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RELAÇÕES INTERNACIONAIS: PRINCÍPIOS TEÓRICOS E PROCESSOS HISTÓRICOS (resumo)

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Segundo Bimestre.
AULA 10 - Organizações Intergovernamentais e as Forças Transnacionais.
Organizações internacionais ou intergovernamentais são organizações porque são instituições, ou seja, não é uma estrutura abstrata/conceitual, ela é institucionalizada. Existem vários componentes que não dependem da instituição, por exemplo: o sistema internacional é um sistema que tem normas, regras, dinâmicas próprias, formas de conduta, mas não é um sistema institucionalizado em termos materiais.
Instituições ou organizações internacionais/intergovernamentais: são instituições, não estamos falando de alianças quaisquer, estamos falando de organizações institucionalizadas, ou seja, possui um corpo de normas, de funcionamentos, de acordos, possui uma estrutura autônoma com cargos, espaço físico, sede, funcionários etc. O que as torna intergovernamentais é o fato de não terem autonomia perante o governo. São organizações com representações governamentais. Exemplo: ONU, possui um espaço para representação de governos.
Organização não-governamental não tem relação com o governo, não representa Estados. Exemplo: Greenpeace, não é uma organização onde os Estados estão representados.
Existem organizações intergovernamentais que embora sejam organizações onde Estados são representados, ainda assim ganham uma certa dinamicidade e autonomia como ator. Há aqueles que reconhecerão que as organizações embora sejam representações de Estados, elas se tornaram atores autônomos de alguma forma no sistema internacional que não os Estados. Um ator que esteja lado a lado, ou acima ou abaixo, que seja dentro de uma hierarquia. Há um debate imenso das organizações intergovernamentais enquanto atores.
Além dos Estados, existe as organizações internacionais enquanto atores e as organizações não-governamentais (ONGs).
Organizações não-governamentais também atuam internacionalmente, mas não são representantes e não estão vinculadas diretamente aos Estados (empresas transnacionais, podem atuar com o governo, mas também de forma autônoma. Exemplo: Odebrecht). São ONGs e também empresas, organizações não reconhecidas como ISIS, crime internacional como um todo, terrorismo, tráfico de armas, organizações não reconhecidas embora sejam organizações que atuam internacionalmente/transaccionalmente.
Transnacional (atravessa fronteiras) são organizações que por não estarem vinculadas a governos especificamente, atuam através dos Estados sem que as divisões territoriais e de fronteiras façam sentido para explicar a atuação desses atores. Quando se fala de crime transnacional, fala-se de crime que acontece entre vários países e que tem uma estrutura que depende de vários países e que esse crime atravessa fronteiras sem o menor controle ou dependências governamentais. Exemplo: a arma que é produzida no brasil atravessa fronteira para ser vendida no Paraguai, não dependeu do Estado.
Organizações intergovernamentais: organizações entre governos, pensadas por governos, estruturadas como representações de governos.
Organizações não-governamentais: transnacionais (empresas privadas, organizações criminais, organizações terroristas, ONGs). Caracteriza a presença dela naquele país, mas não é uma organização única. Não são atores presentes na ONU para negociação.
As organizações intergovernamentais (exemplo: FMI, UE, Mercosul) existem para instituir uma ordem no sistema anárquico. Usada para resolver questões em que o Estado não pode resolver sozinho (exemplo: tráfico de cocaína, é necessário que os países envolvidos se articulem para que o tráfico acabe, um país sozinho não consegue combater). Não há como definir o que rege a relação entre os Estados.
As organizações intergovernamentais sempre existiram em diferentes formas de articulação entre governos. Há varias teorias para a criação dessas organizações.
A forma como reconhecemos hoje a ONU é uma forma bastante recente, novo.
Teorias federalistas (Rousseau): projeto para uma paz perpétua.
Haviam vários pensadores muito antes da criação dessas organizações que pensavam numa forma (motivação) de atenuar ou acabar com as guerras. A forma reconhecida para isto era um debate bastante parecido com aquele da filosofia política sobre a formação do Estado, ou seja, se a formação do Estado atenuou o conflito entre os indivíduos. Ou seja, na medida em que os indivíduos abriram mão da sua soberania e cederam parte dela a uma organização, que é o Estado, para controlar a relação entre aquelas partes, o mesmo poderia acontecer no sistema internacional. Ou seja, se os Estados aceitassem ceder parte da sua soberania, ou de repente toda ela, para criar uma organização que regesse todas aquelas populações, talvez as guerras diminuiriam ou seriam evitadas. Aqui nesse tempo estamos falando da Europa, como acabar com a guerra na Europa, ou seja, a solução poderia ser um governo europeu que uniria todos esses Estados ou no mínimo, uma organização federalista que estivesse a cima do Estado.
Um exemplo de federalismo é a guerra civil americana. Federalismo hoje seria os EUA. Estados relativamente autônomos (pensando na guerra civil) e com um governo que controlava todos aqueles Estados. Se pensava algo parecido com o que se fala de teoria federalista, se pensava algo parecido em relação a Europa, que aqueles Estados até então soberanos cedessem parte da sua soberania ou talvez toda ela para uma organização que estivesse a cima desses Estados enquanto uma solução para a paz.
Teorias funcionalistas: também pensavam em como evitar as guerras, também pensava em soluções e sentido, mas não acreditavam que seria viável ou a melhor forma de concretizar esse projeto de criar um governo acima dos Estados, que não seria prático. Ou seja, as organizações soberanas não cederiam a sua soberania a nenhum tipo de organização que estivesse acima delas. Por que chama funcionalista? Porque basicamente, o que eles presavam era que cooperação em termos técnicos e onde houvesse interesse comum entre as partes, fosse incentivado entre os Estados. Segundo os pensadores, o tipo de entrelaçamento que vai se criando entre temas de interesse comum vão ganhando uma concretude, uma densidade, de uma forma em que a referência ao Estado enquanto lugar para solucionar os problemas vai se perdendo, vai se passando para outras organizações. Se a referência para resolução de problemas era apenas o Estado, na medida em que esses Estados começam a se articular em temas de interesse comum (cooperações técnicas, cooperações de comércio, cooperação na área de telecomunicações, etc) a referência vai mudando. A referência de solução de problemas não é apenas o Estado, mas vai criando relações de interdependência entre as partes e que vai tornando possível em algum momento que questões mais sensíveis como política ou questões militares, sejam possíveis de serem tratadas multilateralmente.
Há espaços e há temas que são bens coletivos, como por exemplo, o meio ambiente. Não depende só de um país. Há problemas de bens coletivos que faz com que os Estados precisem cooperar, é um meio de acharem soluções para que medidas individualistas e maléficas por todos, ou seja, se cada um agir individualmente pode ser que chegue à um resultado muito ruim para o coletivo, e esse reconhecimento faz com que os Estados pensem em soluções de atuarem em conjunto. Ou seja, não se opõe exatamente às outras teorias, ele só parte de um raciocínio diferente.
As medidas econômicas são importantes aos federalistas pois é muito mais fácil eu cooperar com outro país em termos de comércio, eu quero comprar e você quer vender, então vamos facilitar essa relação, do que eu falar “vamos unir as nossas industrias de defesa? Vamos fazer um exército que vai cooperar, ou seja, um vai ajudar o outro? Vamos abrir as nossas fronteiras?” são questões muito mais sensíveis de segurança, soberania, político, balanço de poder. Essas questões são muito mais difíceis de chegarem em um meio de acordo nesses países. O que os funcionalistas dizem é que se deve começar por questões técnicas