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Metodologia e prática do ensino de Matemática e Ciências - Unidade II

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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DA MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
Unidade II
5 O ENSINO DE CIÊNCIAS SEGUNDO OS PARÂMETROS CURRICULARES 
NACIONAIS 
Sabemos que as crianças conseguem aprender conceitos de forma mais profunda quando podem 
observar, por meio de atividades práticas, a aplicação do que estudam de forma teórica. No entanto, 
a condução das aprendizagens dessa área do conhecimento tem oscilado entre a teoria pura ou o 
experimentalismo puro. Em algumas escolas, o laboratório, ou as atividades práticas realizadas em sala 
de aula, servem de mera ilustração, sem que ocorra reflexão. Como afirma Zanon e Freitas (2007, p. 94):
[...] apesar das lógicas diferenciais desses estudos, todos apresentam em 
comum a ideia de que as atividades experimentais, quando se destinam a 
ilustrar ou a comprovar teorias, são limitadas e não favorecem a construção 
de conhecimento pelo aluno. A maior parte do tempo dedicado às aulas 
laboratoriais é utilizada para manipulação de aparatos e realização 
de medições, aspectos que contribuem muito pouco para o inter-
relacionamento da teoria com a experiência. Essa orientação, na qual o 
comportamento mecânico do aluno é requerido nas primeiras etapas do 
processo e o envolvimento cognitivo só advém na parte final da atividade, 
retrata a ênfase dada pelos professores aos objetivos relacionados apenas 
à aquisição de conhecimento mecânico em detrimento de objetivos que 
levem à compreensão da natureza da Ciência ou ao desenvolvimento de 
atitudes.
A atividade prática e a compreensão da teoria caminham juntas em importância. É importante que 
os educadores ofereçam condições nas aulas para que os alunos testem suas suposições e hipóteses 
baseadas em suas experiências anteriores e as confrontem com a validação via experimento.
Nessa direção, a atuação do professor como orientador, mediador e assessor 
das atividades inclui: lançar ou fazer emergir do grupo uma questão-
problema; motivar e observar continuamente as reações dos alunos, dando 
orientações quando necessário; salientar aspectos que não tenham sido 
observados pelo grupo e que sejam importantes para o encaminhamento 
do problema; produzir, juntamente com os alunos, um texto coletivo que 
seja fruto de negociação da comunidade de sala de aula sobre os conceitos 
estudados. (ibidem, p. 94)
A participação dos alunos não se restringe meramente a executar exercícios propostos após 
a apresentação dos conceitos. As sequências de ensino que são apresentadas após os blocos de 
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conteúdos e os temas para elaboração de projetos didáticos são sugestões e exemplos. Podem 
servir de inspiração para que você, como educador, faça adaptações às características de seus 
alunos ou crie novas propostas. 
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), documento produzido pelo Ministério 
da Educação (MEC) e que tem o objetivo de auxiliar o professor no seu trabalho diário, na sua 
meta de levar as crianças a dominarem os conhecimentos de que necessitam para crescerem 
como cidadãos plenamente reconhecidos e conscientes de seu papel na sociedade, a escola deverá 
oferecer pleno acesso aos recursos culturais relevantes para a conquista de sua cidadania.
Esses recursos incluem os domínios do saber tradicionalmente presentes no trabalho escolar e as 
preocupações contemporâneas com o meio ambiente, com a saúde, com a sexualidade e com as questões 
éticas relativas à igualdade de direitos, à dignidade do ser humano e à solidariedade. 
Nesse sentido, o propósito do Ministério da Educação e do Desporto, ao 
consolidar os Parâmetros, é apontar metas de qualidade que ajudem o 
aluno a enfrentar o mundo atual como cidadão participativo, reflexivo 
e autônomo, conhecedor de seus direitos e deveres (BRASIL. (b), 1997, 
p. 5).
A elaboração dos parâmetros tem como objetivo servir de referencial para o trabalho do 
professor, de forma a respeitar a sua concepção pedagógica própria e a pluralidade cultural 
brasileira. Por essa razão, são abertos e flexíveis, podendo ser adaptados à realidade de cada 
região. Portanto, trata-se de um instrumento útil no apoio às discussões pedagógicas na escola, 
na elaboração de projetos educativos, no planejamento das aulas, na reflexão sobre a prática 
educativa e na análise do material didático.
Segundo os PCN, o papel das Ciências Naturais na formação de um cidadão crítico, numa sociedade 
em que o conhecimento científico e tecnológico é cada vez mais valorizado, é o de colaborar para a 
compreensão do mundo e suas transformações, situando o homem como indivíduo participativo e parte 
integrante do Universo. Os conceitos e procedimentos dessa área contribuem para a ampliação das 
explicações sobre os fenômenos da natureza, para o entendimento e o questionamento dos diferentes 
modos de nela intervir e, ainda, para a compreensão das mais variadas formas de utilização dos recursos 
naturais. 
 Saiba mais
Leia para seus alunos o livro Nicolau tinha uma ideia, de Ruth Rocha, 
para fomentar uma boa conversa sobre a importância da escola na formação 
das pessoas, inclusive em sua relevância para o avanço das ciências. 
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METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DA MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
5.1 Objetivos gerais de Ciências Naturais para o Ensino Fundamental 
As Ciências Naturais no Ensino Fundamental se propõem a levar o aluno a desenvolver competências 
para compreender o mundo e atuar como indivíduo e como cidadão, utilizando conhecimentos de 
natureza científica e tecnológica. Esses objetivos de área são complementados pelos objetivos dos temas 
transversais (BRASIL. (b), 1997). 
Segundo os PCN das Ciências Naturais (idem), o ensino dessa disciplina deverá então se organizar de 
forma que, ao final do Ensino Fundamental, os alunos tenham as seguintes capacidades:
• compreender a natureza como um todo dinâmico, sendo o ser humano parte integrante e agente 
de transformações do mundo em que vive;
• identificar relações entre conhecimento científico, produção de tecnologia e condições de vida, 
no mundo de hoje e em sua evolução histórica;
• formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais a partir de elementos das 
Ciências Naturais, colocando em prática conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidos no 
aprendizado escolar;
• saber utilizar conceitos científicos básicos, associados à energia, matéria, transformação, espaço, 
tempo, sistema, equilíbrio e vida;
• saber combinar leituras, observações, experimentações, registros etc., para coleta, organização, 
comunicação e discussão de fatos e informações;
• valorizar o trabalho em grupo, sendo capaz de ação crítica e cooperativa para a construção 
coletiva do conhecimento;
• compreender a saúde como bem individual e comum que deve ser promovido pela ação coletiva;
• compreender a tecnologia como meio para suprir necessidades humanas, distinguindo usos 
corretos e necessários daqueles prejudiciais ao equilíbrio da natureza e ao homem. 
5.2 Os conteúdos para o ensino de Ciências Naturais
Os conteúdos serão apresentados em blocos temáticos, dada a natureza da área, para que não 
sejam tratados como assuntos isolados. Os blocos temáticos indicam perspectivas de abordagem e dão 
organização aos conteúdos sem um padrão rígido, de modo que possibilite diferentes sequências, trate 
conteúdos de importância local e faça conexão entre conteúdos dos diferentes blocos, das demais áreas 
e dos temas transversais. Em cada bloco temático são apontados conceitos, procedimentos e atitudes 
centrais para a compreensão da temática em