação, caso em qual deverá ser convertido em câmbio para o pagamento ser efetuado em real; 
Caráter compulsório: o tributo é obrigatório! Não existe tributo facultativo. Deve ser sempre instituído através de Lei; 
Não pode ser sanção de ato ilícito: a tributação não pode ser uma forma de penalidade
Princípio "non olet": segundo este princípio, não importa para o fisco se os rendimentos tributáveis tiveram ou não fonte lícita ou moral. O intérprete deve se abstrair da ilicitude ou licitude da atividade exercida. 
ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS
Imposto \u2013 art. 16, CTN: "Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte". Podem ser ordinários (arts. 145 I, 153, 155 e 156, CF), residuais (art. 154, I, CF) ou extraordinários de guerra (art. 154, II, CF). Os impostos são tributos que incidem necessariamente sobre revelações de riquezas do contribuinte. 
\u2013 Princípio da não afetação: o imposto não pode ter destino específico em lei, nos termos do art. 167, IV, CF: "São vedados: IV \u2013 a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, §2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, §8º, bem como o disposto no §4º deste artigo".
Exceções ao princípio da não afetação \u2013 a) Repartição Constitucional dos Impostos; b) Destinação de recursos para saúde, para o desenvolvimento do ensino e para atividade de administração tributária; c) Prestação de garantias para: operações de crédito por antecipação de receita, garantia e contragarantia para a União e, pagamento de débitos para com a União.
- Princípio da não vinculação: os impostos não vinculam a uma atividade estatal ou contraprestação específica, ou seja, o Estado não precisa fazer algo para o contribuinte, para então receber o imposto, conforme art. 16, CTN: "imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte".
- Divisão de competências: União \u2013 IPI, ITR, II, IE, IOF, IR, IGF e IEG. Quanto ao IGF: art. 154, CF \u2013 o Imposto sobre Grandes Fortunas foi criado através de Lei Complementar, não foi constituído pela CF; Quanto ao IEG: o Imposto Extraordinário de Guerra só será instituído na eminência ou estado de guerra, podendo adentrar na competência de outros entes federativos; Estados \u2013 ICMS, IPVA e ITCMD; Municípios \u2013 ISS, IPTU e ITBI; Distrito Federal \u2013 fica com os impostos de competência tanto dos Estados como dos Municípios.
- Imposto residual: não pode ser cumulativo, deve ser instituído por Lei Complementar e não pode ter a mesma base de cálculo e gato gerador dos impostos já descritos na CF. 
Repasses e transferências de impostos
- Repasses diretos da União para os Estados/Distrito Federal: 
a) 100% do produto da arrecadação do IR \u2013 FONTE (IRRF), incidente na fonte pagadora, sobre rendimentos pagos a qualquer título, por eles (Estados e DF), suas autarquias e fundações que instituírem e mantiverem (art. 157, I, CF: "Pertencem aos Estados e Distrito Federal: I \u2013 o produto de arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem"); 
b) 30% do produto da arrecadação do IOF \u2013 Ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, para o Estado de origem, no qual houver extração do ouro (art. 153, §5º, I, CF: "Compete à União instituir impostos sobre: §5º O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do imposto de que trata o inciso V do "caput" deste artigo, devido na operação de origem; a alíquota mínima será de um por cento, assegurada a transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos: I \u2013 trinta por cento para o Estado, o Distrito Federal ou o Território, conforme a origem". O ouro aqui mencionado, trata-se de ativo financeiro, não o ouro em mercadoria (anéis, colares, etc).
c) 20% do produto de arrecadação do Imposto Residual (art. 154, I, CF: "A União poderá instituir: I \u2013 mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição). Hoje em dia, no Brasil, ainda não há imposto residual. 
d) 29% do produto de arrecadação da CIDE \u2013 Combustível \u2013 EC. N. 44/2004 (art. 159, III, CF: "A União entregará: III \u2013 do produto da arrecadação da contribuição de intervenção no domínio econômico prevista no art. 177, §4º, 29% (vinte e nove por cento) para os Estados e o Distrito Federal, distribuídos na forma da lei, observada a destinação a que se refere o inciso II, c, do referido parágrafo". CIDE não é imposto, é contribuição!
- Repasses diretos da União para os Municípios:
a) 100% do produto a arrecadação do IR \u2013 FONTE (IRRF), incidente na fonte pagadora, sobre rendimentos pagos a qualquer título, por eles (Municípios), suas autarquias e fundações que instituírem e mantiverem (art. 158, I, CF: "Pertencem aos Municípios: I \u2013 o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem". 
b) 50% do produto da arrecadação do ITR \u2013 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, relativamente aos imóveis nesta situados. O percentual pode chegar a 100% se o município se compromete a arrecadar e fiscalizar, através de um convênio, desde que não haja perda de receita. 
c) 70% do produto de arrecadação do IOF \u2013 Ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, para o Município de origem, no qual houver extração do ouro (art. 153, §5º, II, CF: "Compete à União instituir impostos sobre: §5º O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do imposto de que trata o inciso V do "caput" deste artigo, devido na operação de origem; a alíquota mínima será de um por cento, assegurada a transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos: II \u2013 setenta por cento para o Município de origem". 
Quanto ao ouro \u2013 exemplo: tem R$10.000,00 de imposto, R$ 7.000,00 vai para o Município (70%) e R$ 3.000,00 vai para o Estado (30%). Do ouro, não sobra nada para a União! Tudo vai para o Estado e Município de origem. 
- Transferências diretas feitas dos Estados-Membros para os Municípios
a) 50% do produto da arrecadação do IPVA, relativo aos veículos automotores licenciados em seus territórios.
b) 25% do produto da arrecadação do ICMS (¾, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações realizadas em seus territórios e até ¼ de acordo com a lei estadual, desde que não exclua, por completo, a participação do