2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte
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2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte


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cria a pérola formosa.

Paradoxo: corresponde à união de duas ideias contrárias num só pensamento. Opõe-se ao racionalismo da arte renascentista. Veja a estrofe a seguir, de Gregório de Matos:
Ardor em firme Coração nascido;
 pranto por belos olhos derramado;
 incêndio em mares de água disfarçado;
 rio de neve em fogo convertido.

Hipérbole: traduz ideia de grandiosidade, pompa. Veja mais um exemplo de Gregório de Matos:
É a vaidade, Fábio, nesta vida,
 Rosa, que da manhã lisonjeada,
 Púrpuras mil, com ambição dourada,
 Airosa rompe, arrasta presumida.
Prosopopeia: personificação de seres inanimados para dinamizar a realidade. Observe um trecho escrito pelo Padre Antonio Vieira:
No diamante agradou-me o forte, no cedro o incorruptível, na águia o sublime, no Leão o generoso, no Sol o excesso de Luz.
O BARROCO NO BRASIL
	Um só, \u201cvários\u201d Barrocos O Barroco brasileiro varia de uma região para outra. Nas regiões que enriqueceram com a mineração e com o comércio de açúcar \u2013 Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco-, encontramos igrejas com talhas douradas e esculturas refinadas, feitas por artistas de renome. Já nas regiões onde não havia açúcar nem ouro \u2013 como São Paulo -, as igrejas apresentam trabalhos modestos de artistas menos experientes. Expressões do Barroco brasileiro Profundamente ligado à religião católica, o Barroco brasileiro está presente, até hoje, em inúmeras igrejas construídas por todo o país. Mas está também em muitas outras construções, como prédios públicos, moradias, chafarizes.
	 Escultura complementando a arquitetura As talhas \u2013 ornamentos esculpidos em madeira, mármore, marfim ou pedra \u2013 são muito presentes nas igrejas barrocas brasileiras. Aparecem em altares, arcos, tetos e janelas, recobrindo praticamente todo o interior da construção. Podem ter motivos florais, figuras de anjos, aspirais; enfim, formas que sugerem movimento e quebram a monotonia das linhas retas. As de madeira, com várias cores, são chamadas policromadas. As mais vistosas, porém, são as douradas, revestidas por uma fina película de ouro. Em algumas igrejas, a talha se combina com a pintura, como na igreja de são Francisco de Assis, em São João del-Rei.
	Azulejos, mais que decoração No século XVII eram comuns grandes painéis azuis e brancos com cenas religiosas, figuras mitológicas ou, ainda, cenas históricas ou da literatura, formadas pela junção de muitos azulejos. Mas que um simples elemento decorativo, essas era uma forma de a igreja Católica transmitir, à população de maioria analfabeta, mensagens religiosas e mensagens bíblicas.O Barroco de Pernambuco A partir de 1759 Recife teve grande crescimento econômico. Entre suas construções barrocas mais bem cuidadas está a igreja São Pedro dos Clérigos. O Barroco da primeira capital do país Na segunda metade do século XVII, Salvador era o centro econômico da região mais rica do Brasil e também a capital do país. Aí encontramos igrejas riquíssimas, como a de São Francisco.
	O Barroco do rio de Janeiro O rio de Janeiro só viria a ter destaque econômico e cultural no início da extração do ouro em minas Gerais, no século XVIII. Com seu porto, a cidade passou a centro de intercâmbio entre a região da mineração e Portugal. Em 1763, tornou-se a nova capital do país. A partir daí foram erguidas muitas construções. A escultura barroca do Rio de Janeiro contou com artistas portugueses o com um brasileiro em especial: Mestre Valentim (1750-1813), tão respeitado quanto Antônio Francisco Lisboa, nosso mestre mais conhecido e admirado. Mestre Valentim foi também paisagista,mas suas obras mais bem preservadas são as que fez para igrejas, como a da Ordem Terceira do Carmo, a de São Francisco de Paula e a de Santa Cruz dos Militares. O Barroco de uma região pobre: São Paulo Fundada no século XVI, a cidade de São Paulo e seus arredores não tiveram o mesmo desenvolvimento que outras regiões no período colonial. No século XVII, os paulistas organizaram as bandeiras e seguiram para minas Gerais, lançando-se às atividades de mineração.
	 Enquanto isso, são Paulo permaneceu estagnada por todo o século XVIII, e as ordens religiosas apenas ergueram modestas igrejas barrocas. Hoje há poucas construções barrocas na cidade de São Paulo. Delas, destaca-se o conjunto formado pela igreja e pelo convento de Nossa Senhora da Luz.
A pintura barroca em São Paulo também traz traços de simplicidade. Observe a simplicidade da pintura de Frei Jesuíno do monte Carmelo (1764-1818). O pintor paulista mais conhecido do período.
	 O Barroco mineiro: tem início uma arquitetura brasileira Foram os bandeirantes paulistas que desbravaram as terras mineiras, começaram a explorar ouro e pedras preciosas e fundaram os primeiros arraias da região de Minas Gerais. Um desses bandeirantes foi Antônio Dias, que em 1698 chegou a Vila rica, hoje Ouro Preto. Desde essa época, vilarejos como Mariana, Sabará, Congonhas do Campo, São João del-Rei, Caeté e Catas altas começaram a desenvolver-se e a construir seus primeiros edifícios importantes. A arte barroca em Ouro Preto A evolução da arquitetura mineira não foi rápida. Primeiro tentou-se utilizara técnica construtiva paulista da taipa de pilão. O terreno mineiro, porém, é duro e pedregoso, pobre em terras argilosas. Mais tarde tentaram-se outros processos até chegar às construções com muros de pedra.
	Com o tempo, as diversas técnicas de construção foram combinadas harmoniosamente com a rica decoração interior. Essa integração teve sei auge em Minas Gerais, com Antônio Francisco Lisboa (1739-1814) .
	Na pintura do Barroco mineiro destaca-se Manuel da Costa Ataíde. Sua pintura nos forro de igrejas revela excepcional domínio da perspectiva. Mas seu talento também pode ser visto nas telas e nos painéis pintados para as sacristias e as paredes laterais. Ataíde fez pinturas para a igreja de Santo Antônio, em Santa Bárbara, e para a igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Mariana, além da igreja de São Francisco, em Ouro Preto.

O ROCOCÓ
INTRODUÇÃO
	 O rococó é um estilo que desenvolveu-se no sul da Alemanha e Áustria e principalmente na França, a partir de 1715, após a morte de Luís XIV. Também conhecido como "estilo regência", reflete o comportamento da elite francesa de Paris e Versailles, empenhada em traduzir o fausto e a agradabilidade da vida. O nome vem do francês rocaille (concha), um dos elementos decorativos mais característicos desse estilo, não somente da arquitetura, mas também de toda manifestação ornamental e de adereços. O estilo conheceu grande desenvolvimento entre 1715 e 1730, durante a regência de Filipe de Orléans. Existe uma alegria na decoração carregada, na teatralidade, na refinada artificialidade dos detalhes, mas sem a dramaticidade pesada nem a religiosidade do barroco. Tenta-se, pelo exagero, se comemorar a alegria de viver, um espírito que se reflete inclusive nas obras sacras, em que o amor de Deus pelo homem assume agora a forma de uma infinidade de anjinhos rechonchudos. Tudo é mais leve, como a despreocupada vida nas grandes cortes de Paris ou Viena.

	Devido ao grande desenvolvimento decorativo, a escultura ganha importância. Os escultores do rococó abandonam totalmente as linhas do barroco. Suas esculturas são de tamanho menor. Embora usem o mármore, preferem o gesso e a madeira, que aceitam cores suaves. Os motivos são escolhidos em função da decoração. Até artistas famosos, principalmente aqueles ligados a manufatura de Sèvres se apressam a preparar para ela, desenhos e modelos. Em função de lembrança, do souvenir, os pequemos grupos representam cenas de gênero e narram, com linguagem espontânea e cores luminosas, episódios galantes, brincadeiras e jogos infantis.
	Nas igrejas da Baviera surge o teatro sacro. Altares com iluminação a partir do fundo, decorados com cenários carregados de anjos, folhas e flores, são a referência ideal para cenas religiosas de uma inegável atmosfera de ópera.
 	Deve-se destacar também que é nessa época que surge com um vigor inusitado a indústria da escultura