2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte
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2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte


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ceira dimensão da arte.
São possíveis quatro diferentes modos de conceber a estética. Primeiro, uma estética praticada no dia a dia, indissociável da experiência de todos e que é usufruída nos prazeres dos sentidos.É praticada quando ornamentamos o corpo, quando decoramos a nossa casa, quando escolhemos o que consumir imaginariamente na televisão.
Em segundo lugar, há uma estética aplicada, a qual é decorrente da produção industrial. É voltada para a qualificação estética do produto de consumo. Visa agradar sensorialmente o consumidor, dar-lhe alimento imaginário, seduzi-lo.
Em terceiro lugar, há uma estética da atividade artística, própria das obras da cultura - pintura, escultura etc. É uma estética não apenas da produção das obras de arte, mas, também, da fruição delas. Esta estética pode, muitas vezes, ser experimental, propondo novos modos da sensibilidade.
Finalmente, há uma estética filosófica a qual tenta explicar aquelas outras experiências estéticas, dar sentido coerente às diversas vivências. Entretanto, ela própria pode tornar-se fonte de prazer. Isto ocorre quando apreciamos a beleza e harmonia de uma ideia em um texto filosófico.
1.3 O DISCURSO SOBRE A ARTE
Com relação ao discurso é importante ressaltar que tudo o que se afirma sobre a Arte faz parte, de modo geral, daquilo que chamamos de crítica de Arte. Trata-se de um conjunto de discursos, feitos a partir de pontos de vista de diversos autores, sobretudo da área de humanidades. Ainda que extremamente diferentes, esses discursos atendem a objetivos específicos: definir, classificar e qualificar a arte.
Neste sentido, a crítica de arte assumiu um papel muito importante na definição da arte. Isto ocorreu a partir de meados do século XIX, quando a arte passou a ser ensinada nas academias europeias, ganhando rigor, erudição e disciplina em seu conceito. Segundo Nicolaus
Pevsner (2009), esse movimento fez dos discursos sobre a arte um dos parâmetros para definir o que é ou não é arte, o que é ou não é uma boa obra de arte. Daí a importância de se estudar a crítica de arte ou os discursos sobre ela, como nomeamos aqui.
A crítica pode julgar uma obra apenas pelo critério técnico, por exemplo, mas é impossível a não utilização de parâmetros subjetivos para avaliar uma produção. Isto acaba resultando em normas ou juízos arbitrários que, como ensina Jorge Coli (1995), não nos conferem segurança no interior do universo das artes.
Foi o filósofo e crítico de arte estadunidense Arthur Danto que em 1964 cunhou a expressão \u201cmundo da arte\u201d. Seus estudos sobre o tema têm gerado muitos debates e interpretações acerca da existência de um universo que evoca para si a capacidade de conferir ou não a um objeto o estatuto de arte.
Influenciado por estas idéias, George Dickie, outro pensador estadunidense, chega a formular uma \u201cteoria institucional da arte\u201d que nada mais do que uma tentativa de solucionar o dilema sobre o que é arte, direcionando a atenção para a posição que elas ocupam dentro de um contexto institucional. Em sua teoria, o \u201cmundo da arte\u201d algo tão importante que um objeto só pode ser considerado como arte se tiver condições de ser apresentado a uma ou mais pessoas, que atuam em nome de determinada instituição social, que é o próprio mundo da arte.
Com efeito, as reflexões acima expostas tem origem nas intervenções de artistas como Michel Duchamp que, no começo do século XX, envia um urinol branco para ser julgado como objeto artístico no Salão da Sociedade Novaiorquina de Artistas Independentes. A peça foi rejeitada pelos juízes sob a alega ão de não se tratar de uma \u201cobra de arte\u201d. Com efeito, tratava-se tão somente de um mictório de porcelana branca, invertido e com a assinatura "R. Mutt" na lateral, que foi fábrica que o produziu. Porém, com atitudes como esta chamadas mais tarde de Ready Made, Duchamp escancara a noção de que é o lugar de exposição e a assinatura do artista que tornam os objetos \u201carte\u201d e não necessariamente as propriedades que eles carregam que fazem deles \u201cobras de arte\u201d.
Ready Made Foi o nome dado pelo artista francês Marcel Duchamp à técnica de transporte de um elemento do dia a dia, não reconhecido como artístico, para o universo das artes. Ao utilizar se de objetos \u201cj feitos\u201d este estilo visa propor conceitos, ao inv s de formas artísticas trabalhadas. Preocupa se mais com a idéia do que com as formas. Ao lado, a obra entitulada "A Fonte" (1917), que foi enviada por Duchamp ao Salão da Sociedade Novaiorquina de Artistas Independentes.
Figura 03: Marcel Duchamp's Fountain at Tate Modern by David Shankbone, London 
 photography: December 2004/Work of art:1917.
Disponível em:
Disponível em :http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marcel_Duchamp_Fountain_at_Tate_Modern_by_David_Shankbone.jpg
Um problema da influência do discurso é que, muitas vezes, ele está a serviço de determinados grupos sociais e/ou econômicos a quem interessa consolidar a noção de que apenas determinado tipo de produção pode ser considerada verdadeiramente como \u201carte\u201d, enquanto outras não mereceriam este \u201cstatus\u201d. Por m, como estes grupos e seus interesses não são perenes, uma obra ou artista marginalizado em seu tempo, pode perfeitamente alcançar notoriedade e reconhecimento póstumos, como atesta a biografia de muitos pintores e artistas.
A genialidade do artista holandês Vincent Van Gogh somente foi reconhecida após a sua morte. Durante toda a sua vida Van Gogh passou dificuldades, morou em barracos, passou fome e foi castigado pelo frio. Em seus últimos anos, devido à fragilidade de seu estado psicológico, passou a ter crises epiléticas constantes, sendo internado por diversas vezes em clínicas psiquiátricas até sua morte, em 1890.
Figura 04: G OGH, V Autorretratos, pinturas a óleo. 1889.
Disponível em:http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Self-Portrait_with_Bandaged_Ear_and_Pipe20.jpg. Acessadoem: 23/05/2012
Seu legado é o uso abstrato da cor e da forma, que influenciou largamente toda a arte do século XX. Entre suas principais obras encontram se: Auto-Retrato com Chapéu de Feltro (1887), Os Girassóis (série de 7 quadros pintados entre 1888 e1889); A Noite Estrelada (1889) e Auto-Retrato com a Orelha Cortada (1889), reproduzido na imagem acima.
RECAPITULANDO
O QUE É ARTE?
Uma idéia razoavelmente aceita sobre a arte é que ela é uma ex periência humana de conhecimento estético, capaz de formular e transmitir idéias e emoções na forma de um objeto artístico. Possui a capacidade de desafiar tanto a razão quanto o \u201ccora ão\u201d uma vez que dialoga conosco através de nossos sentidos.
O QUE É ESTÉTICA?
Na antiguidade, a est tica era tida como a \u201cciência do belo\u201d, por m, atualmente este conceito vai muito além dos julgamentos acerca da beleza ou não de um objeto, uma vez que passou a considerar outros valores artísticos. Também é possível nos referirmos à estética enquanto substantivo, na medida em que circunscreve os padrões artísticos de um determinado momento histórico. Desta forma temos a \u201cEst tica Renascentista\u201d, a \u201cEst tica Barroca\u201d, etc.
O QUE É O DISCURSO SOBRE A ARTE?
O discurso é parte do aparato cultural que envolve os objetos artísticos em nossa sociedade. Através de suas ações, buscam possibilitar sua manifestação (exposição,apresenta ão), ou ainda, como pretendem alguns, conferirem ao objeto o \u201cstatus\u201d de arte. O técnico ou crítico de arte podem perfeitamente elaborar um juízo acerca de determinada produção, pautados por critérios objetivos, porém, nada impede que,