CRIMES CONTRA A HONRA EM REDE UMA ANALIS
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CRIMES CONTRA A HONRA EM REDE UMA ANALIS


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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA \u2013 UnB
Faculdade de Direito \u2013 Graduação - Diurno
CRIMES CONTRA A HONRA EM REDE: UMA ANÁLISE DA OCORRÊNCIA DE CALÚNIA, DIFAMAÇÃO E INJÚRIA NO MEIO VIRTUAL
Discente: Alanna Nathália Pereira Lopes
Matrícula: 17/0004325
INTRODUÇÃO
É notável que o avanço tecnológico em comunicação e informação, sobretudo a internet, provocou mudanças significativas no meio social, porquanto que houve a transformação em uma sociedade informacional e dependente desses serviços digitais.
Nesse sentido, é inquestionável o aspecto positivo que a internet possui, no entanto, há uma questão que incita a ocorrência de crimes virtuais, que é o anonimato. Esse fator favorece a conduta de agentes que pretendem localizar e capturar imagens, vídeos ou até a prática de atos sexuais proibidas por lei, buscando na internet por essa não possuir fronteiras e não existir leis específicas para estes delitos.
Assim, o presente trabalho teve como finalidade analisar os crimes contra a honra praticados no meio virtual. Com base nisso, esse artigo buscou questionar: Quais são os crimes contra a honra praticados no meio virtual? E de que forma o poder público está tentando combater esses crimes?
Para a realização do artigo foi utilizada a de pesquisa relativa à legislação, à doutrina e à jurisprudência, compreendendo livros e artigos relacionados à temática abordada. E em conclusão irão seguir as considerações finais deste artigo, retratando de forma sucinta pontos observados durante a pesquisa, sem que haja a pretensão de esgotar os sentidos, apenas apontamentos.
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
A honra é um direito fundamental, e a sua inviolabilidade está prevista no inciso X do artigo 5º da Constituição Federal de 19881: \u201cX - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação\u201d. A definição de honra é muito relativa, uma vez que o seu significado pode variar conforme a pessoa, de acordo com a sua personalidade, seus valores, sua origem, cultura, nacionalidade, condição social e diversos outros fatores influenciadores.
Os crimes contra a honra estão previstos no Código Penal (artigos 138 a 140), e também no Código Penal Militar (artigos 214 e 219), na Lei de Imprensa (artigos 20 a 22), no Código Eleitoral (artigos 324 e 326), na Lei de Segurança Nacional (artigo 26) e no Código Brasileiro de Telecomunicações (artigo 53, \u201ci\u201d); porém, a maior parte dos crimes são punidos conforme o Código Penal. O procedimento a ser seguido nos crimes de calúnia e injúria está previsto nos artigos 519 a 523 do Código de Processo Penal, possibilitando a reconciliação entre as partes, bem como a arguição de exceção da verdade ou na notoriedade do fato.
Calúnia
O crime de calúnia está descrito no artigo 138 do Código Penal, com base nisso é possível definir calúnia como a falsa imputação de um fato criminoso a outrem, sendo a conduta mais grave de todas aquelas que o Código Penal prevê no capítulo dos crimes contra a honra. Este delito se configura quando alguém imputa a outrem, um fato que além de saber ser falso, também é definido como crime.
O bem juridicamente protegido é a honra objetiva da vítima, que foi bem definida pelo doutrinador Cezar Roberto Bittencourt2:
(...) a honra objetiva, isto é, a reputação do indivíduo, ou seja, é o conceito que os demais membros da sociedade tem a respeito do indivíduo, relativamente a seus atributos morais, éticos, culturais, intelectuais, físicos ou profissionais.
A calúnia se consuma quando um terceiro, que não a vítima, toma conhecimento da atribuição falsa pelo sujeito ativo, e já é suficiente para a consumação que apenas uma pessoa tenha ouvido, lido ou percebido a acusação. Segundo o parágrafo 1º do
1 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal.
2 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal, v. 2, p. 327
artigo, também é punível com a mesma pena do caput, o sujeito que propala ou divulga a calúnia. Segundo Damásio de Jesus3:
Propalar é relatar verbalmente. Divulgar é relatar por qualquer outro meio. Nesses subtipos de calúnia (...) é imprescindível que tenha vontade direta de causar dano à honra alheia, conhecendo perfeitamente a falsidade da imputação.
Sendo assim, conclui-se que o caput admite o dolo direto ou eventual, ou seja, quando o autor tem a real intenção de ferir a honra da vítima, ou tem dúvida sobre a veracidade da imputação. Já o subtipo só é configurado quando houver dolo direto.
Nos termos do artigo 141, a pena poderá ser aumentada de um terço, quando a calúnia for cometida contra: o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro; funcionário público, em razão de suas funções; na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a sua divulgação; ou pessoa maior de 60 anos ou portadora de deficiência. Será aplicada em dobro, quando for cometido mediante pagamento ou promessa de recompensa.
Difamação
O crime de difamação encontra-se previsto no artigo 139 do Código Penal. A difamação é a atribuição de um fato meramente ofensivo à reputação de outrem, a imagem da vítima perante a sociedade. Diferentemente da calúnia, o fato não precisa ser definido como crime; e independe se é verdadeiro ou não, exceto na hipótese do parágrafo único. São essas distinções que fazem este delito ser considerado menos grave do que a calúnia.
Para a consumação da difamação, se exige o conhecimento da imputação por um terceiro. Basta que uma única pessoa, além da vítima, esteja ciente. A atribuição do fato infamante precisa ser dolosa, seja o dolo direto ou eventual. A intenção do agente deve ser clara: denegrir a honra objetiva da vítima, não existindo dolo quando houver o animus jocandi.
A pena também será aumentada de um terço quando o crime for praticado contra as pessoas do artigo 141 do Código Penal, ou dobrada se foi cometido mediante pagamento ou promessa de recompensa.
3 JESUS, Damásio E. de. Direito penal. V. 2, p. 212
Injúria
O último crime contra a honra, a injúria, encontra-se descrito no artigo 140 do Código Penal. A injúria é considerada como a menos grave entre as três infrações atentatórias à honra. Porém, quando se referir à cor, raça, etnia, origem, religião ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, poderá se transformar na mais grave, sendo denominada de \u201cinjúria preconceituosa\u201d, tipificada no parágrafo 3º do artigo, cuja pena é mais severa do que a do homicídio culposo.
Diversamente da calúnia e da difamação, aqui se protege a honra subjetiva do indivíduo, isto é, o sentimento pessoal de cada um. Nesta infração, não se imputa fatos, e sim atributos ofensivos à honra da vítima, independendo se são verdadeiros ou não. Assim como esclarece Francisco Munõz Conde4:
É necessário que se tenha consciência do caráter injurioso da ação ou expressão e vontade, em que pese isso, de realiza-la. Esta vontade se pode entender como uma intenção específica de injuriar, o chamado animus iniuriandi. Não basta, pois, com que a expressão seja objetivamente injuriosa e o sujeito tenha conhecimento disto, senão que se requer um ânimo especial de injuriar.
Ainda sobre o artigo 140, o parágrafo 1º, em seus incisos I e II, trata do perdão judicial, que é a possibilidade do juiz não punir o agente em duas hipóteses: quando o ofendido provocou diretamente a injúria e no caso de retorsão imediata. Há ainda, os casos de injúria coletiva, e segundo Darcy Arruda de Miranda5:
Ainda que vários ofendidos, não deve ser identificado um crime múltiplo, mas único, pois como diz Manzini, cada qual dos membros da coletividade é atingido, não na sua distinta individualidade, mas como parcela de um todo (...). Cada um dos componentes desta pode exercer o direito de queixa, mas a pena aplicável é uma só.
As determinações do artigo 141 também se aplicam neste crime. A pena será aumentada de um terço quando a injúria for praticada