2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte
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2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte


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1 O QUE É ARTE?
Se nos fosse dada a capacidade de viajar através do tempo e pudéssemos conhecer diversas épocas e civilizações, como resistiríamos à tentação de inquirir os grandes mestres,aqueles cujas lições continuam imorredouras, sobre os assuntos que consideramos mais importantes? Talvez, de passagem por Atenas, ser um dos convivas de Sócrates e Platão em um de seus famosos \u201cbanquetes\u201d. Presenciar os primeiros rascunhos de Leonardo da Vinci durante a feitura do Homem Vitruviano. Quem sabe, com sorte, ouvir um discurso inflamado de um jovem Marx, na Alemanha. Ou mesmo acompanhar as ruminações quase inaudíveis de Nietzsche durante um passeio pela orla de uma praia em Nice.
Mas, sendo nos dado pouco tempo, o que perguntaríamos a cada um destes mestres? Com receio de perguntarmos sobre o que é a vida, talvez perguntássemos sobre o que é a arte. Correndo o risco de ouvir, de alguns deles, que a arte é a própria vida.
Os antigos gregos eram essencialmente práticos e possuíam um conceito objetivo do mundo. Sua arte refletia o antropocentrismo, mesmo sua crença religiosa é mais uma forma de enaltecer os sentimentos humanos. A \u201cTeoria das Id ias\u201d de Platão rompe com esta tradi ão ao afirmar que tudo aquilo que contemplamos no mundo empírico nada mais é do que a sombra de algo que existe efetivamente no mundo ideal. Sendo assim, a arte para este pensador nada mais é do que a cópia de alguma coisa do mundo sensível, que, por sua vez, não passa de uma cópia de algo existente no mundo das idéias. Para Platão, a arte seria então uma \u201csombra de sombra\u201d, imperfeita e danosa à moral.
Um pensador que certamente não comungava com este ideal platônico foi o alemão Friedrich Nietzsche. Parte considerável de sua produção literária é dedicada a resgatar a contribuição dos pré-socráticos e negar os postulados de Sócrates e Platão, por reconhecer neles \u201csintomas da decadência\u201d e \u201cinstrumentos da decomposição grega\u201d.
Até mesmo a importância dedicada à arte na filosofia destes pensadores difere radicalmente. Enquanto que para o discípulo de Sócrates a arte seria simplesmente uma forma de imitação, tratada apenas lateralmente em sua obra \u201cA Rep blica\u201d. Grande parte das obras de Nietzsche relacionada ao tema por acreditar no potencial redentor da arte e enxergar o mundo como um acontecimento estético. Para ele, criamos a arte para que a realidade não nos destrua.
Karl Marx foi outro pensador que teve o conceito de arte fortemente influenciado por sua visão de mundo. Acredita que as forças econômicas são as responsáveis pelas transformações em todos os setores da sociedade e, consequentemente, pela alteração dos rumos da história.
Sua teoria contempla a existência de uma infra-estrutura, composta pelas relações materiais e econômicas, e de uma superestrutura, que expressa o modo de pensar da sociedade através de suas leis, costumes, crenças e manifestações artísticas.
Marx acredita que a arte que surge na antiguidade clássica é uma arte de contemplação, mas que, com o passar do tempo e com a paulatina consolidação do capitalismo, ela, como praticamente todos os demais aspectos da vida humana, tem se voltado para o lucro. Desta forma, o artista tem sua criatividade tolhida pela \u201cdemanda\u201d do mercado, não podendo produzir livremente de acordo com seu senso crítico e inspiração, mas sim pautado pela necessidade de sobrevivência. Para este pensador, \u201co escritor deve ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas, em nenhum caso, deve viver e escrever para ganhar dinheiro\u201d. Ciente desta capacidade que o capitalismo possui de transformar a arte em mercadoria, o autor de \u201cO Capital\u201d pregava o engajamento do artista às causas sociais em benefício dos menos favorecidos.
Quase ao término do passeio, diante de tantos conceitos distintos e de formas tão diversas de se enxergar a realidade, talvez nos sentíssemos um pouco zonzos, menos pela viagem do que pelo volume de informações. Mas ainda faltaria uma visão importante, a de um artista! Se optássemos por um dos mais célebres, talvez pudéssemos encontrá-lo já velho caminhando por uma das ruas estreitas do Vaticano em direção à seu ateliê. Se apertássemos o passo, poderíamos alcançá-lo e, quem sabe, inquiri-lo: Mestre, apenas duas perguntinhas, eu gostaria de saber o que é a arte e qual o sentido da vida?.
Da Vinci nada nos responderia, lançar-nos-ia um \u201csorriso de Monalisa\u201d como dando a entender que sua vida, tal como sua arte, disse o indizível, exprimiu o inexprimível e traduziu o intraduzível, se não respondeu, nela própria e sem palavras, como fez Tom Jobim, citado no recente filme de Nelson Pereira dos Santos.
O estudo da História da Arquiteura temo objetivo de servir a você, um veículo capaz de conduzi-lo aos diversos momentos da história da humanidade em que se pensou e se produziu arte. Tentaremos analisar os diferentes conceitos e formas de produção artística através dos tempos.
Ernest Gombrich, um dos mais importantes historiadores da arte do século XX afirma em sua obra que o estudo da História da Arte consiste numa reflexão sobre as principais correntes da crítica da arte e sobre os objetos artísticos. Ao buscar a arte na relação do homem com o mundo, se torna possível pensar e analisar os momentos culturais, artísticos e estéticos de diversos tempos e sociedades, criando desta forma conhecimentos significativos sobre a humanidade.
Acreditamos que estudar a arte através da história é uma das melhores maneiras de seguir os passos da humanidade nesta e em outras searas, uma vez que a arte possui esta capacidade de comunicar a forma de pensar e de sentir de um povo, de uma época, ou mesmo de um pequeno setor da sociedade.
A importância de se estudar a Historia da Arquitetura e da Estética é crescente. O conteúdo de Artes tem sido cobrado cada vez mais em vestibulares e outros certames e seu conhecimento é pré requisito de praticamente todas as disciplinas que compõem as ciências humanas, incluindo obviamente a História e as Artes em geral (Cênicas, Gráficas, Visuais, etc).
Não procuramos aqui trazer respostas definitivas sobre os questionamentos propostos, nos contentamos em dividir com você, as inquietações que tem tirado o sono de pensadores de todas as épocas.
Convidamos aos academicos do curso de Arquitetura e Urbanismo, a se perderem conosco por estes intrincados labirintos de idéias a fim de que adquiram subsídios para que conosco ou em seguida possam trilhar seus próprios caminhos.
Sendo assim, esperamos que estejam confortáveis, pois nossa viagem está prestes a começar!
1.1 CONCEITOS DE ARTE
Chegar a uma definição do que seja a arte é realmente uma tarefa ingrata. Por estar presente na história da humanidade desde o princípio, tem sido mais fácil exemplificar do que explicar a idéia do que venha a ser uma obra de arte. Mas desta forma, ao tentarmos elaborar uma rela ão com tudo aquilo que ou foi considerado \u201cobra de arte\u201d ao longo do tempo, perceberemos que a lista é tão longa quanto variada, reunindo objetos e manifestações tão diferentes entre si que dificilmente alguém conseguiria elaborar uma definição a partir de sua mera observação.
Se recorrermos ao senso comum, poderíamos ouvir que obra de arte é apenas o fruto do trabalho do \u201cgênio\u201d, \u201cdo grande artista\u201d. Como se todos os artistas renomados já nascessem \u201cgrandes\u201d, ou mesmo como se pessoas comuns não fossem capazes de produzir algo que possa vir a ser considerado arte em sua época ou em outra. Apesar de ser uma idéia amplamente