psicologia_do_desenvolvimento
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esse posicionamento diante da sociedade contemporânea.
As diferentes linhas do pensamento psicológico
Como decorrência dessa necessidade de se colocar socialmente como ciên-
cia, muitas correntes foram se estabelecendo na Psicologia, tentando entender 
como o ser humano poderia ser concebido. Mostraremos algumas delas e seus 
principais pressupostos.
As primeiras correntes psicológicas
As primeiras correntes psicológicas dos estudos da Psicologia do Desenvol-
vimento estavam centradas em definir métodos de estudos da personalidade 
humana e comprovar empiricamente como os comportamentos manifestavam-
se e suas implicações.
Aspectos históricos da Psicologia do Desenvolvimento
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Funcionalismo
Seus representantes mais destacados são o pedagogo e filósofo americano 
John Dewey (1859-1952) e o filósofo americano William James (1842-1910). Eles 
incorporam a concepção do naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), afir-
mando que a mente e a conduta humana são adaptativas e que o ponto central 
da Psicologia está na ação ou na conduta. Para Dewey e James, o que a cons-
ciência possui é menos importante do que aquilo que ela faz. Segundo esses 
autores, não existe produção mental que não seja acompanhada de uma modi-
ficação corporal. Além disso, eles apresentam a relação estímulo-resposta como 
a proposta metodológica de seu trabalho.
A Psicologia funcionalista interessa-se em compreender como ocorre o fun-
cionamento e adaptação da mente dos indivíduos no meio em que se inserem. 
De acordo com Schultz e Schultz (1992), o funcionalismo estuda as influências 
das crenças no comportamento emocional e corporal das pessoas, bem como in-
vestiga a formação dos conceitos de acordo com as necessidades humanas. Para 
essa corrente psicológica, as pessoas apresentam comportamentos diferencia-
dos em relação aos estímulos que recebem. Não existe uma única resposta aos 
estímulos, mas as respostas variam conforme os comportamentos adaptativos 
das pessoas. Portanto, a consciência e as sensações são mutáveis. O funcionalis-
mo investigou a estrutura psicológica de diferentes populações, como animais, 
crianças, povos primitivos e deficientes, para descobrir as variações nas organi-
zações mentais desses grupos.
Associacionismo
Para o psicólogo americano Edward Lee Thorndike (1874-1949), o compor-
tamento do sujeito é modelado pelo ambiente e segue leis que o direcionam. E 
esse comportamento só será efetivo se for condicionado por três princípios:
Lei do efeito \ufffd \u2013 a aprendizagem se manterá ou não segundo as conse-
quências que produz (reforçamento);
Lei do exercício \ufffd \u2013 a importância da prática para que se mantenham as 
conexões nervosas e se fortaleça o aprendido;
Lei da disposição \ufffd \u2013 se não existe disposição, não se produz comporta-
mento aprendido, pois é a disposição que permite o comportamento.
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Psicologia do Desenvolvimento
Thorndike propunha conexões entre estímulos e respostas. Seus experimen-
tos envolviam o uso de animais. Um dos seus estudos clássicos foi a experiência 
que realizou com um gato, privado de alimentos, que ficou em uma caixa fecha-
da com vários trincos. O animal, para sair da caixa, tinha que encontrar a alavan-
ca correta para acessar o alimento, que estava do lado de fora. Através da lei do 
exercício, com diversas tentativas de ensaio e erro: de empurrar, farejar e dar pa-
tadas, o gato conseguiu abrir a alavanca. Em outras situações, quando o animal 
era recolocado novamente na caixa, acionava a alavanca e conseguia o alimen-
to; manifestava-se, assim, a lei do efeito. A comida era sua recompensa e funcio-
nava como um reforço positivo. Porém, quando o gato acionava a alavanca e 
não encontrava o alimento, sua resposta era enfraquecida. O uso prolongado da 
resposta incorreta fazia com que a resposta fosse sendo extinta, pois funcionava 
como um reforço negativo. Portanto, para os conexionistas, um comportamento 
tanto podia ser reforçado como poderia ser esquecido, se não fossem realizadas 
as conexões necessárias. Se o animal não encontrasse uma maneira de alcançar 
o alimento desejado, não havia disposição para realizar a ação. O que predo-
minava nesses estudos era a observação de comportamentos e as associações 
realizadas pelos animais e também pelo homem em suas expressões.
Estruturalismo
Tem como seus principais representantes o psicólogo e fisiologista alemão 
Wilhelm Wundt (1832-1920) e o psicólogo americano Edward Bradford Titchener 
(1867-1927), os quais, no começo do século XX, discutiram com pensadores da 
época o conceito de mente e certas condições do método da introspecção cien-
tífica. O objeto de estudo dessa escola é a consciência mediante a introspecção 
e a auto-observação controlada. A mente, ou consciência imediata, não é algo 
substancial, mas somente processos elementares da atividade mental: sensação, 
sentimento e imagem.
Para Davidoff (1983), a Psicologia experimental de Wundt estuda as operações 
mentais centrais como: atenção, intenções e metas. Os sujeitos desses estudos 
são treinados para descrever, da forma mais objetiva possível, suas experiências 
com determinados estímulos de cores, sabores e odores. Wundt interessava-se 
por anatomia e desenvolvia a vida acadêmica voltada para a pesquisa fisiológica 
sobre as percepções sensoriais. O sistema da introspecção, proposto e praticado 
nos laboratórios de Wundt, refletia o método que os psicólogos utilizavam para 
que os sujeitos das pesquisas relatassem suas experiências internas em relação 
Aspectos históricos da Psicologia do Desenvolvimento
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aos estímulos ambientais. Esses relatos eram os julgamentos e as observações 
conscientes dos sujeitos sobre o tamanho, intensidade e duração dos estímulos. 
A partir desses experimentos e relatos, Wundt descrevia a maneira como a cons-
ciência humana era estruturada.
Correntes teóricas da Psicologia no século XX
Essas correntes teóricas investigam as influências dos comportamentos bio-
lógicos na constituição dos homens e seu intelecto. Tanto na concepção inatista 
do desenvolvimento como no behaviorismo, o aspecto biológico é predomi-
nante nos estudos. Já na Gestalt, as influências culturais no desenvolvimento 
humano começam a ser pesquisadas.
Inatismo
A concepção inatista do desenvolvimento humano considera que o comporta-
mento do homem é inato. Ou seja, as características de sua personalidade nascem 
com ele e não são modificadas ao longo do seu processo de desenvolvimento.
Oliveira (1990), ao analisar a teoria inatista, descreve que essa concepção de 
desenvolvimento tem como princípio a ideia de que não somente a persona-
lidade, mas os valores do homem, seus hábitos, crenças, reações emocionais 
e sua forma de pensar já se encontrariam prontas desde o nascimento do in-
divíduo. O ambiente, portanto, exerceria pouca influência no comportamento 
do indivíduo. Essa concepção teórica é tipicamente representada no ditado 
popular: \u201cPau que nasce torto morre torto\u201d.
Gestalt
Questionando o reducionismo proposto pelo estruturalismo e pelo funcio-
nalismo, a Gestalt prega que o todo é maior que a soma de suas partes, assim bus-
cando ser uma Psicologia integrativa de caráter globalista. Propõe que, para en-
tender o todo, é preciso analisá-lo em sua configuração, analisando e integrando 
as suas partes constituintes.
A Gestalt, segundo Davidoff (1983), surgiu como protesto contra o estrutu-
ralismo, principalmente contra a prática de se reduzir experiências complexas 
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Psicologia do Desenvolvimento
a elementos simples. A invenção do cinema foi a demonstração de como uma 
série de fotografias e imagens imóveis, quando eram rapidamente apresenta-
das, transformavam-se em imagens contínuas. Dessa maneira, verificava-se que 
o filme retratado nas telas esboçava o todo das partes que o compunham. O 
movimento aparente não podia ser