2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte
75 pág.

2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte


DisciplinaEstética e História da Arte I673 materiais27.805 seguidores
Pré-visualização14 páginas
com o passar do tempo, este julgamento se torne obsoleto à luz de novas tendências, técnicas ou mesmo, gostos.
1.4 O QUE É HISTÓRIA DA ARTE?
Agora que já temos uma noção do que é arte, podemos nos dedicar a entender o que é a história da arte. Primeiramente, é preciso saber que história é a área de conhecimento que se dedica a estudar os homens e suas relações ao longo do tempo. Para tanto, os historiadores se debruçam sobre as remanescências de outras épocas e procuram, mediante problemas, objetos e metodologias específicas, dar a entender melhor diferentes modos de vida.
Chamamos essas remanescências de fontes históricas e estas podem ser materiais ou imateriais. São exemplos de fontes materiais os discursos impressos, os objetos, utensílios, as ruínas arquitetônicas, os monumentos, artefatos religiosos, entre outros tantos, assim como os documentos em geral. Fontes imateriais, por sua vez, s e mantém através das tradições, das lendas, do vocabulário, etc.
Ao contrário do que popularmente se acredita e do que ainda hoje se ensina nos bancos escolares, a história não se ocupa unicamente dos acontecimentos políticos e ou econômicos relativos às na es e s \u201cgrandes personalidades\u201d. Aliás, desde a Escola dos Annales históriatambém se dedica ao estudo das idéias religiosas, dos usos e costumes dos povos e também de suas manifestações artísticas, uma vez que, nas palavras de Ernest Grosse (1893), não existe povo sem arte.
Para Grosse, cabe à história da arte estudar o desenvolvimento cultural dos povos tal como manifestado em sua produção artística. Grosse acredita que sua missão está mais no estudo e na descrição da história da arte que na explicação dos fatos. Todavia, esta que se constitui como ciência autônoma desde o século XIX, não deve servir somente à catalogação de \u201cartes\u201d e de \u201chistórias\u201d. Seu estudo sistem tico um instrumento importantíssimo para desvendar \u201cpensamentos\u201d e \u201csentimentos\u201d de outros povos e de outras épocas.
Normalmente, os pensadores que se dedicaram a este assunto acabaram por dialogar mais com a história das artes visuais mais tradicionais, como a pintura e a escultura, mas, mesmo quando não o fazem diretamente, é possível estender suas análises às demais formas de manifestação artística.
É comum também vermos a História da Arte associada somente ao estudo da evolução artística ocidental. Isto se dá um pouco em consequência do eurocentrismo que permeava praticamente quase todas produções intelectuais dos séculos XVIII e XIX, mas também à falta de conhecimento pleno das produções artísticas de outras culturas, como as do extremo oriente ou as africanas. A partir do século XX, com o fenômeno conhecido como globalização, este cenário será alterado condideravelmente.
A História da Arte se dedica a trabalhar com a história das idéias, com os conceitos que fundamentam as obras de arte, mas também se preocupa com a história das técnicas e dos temas representados. Porém, é preciso ressaltar, o seu enfoque é dentro de um tempo e um espaço, organizado por meio de métodos de pesquisa e classificação. Seu trabalho consiste em inventariar, catalogar, entender e situar a obra de arte dentro de um contexto histórico-cultural.
Nas breves linhas que se seguem buscaremos examinar a História da Arte, que é a história da humanidade contada a partir das obras de arte e seus entendimentos. O homem, objeto da história, é o mesmo, mas aqui acompanharemos sua trajetória a partir de cores, sons,gostos e formas peculiares.
 A \u201cEscola dos Annales\u201d foi um movimento historiogr fico do s culo XX, articulado
\u201cAnnales d\u2019Histoire Économique et Sociale\u201dem torno do periódico, que foi fundado por Lucien Febvree Marc Bloch.
A \u201cEscola\u201d pregava a aproxima ão da história a outros ramos das ciências humanas, como a geografia e a sociologia. Deixou sua marca na historiografia, ampliando os horizontes do estudo da história para al m dos acontecimentos ditos \u201crelevantes\u201d, preocupando-se também com as instituições, com as modas e com as mentalidades.
1.5 COMO SE ESCREVEU A HISTÓRIA DA ARTE?
A arte tem um papel, não necessariamente uma função. É a partir desta perspectiva que nos propomos a observá-la no decorrer da história da humanidade, uma vez que ela se mostra presente desde o momento que nossos antepassados desceram das árvores. Salvo exceções pontuais, a forma como os pensadores, historiadores, pesquisadores e críticos em geral optaram pela representação da História da Arte, foi a da linearidade emprestada da narrativa histórica. O cruzamento destas linhas permite a interpretação da produção artística à luz dos acontecimentos históricos, geográficos, políticos e sociais.
Esta divisão do tempo em períodos históricos permite uma melhor organização de artistas e de tendências, muitas vezes chamadas de \u201cescolas\u201d, por representarem um pensamento ou estética predominante durante um período e que é passado de geração em geração.
Este esforço contínuo de transmissão do conhecimento artístico não começa na pré-história, e sim, às margens do Nilo, há aproximadamente cinco mil anos atrás. Mas seria um equívoco não iniciar nossos estudos pelas primeiras manifestações artísticas da humanidade, pois de outra forma não teríamos a oportunidade de observar o quão importante foi o papel exercido pela arte desde o princípio da humanidade.
Estudar estes povos primitivos torna-se um imperativo neste momento, justamente pelo fato da História da Arte tê-los mantido por tanto tempo distante de sua análise.
Figura 05: Cervo pintado na \u201cCueva de Las Chimenesas\u201d de Monte Castillo, Puente Viesgo (Cantabria, Espanha)
Disponível: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cueva_de_Chimeneas_(ciervo).png. Acessado em: 22/05/2012
A História da humanidade pode ser dividida em dois grandes períodos: antes e depois da escrita. Normalmente, o período anterior ao advento da escrita é chamado equivocadamente de \u201cPré -História\u201d. Este termo permite a interpreta ão errônea de que só existe história durante o período literário, quando sabemos que, antes deste, existia sim história, contada, porém, de uma maneira diferente. Os sistemas de escrita evoluíram de forma independente em várias regiões do planeta, como Mesopotâmia, China e Egito, e não sofreram influências mútuas, ao menos em seus começos. É bem provável que as escritas mais antigas sejam a escrita cuneiforme, dos sumérios e os hieróglifos, dos antigos egípcios. Ambos os sistemas foram criados há aproximadamente 5.500 anos.
Sem dúvida, a partir do momento que os povos começaram a registrar de forma escrita as informações que julgavam importantes, ficou bem mais fácil para os historiadores entender o funcionamento daquelas sociedades. Além dos artefatos arqueológicos, das obras de arte, temos a partir deste momento, o pensamento destes povos registrados de forma verbal ecoando através dos séculos.
Figura 06: Gravura de um homem Maori tatuado
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Maori_gravure.jpg. Acessado em: 22/05/2012
Porém, ao traçar a cronologia da arte, os historiadores desta matéria se defrontaram com um problema prático. Como interpretar os sinais e a produção artística dos primeiros habitantes do planeta? Sem dúvida, tratou-se de um problema de difícil solução, uma vez que quanto mais recuamos no tempo, mais nos distanciamos dos fatos históricos e da compreensão plena dos acontecimentos. Quando a proposta é estudar o período anterior ao advento da escrita, esta tarefa se torna quase impossível.
A solução dos