2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte
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2015 Apostila de Estetica e Historia da Arte


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No ano 324 da nossa era, devido às freqüentes incursões bárbaras, o imperador Constantino decide transferir a capital do Império Romano para Bizâncio, cidade grega depois chamada de Constantinopla, em sua homenagem. Como em um jogo de futebol, o movimento defensivo de Constantino foi um convite ao avanço dos bárbaros, que se apoderaria m de Roma pouco depois.No campo artístico, a mudança permitiu o surgimento da Arte Bizantina, o primeiro estilo de arte cristã. As múltiplas influências decorrentes de sua localização geográfica possibilitaram o nascimento de um estilo diferenciado tanto na técnica quanto na cor.
Aqui,a temática religiosa é predominante. A produção artística é cuidadosamente controlada por um estado teocrático que usa a arte como propaganda de seus líderes e de sua doutrina. A Arte Bizantina tornou-se mundialmente famosa por seus mosaicos, que consistem em inúmeros pedaços de pedra e vidro coloridos, muitas vezes, folheados a ouro.
 Figura : Detalhe de mosaico presente na Igreja de Santa Sofía, em Istambul.

Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Hagiasophia-christ.jpg. Acessado em: 23/05/2012

Apesar da tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453, a arte bizantina extravasou em muito os limites territoriais e temporais do império, penetrando em toda a Europa, África e Ásia.

2.3.2 Arte islâmica

O calendário islâmico começa no ano 622 da era cristã. Foi nesta data que o profeta Maomé fugiu de Meca para Yatrib, posteriormente conhecida como Medina, para organizar sua doutrina e seu retorno para a cidade que o expulsou. Após o sucesso desta empreitada, os Califas, sucessores de Maomé, continuam suas investidas em todo o território conhecido hoje como Península Arábica, norte da África e Península Ibérica. Essa expansão só seria interrompida por Carlos Martel em 732, na Batalha de Poitiers.
Durante essa expansão Islâmica, foram assimiladas as cúpulas bizantinas que hoje se encontram em seus templos religiosos, bem como a tapeçaria persa e os mosaicos europeus.Com o passar do tempo, destacam-se sobremaneira tanto arquitetonicamente na construção de mesquitas, quanto na tecelagem de seus tapetes. Não possuíam quase que nenhuma tradição na pintura, se limitando a absorver a estética dos povos dominados. Destas combinações nasceram os afrescos e as miniaturas.
Os afrescos serviam para enfeitar prédios públicos e eram muito semelhantes à arte helênica, embora fortemente influenciados pela cultura local. A miniatura árabe era usada para ilustrar publicações de divulgação científica, a fim de facilitar a compreensão do texto e para acompanhar as narrativas das obras literárias.
No tocante ao restante das produções pictóricas, é nítida uma predileção pelo geométrico e pelo abstrato. A fim de evitar a representação humana, que começava a ser encarada como heresia (Maomé sempre era representado sem rosto), surge o arabesco, resultado da combinação de traços ornamentais com a caligrafia.
 Figura : Exemplo de arabesco

Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Roof_hafez_tomb.jpg Acessado em: 22/05/2012

2.3.3 A arte da Europa Ocidental

A partir de Carlos Magno, no século VIII,perceberemos um esforço no sentido de valorização das artes na Europa Ocidental. Dois estilos se destacarão na Europa Ocidental durante essa Idade Média, o Românico e o Gótico.
O estilo Românico, assim chamado devido à sua semelhança com as construções dos antigos romanos, surge no século XI. Suas principais características são as abóbadas, em substituição ao telhado das basílicas; pilastras maciças para sustentar as grossas paredes; aberturas raras e estreitas usadas como janelas; torres, que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada; e arcos redondos.
As igrejas românicas são comumente chamadas de Fortalezas de Deus, devido à força de sua arquitetura combinada com seu caráter monástico. O ambiente interno deveria ter pouca luminosidade e quase nenhum estímulo visual a fim de favorecer a introspecção e à devoção.

 Figura: Frente da Sé de Lisboa, exemplo de arquitetura românica.

Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Se_de_Lisboa_Frente.JPG Acessado em 27/05/2012.

Já no começo do século XII, com o renascimento comercial e urbano, a vida social do homem medieval começa a migrar do campo para as cidades. Neste momento, a arte românica convive agora com um novo estilo mais leve e aprimorado, que respira as transformações que se anunciam no horizonte.
Nasce a arte gótica. Entre suas características principais, se encontra o arco ogival e as nervuras nas abóbadas cruzadas que permitiam o lançamento de coberturas mais altas e leves.
Os complicados sistemas de suporte permitiram paredes mais finas que, combinadas com os imensos vitrais, criaram um ambiente mais iluminado e arejado. Além disso, três portais dão acesso às naves do interior da igreja: uma nave central e duas naves laterais.
Outro elemento ornamental muito importante do estilo gótico é a rosácea. A rosácea consiste em uma abertura circular onde um desenho geométrico é preenchido com vidro colorido. A luz filtrada através de suas cores, simboliza o contacto com a espiritualidade e a ascensão ao sagrado.

Figura: Detalhe de rosácea do século XIII, ilustração de 1856.

Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Rosace.XIIIe.siecle.png. Acessado em: 27/05/2012

Por se tratar de um estilo artístico imediatamente anterior ao renascimento cultural e científico, os pensadores da renascença sempre se referiam à estética gótica de forma depreciativa. Inclusive a forma como a nominamos ainda hoje é uma referência pejorativa à uma falsa origem bárbara germânica (goti), sendo que esta arquitetura, na verdade, nasceu na França.
A arte gótica é perfeitamente condizente com este período de transição da Idade Média para a Idade Moderna chamada na literatura de \u201chumanismo\u201d. Sua arquitetura privilegiava a luz, em oposição às trevas. Seus vitrais, não raras vezes, retratavam trabalhadores em seus ofícios cotidianos e suas construções não serviam apenas como templos religiosos, mas também como bibliotecas, escolas e salas de reuniões para assuntos variados. Com efeito, estas catedrais não eram tão somente igrejas, mas o coração da vida de muitas comunidades. Nas palavras de Edward McNall Burns (1971), \u201cse algum significado espiritual tinha a arquitetura gótica, era como símbolo de uma religião que passara a reconhecer a import ncia desta vida\u201d.

 Figura: FRANTZ, Ricardo André. Vista interna da Catedral de Notre-Dame, París[20]

Disponível em: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Notredame8b.jpg. Acessado em: 23/05/2012

 Percorremos os caminhos traçados pela humanidade desde sua aurora até o fim da Idade Média. Vimos a produção pictografica da chamada \u201cPré- História\u201d. A arte do Egito, Grécia e Roma antigas. E a produção artística dos bizantinos, islâmicos e dos povos da Europa ocidental, dentro do contexto da Idade Média. Aqueles que desejarem conhecer um pouco mais sobre a arte dos povos primitivos poderá buscar a obra de Ernest Grosse chamada \u201cAs Origens da Arte\u201d. O livro foi escrito em 1893, mas é considerado um \u201cdivisor de águas\u201d com relação aos mé todos de pesquisa empregados e à qualidade de sua