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2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte

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difundida na sociedade, definitivamente, este conceito não nos parece suficiente.
Na tentativa de solucionar este problema, pensadores de todas as épocas elaboraram “teorias da arte”, a fim analisar a “natureza” das obras de arte em geral. Mas, quais seriam as condições que, uma vez presentes, nos garantiriam estarmos diante de uma obra de arte?
Figura 01: Os Kouros de Kroisos, estátuas de mármore de Paros descoberto em Anavyssos (Grécia), datado de 530 a.C aproximadamente.
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Kouros_anavissos.jpg. Acessado em: 25/05/2012
A mais antiga teoria da arte chamada de “representacionalismo”. Ela remonta aos gregos antigos que sugeriam que a função da arte seria representar algo. Platão acreditava que a arte seria a cópia da natureza, que, por sua vez, seria a representa ão imperfeita do “mundo ideal”. Aos artistas, no mundo sensível, restaria apenas a imita ão ou a cópia desta beleza perfeita.
Este primeiro conceito e tantos outros influenciados por ele foram paulatinamente sendo abandonados na medida em que os pensadores se afastam da metafísica e passam a buscar soluções mais científicas para seus questionamentos. Outras versões do representacionalismo chegaram até nós despidas da subjetividade platônica, mas ainda assim, buscando uma aproxima ão mesmo que sem ntica da obra para com o “original”. Mas at mesmo estas se mostram incapazes de nos auxiliar a definir como arte a produção dadaísta ou abstracionista do século XX, por exemplo.
Figura 02 – Cuadrats (Homenaje a Mondrian) (1968), de Sarrey, D.Fonte: Wikimedia Commons. Apostila Mondrian.
 Disponível em: http://nl.wikipedia.org/wiki/Bestand:Cuadrats.jpgAcesso em 31/05/2012.
A noção do que é arte e mesmo do que é belo varia muito de acordo com cada tempo e lugar, desta forma, recorrer a fórmulas para tentar entender estes conceitos acaba por manter nos afastados da verdadeira compreensão dos mesmos.
Em 1955, em seu ensaio “O Papel da Teoria Est tica”, Morris Weitz propôs que a definição de arte deveria ser um conceito aberto, que tivesse condições de se reajustar e se corrigir de acordo com as circunstâncias.
Todavia, para efeito didático, como é prec iso começar de algum lugar, principiemos pela noção de que a arte não é senão uma necessidade humana de buscar o prazer que se obtém através de certas combinações de formas, de linhas, cores, movimentos, sons, ritmos, imagens.
Tão logo nos afeiçoamos a esta idéia, já surgem os primeiros questionamentos. Se a arte é aquela que nos propicia prazer, o que dizer da obra que nos proporciona o seu contrário?
O horror? O asco? Seria arte da mesma forma?
Do mesmo jeito que a noção daquilo que é belo varia de acordo com a época e o lugar, também pode se afirmar o mesmo com relação àquilo que é feio. Sendo assim, chegamos a um novo conceito. A arte não existe necessariamente para agradar ou desagradar, aliás, ela sequer precisa de motivos para existir. Mas de qualquer forma, ela possui esta capacidade fantástica de mexer com as emoções humanas de um jeito ou de outro. A arte seria, portanto, uma experiência humana de conhecimento estético, capaz de formular e transmitir idéias e emoções na forma de um objeto artístico. Conhecimento estético, por sua vez, significa uma faculdade de sentir, de compreender pelos sentidos, ou seja, o conhecimento sensível. É através dos sentimentos que a arte amplia e matura nosso universo emocional.
1.2 CONCEITOS DE ESTÉTICA
O que é Estética?
Estética é uma palavra com origem no termo grego aisthetiké, que significa “aquele que nota, que percebe”. Estética é conhecida como a filosofia da arte, ou estudo que determina o caráter daquilo que é belo nas produções naturais e artísticas. O conceito de estética nasce nas épocas clássicas ( greco-romanas ), a estética era definida como a “filosofia do belo”. O Belo era uma propriedade do objeto, que era captado e estudado subdividindo-se entre o belo da arte e da natureza. Influenciada por Platão a filosofia estabeleceu uma hierarquia entre esses dois belos. Considerando que o belo da natureza tinha primazia sobre a arte.
Originalmente, a estética se ocupava apenas do estudo do belo, porém, hoje este conceito se encontra bem mais ampliado. Além dos juízos elaborados acerca da beleza ou não de um objeto, o estudo da estética também passou a considerar outros valores artísticos. Se em um primeiro momento buscava-se o “belo em si”, a partir do s culo XVIII esta no ão de beleza foi relativizada, uma vez que se passou a compreender o belo não como uma qualidade das coisas, mas sim como uma sensação na mente de quem as contempla. Nas palavras de Eugéne Véron (1890), a estética é a ciência que tem por fim o estudo filosófico das manifestações do gênio artístico.
A experiência estética é desprovida de valor material e desinteressada, não pode ser analisada frente ao conhecimento lógico nem pode ser julgada por sua utilidade para determinado fim. Ela também é a experiência da presença e se dá pelo comparecimento tanto do objeto estético como do sujeito que o percebe. Vejamos estes conceitos através de exemplos.
Imaginem que ao visitarmos um amigo ou parente, percebemos em sua sala vários quadros pendurados na parede, mas nenhum que nos chame verdadeiramente a atenção. Após alguns minutos de conversa, nosso interlocutor resolve nos mostrar orgulhoso a nova tela que acabara de trazer de uma viagem ao exterior e que ele adquirira em uma galeria badaladíssima da Europa e que teria custado, segundo ele, o equivalente a um “carrinho popular zero quilômetro”! Certamente arregalaríamos os olhos assustados em dire ão ao quadro que antes nos parecia comum e começaríamos a nos esforçar para enxergar nele a beleza e as características que justificassem tamanho investimento. Por fim, o suposto valor da obra associada ao discurso de nosso anfitrião poderia muito bem nos convencer de que estaríamos diante de uma legítima “obra de arte”. Apesar de a cena relatada ser fictícia, ela mais comum do que se imagina e acontece diariamente em muitos lugares, principalmente através dos meios de comunicação. É notório que nossa experiência estética descrita no exemplo acima não se constituiu como uma experiência estética legítima, uma vez que foi fortemente influenciada pelo “valor financeiro atribuído obra” em decorrência do “discurso” de seu propriet rio. O que admiramos nela é seu valor material e não seu valor estético.
Quanto à presença, seria impossível realizar a análise de uma obra de arte unicamente através da descrição de um terceiro. Por isso, para que exista arte, é preciso que haja um artista para concebê-la e cria-la, e um expectador para percebê-la, interpretá-la, admirá-la. Este último é o público que vê a obra de uma perspectiva distinta à do artista, uma vez que primeiro cria a noção de mundo que ela contém e o segundo recria essa noção – interpreta a obra. Para tanto é preciso uma sensibilidade apurada e conhecimento de mundo para compreender obras de arte não apenas dando a elas significados pessoais, como também entendendo os significados que o artista procurou imprimir ali. Desta forma, o público poderá apreender o sentido implícito no objeto artístico e estabelecer algum diálogo com a sua realidade particular criando, para muitos críticos de arte, uma terceira dimensão da arte.
Quem faz – Arte – Quem vê
Comunicação – Interpretação
Sociabilidade (processo dinâmico e dinamizador) – Cultura