Direito Administrativo - OAB Fase 1
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*REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO* 
 
O Regime Jurídico Administrativo é o conjunto harmônico de princípios que definem a lógica da atuação do ente 
público, a qual se baseia na existência de limitações e prerrogativas em face do interesse público. Esses princí-
pios devem resguardar essa lógica, havendo, entre eles, um ponto de coincidência. 
 
- Confere prerrogativas (Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o Particular) e restrições (Pe-
rece da Indisponibilidade do Interesse Público) - São os SUPERPRINCÍPIOS, dos quais decorrem os outros 
Princípios. 
 
- Garrido Falla: Denomina tal circunstância de \u201co Binômio do direito administrativo\u201d (prerrogativas e sujeições). 
Maria Sylvia chama de \u201cBipolaridade do Direito Administrativo\u201d. 
 
Princípios decorrentes desses 02 (dois) Princípios (SUB-PRINCÍPIOS). Art. 37, caput, da CF: Princípios Cons-
titucionais da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. 
 
\uf0a7 LEGALIDADE. A Administração Pública só pode atuar conforme a lei, todas as suas atividades estão subordi-
nadas aos comandos legais. Diferentemente da Legalidade no âmbito do Direito Civil, onde o que não está proibi-
do está permitido (art. 5°, II, CF). Por outro lado, na Legalidade Administrativa, o administrado só atuará com pré-
via autorização legal, sem a qual a Administração não pode agir. 
 
\uf0a7 IMPESSOALIDADE (art. 37, § 1º, da CF). A Administração Pública tem que agir objetivamente em prol da 
coletividade. Os atos de pessoalidade são vedados, o exercício da atividade administrativa é atribuição da Admi-
nistração e a ela são imputadas todas as condutas dos agentes públicos. Teoria do Servidor (agente público de 
fato). 
 
- As publicidades da Administração não poderão conter nomes de administradores ou gestores, serão meramen-
te informativas, educativas ou de orientação social. 
 
OBS: Princípio da intranscendência - Trata-se de princípio que excepcionaliza a idéia de impessoalidade. O 
princípio da intranscendência subjetiva das sanções, consagrado pelo STF, inibe a aplicação de severas sanções 
à entidades federativas por ato de gestão anterior à assunção dos deveres públicos. 
 
\uf0a7 MORALIDADE. Maurice Hauriou, 1927: noção de Administração proba, a Moralidade Administrativa seria um 
conjunto de regras extraídas da boa e útil disciplina interna da Administração. Representa um conjunto de valores 
que fixam um padrão de condutas que deve ser observado na atividade administrativa, no sentido de que ela atue 
com retidão de caráter, ética, honestidade, decência, lealdade, boa-fé. 
 
- Não basta que as atividades da Administração estejam de acordo com a lei, essas atuações têm que ser condu-
zidas com Lealdade, Ética e Probidade. 
 
\uf0e0 Art.5°, LXXIII da CF/88 \uf0e8 Ação Popular para controlar a Moralidade Administrativa dos agentes públicos. 
 
\uf0a7 PUBLICIDADE. Transparência no exercício da atividade administrativa. 
 
- Exceções: Assuntos que tratem da segurança nacional; certos interesses sociais, ou de foro íntimo (privacidade, 
intimidade). 
 
\uf0a7 EFICIÊNCIA. Introduzido pela EC 19/98, antes já era Princípio Infraconstitucional. A atuação da Administração 
deve ser: 
 
\uf0d8 Rápida: Dinamismo, celeridade, descongestionar e desburocratizar. 
\uf0d8 Perfeita: Completa, satisfatória. 
\uf0d8 Rentável: ótima, máxima com menor custo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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OUTROS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: 
 
\uf0a7 Princípio da Finalidade Pública. 
 
\uf0d8 Finalidade Pública Geral. Impõe que a atuação administrativa seja sempre voltada à coletividade, ao interesse 
público, nunca para atender interesses particulares. 
 
\uf0d8 Finalidade Pública Específica. Determinados atos devem atingir fins específicos. Se este ato é praticado para 
atingir outro fim que não seja o seu fim específico, estará ferindo o Princípio da Finalidade Pública (desvio especí-
fico de finalidade). 
 
\uf0a7 Princípio da Presunção de Legitimidade ou Veracidade dos Atos Administrativos. 
 
\uf0d8 Até que se prove o contrário os atos da Administração são legais e legítimos (presunção relativa, juris tantum). 
Sua ilegalidade terá que ser provada, e até que se prove os atos serão válidos. 
 
\uf0a7 Princípio da Auto-tutela (Constitucional). 
 
\uf0d8 A Administração tem prerrogativa de controlar sua própria atuação para corrigir seus próprios atos. PODERÁ 
anular o ato que ela mesma praticou, quando o ato estiver eivado de ilegalidade \uf0e8 Súmula 346, STF: \u201cA Admi-
nistração Pública pode declarar a nulidade de seus próprios atos\u201d. 
 
\uf0d8 A Administração PODERÁ invalidar seus próprios atos eivados de ilegalidade (dos quais não se originam direi-
tos) e revogar atos por motivos de conveniência e oportunidade. \uf0e8 Súmula 473, do STF: \u201dA Administração pode 
anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos, 
ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em 
todos os casos, a apreciação judicial\u201d. 
 
\uf0d8 Em todos esses casos de invalidação e revogação, o Poder Judiciário poderá ser provocado e deverá apreciar 
os atos de invalidação e os de revogação. No entanto, a apreciação judicial restringe-se a aspectos formais, não 
havendo controle de mérito, pois não se pode apreciar a conveniência e oportunidade da revogação. Daí o caráter 
de não definitividade do autocontrole da Administração, que não faz coisa julgada. 
 
\uf0d8 Lei 9.784/99, art. 53 \uf0e8 Processo Administrativo Federal: \u201cA Administração DEVE ANULAR seus próprios 
atos, quando eivados de vícios de legalidade e PODE REVOGÁ-LOS por motivos de conveniência ou oportunida-
de, respeitados os direitos adquiridos\u201d. 
 
\uf0a7 Princípio da Motivação. 
 
\uf0d8 Em regra, a Administração deve enunciar as razões que a levaram a expedir determinado ato. Incisos IX e X, 
do Estatuto da Magistratura: As decisões administrativas no exercício de função atípica do judiciário devem ser 
fundamentadas. 
 
\uf0d8 Entende-se por Motivo a razão de fato ou de direito que autorizou ou determinou a prática de um ato. Já a 
Motivação se trata da Exigência de explicitação, de enunciação dos motivos. 
 
\uf0d8 Exceções ao Princípio da Motivação: A Exoneração ad nutum, que se refere àquela aplicável aos ocupantes 
de cargo em comissão, prescinde de motivação. Entretanto, se a Administração motivar ato que poderia não ser 
motivado, estará vinculada aos motivos que explicitou. Os motivos vinculam todo o ato, e se não forem respeita-
dos, o ato poderá ser apreciado pelo Judiciário (Teoria dos Motivos Determinantes). Ex. agente destituído por 
improbidade, esta deverá ser provada. 
 
\uf0a7 Princípio da Proporcionalidade Ampla ou da Razoabilidade (STF). 
 
\uf0d8 Os meios adotados pela Administração, voltados a atingir determinados fins, devem se apresentar como: 
 
a) Adequados: deve lograr com sucesso a realização do fim. 
 
 
 
 
 
 
 
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b) Necessários: entre os diversos meios igualmente adequados, a Administração tem que optar pelo meio que 
menos restrinja o direito do administrado. 
c) Proporcionais, em Sentido Estrito (elemento da proporcionalidade ampla): a Administração deve promover 
ponderação entre vantagens e desvantagens, entre o meio e o fim, de modo que haja mais vantagens que des-
vantagens, sob pena de desproporcionalidade do ato. 
 
\uf0a7 Princípio da Continuidade. 
 
\uf0d8 Estampado no art. 6º, §1º, da lei 8.987/95, define que a atuação administrativa deve ser ininterrupta. 
 
\uf0d8 Ressalva 1 \u2013 o servidor público tem direito de greve que será exercido nos termos de lei específica. Enquanto 
não houver lei específica para regulamentação, fará greve nos moldes da Lei Geral de Greve, no entendimento do 
STF. 
 
Por seu turno, o Supremo Tribunal Federal, em 2016, na análise do Recurso Extraordinário