psicologia_do_desenvolvimento
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seu ou alheio, e fazia com que o sonhador associas-
se ideias e lembranças de cada uma delas. Foi possível assim descobrir que os 
A teoria psicanalítica de Sigmund Freud
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sonhos diziam respeito, em parte, aos acontecimentos do dia anterior, embora 
se relacionassem também com os medos infantis do sujeito.
Igualmente ele descobriu algumas das regras da lógica das emoções que 
produz os sonhos. Vejamos as mais conhecidas. Com frequência, uma figura 
aparece nos sonhos, uma pessoa, uma situação, representa várias figuras fun-
didas, significa isso e aquilo ao mesmo tempo. Chama-se este processo de con-
densação, e ele explica o porquê de qualquer interpretação ser sempre muito 
mais extensa do que o sonho interpretado. Outro processo, chamado de des-
locamento, é o de dar o sonho uma importância emocional maior a certos ele-
mentos que, quando da interpretação, se revelarão secundários, negando-se 
àqueles que se mostrarão realmente importantes. Um detalhezinho do sonho 
aparece, na interpretação, como elo fundamental.
Digamos que o sonho, como um estudante desatento, coloca erradamen-
te acento tônico (emocional, é claro), criando um drama diverso do que de-
veria narrar; como se dissesse Ésquilo por esquilo [...] Um terceiro processo de 
formação de sonho consiste em que tudo é representado por meio dos sím-
bolos e, um quarto, reside na forma final do sonho que, ao contrário da inter-
pretação, não é uma história contada por palavras, porém uma cena visual.
[...]
Do conjunto de associações que partem do sonho, o intérprete retira um 
sentido que lhe parece razoável. Para Freud, e para nós, todo sonho é a ten-
tativa da realização de um desejo.
[...]
Será tudo apenas um brinquedo, uma charada que se inventa para resol-
ver? Não por certo [...].
Apenas você deve compreender que o inconsciente psicanalítico não é 
uma coisa embutida no fundo da cabeça dos homens, uma fonte de motivos 
que explicam o que de outra forma ficaria pouco razoável \u2013 como o medo 
de baratas ou a necessidade de autopunição. Inconsciente é o nome que se 
dá a um sistema lógico que, por necessidade teórica, supomos que opere na 
mente das pessoas, sem no entanto afirmar que, em si mesmo, seja assim ou 
assado. Dele só sabemos a interpretação.
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Psicologia do Desenvolvimento
Atividades
1. Quais os motivos da teoria de Sigmund Freud ser polêmicas desde a sua épo-
ca até os tempos atuais?
2. Quais as primeiras descobertas de Freud em relação às doenças mentais?
Dicas de estudo
KUPFER, Maria Cristina. Freud e a Educação: o mestre do impossível. São Paulo: 
Scipione, 1989.
Indicação de filme: Freud, Além da Alma (EUA, 1962). Direção de John Huston.
O filme retrata os momentos difíceis que Freud viveu no início de sua carreira 
frustrada de médico. São retratados os momentos de exclusão de Freud na so-
ciedade médica, suas descobertas e experiências como psicanalista.
A teoria psicanalítica de Sigmund Freud
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A construção do aparelho 
psíquico e o estágio do espelho
Segunda teoria do aparelho psíquico
De acordo com Bock (2002), Sigmund Freud remodelou a teoria do 
aparelho psíquico entre 1920 e 1923, por meio dos conceitos de id, ego 
e superego. Nas suas primeiras obras, ele considerava que o aparelho psí-
quico é constituído do consciente, inconsciente e pré-consciente. Anos 
mais tarde, acrescentou os conceitos de id, ego e superego.
Para Freud, o id é a parte mais primitiva do ser humano, sendo formado 
pelos instintos sexuais e agressivos. Para Fadiman e Frager (1986), as leis 
lógicas do pensamento não se aplicam ao id. Ele é o reservatório de ener-
gia da personalidade e os seus conteúdos são quase todos inconscientes. 
Além disso, o id também é regido pelo princípio do prazer.
Para Freud (apud SCHULTZ; SCHULTZ, 1992, p. 344), o id é \u201cum caos, um 
caldeirão repleto de fervilhantes excitações e não conhece juízos de valor, 
nem o bem, nem o mal, nenhuma moralidade\u201d.
O ego serve de mediador entre o id e o meio exterior. Para Bock (2002), o 
ego proporciona o equilíbrio entre as exigências do id e as exigências da re-
alidade, do ego e do superego. Essa estrutura do aparelho psíquico é regida 
pelo princípio da realidade. O ego representa o eu, a racionalidade, e ajuda 
as pessoas a pensarem, ajuda-as a não agirem pelos impulsos do id.
O superego é a parte controladora do pensamento. Ele se desenvolve 
desde a infância, quando os pais repreendem as ações dos filhos, e é for-
mado pelas restrições morais. Para Bock (2002, p. 77), o superego repre-
senta \u201ca moral e os ideais que são funções do superego. O conteúdo do 
superego refere-se às exigências sociais e culturais\u201d.
É no superego que aparece o sentimento de culpa quando a pessoa faz 
algo errado ou fica se punindo, mesmo que o ato incorreto não tenha ocor-
rido. O superego é constituído pelos julgamentos que estão presentes na 
mentalidade dos indivíduos e são formados por meio de valores morais e 
sociais transmitidos pela cultura. Freud chamava atenção para o papel do 
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Psicologia do Desenvolvimento
Estado, da família e da igreja como formadores do superego na personalidade das 
pessoas.
Em termos gerais, Bock (2002, p. 77) caracteriza a segunda teoria do aparelho 
psíquico descrita por Freud a partir das três instâncias:
O id constitui o reservatório da energia psíquica, é onde se \u201clocalizam\u201d as pulsões: a de vida e 
a de morte. As características atribuídas ao sistema inconsciente, na primeira teoria, são nesta 
atribuídas ao id. É regido pelo princípio do prazer.
O ego é o sistema que estabelece o equilíbrio entre as exigências do id, as exigências da 
realidade e as \u201cordens\u201d do superego. Procura \u201cdar conta\u201d dos interesses da pessoa. É regido pelo 
princípio da realidade que, com o princípio do prazer, rege o funcionamento psíquico. É um 
regulador, na medida em que altera o princípio do prazer para buscar a satisfação considerando 
as condições objetivas da realidade. Neste sentido, a busca do prazer pode ser substituída pelo 
evitamento do desprazer. As funções básicas do ego são: percepção, memória, sentimentos, 
pensamento.
O superego origina-se com o complexo de Édipo, a partir da internalização das proibições, dos 
limites e da autoridade. A moral, os ideais são funções do superego. O conteúdo do superego 
refere-se a exigências sociais e culturais.
Como existem conflitos intermitentes no desenvolvimento humano, as pes-
soas têm que conciliar os desejos do id, atender às demandas do ego e lidar com 
a perfeição e o controle do superego.
A noção de id está relacionada aos instintos do homem, ou seja, a seus impul-
sos. O homem possui diferentes instintos e impulsos. Existem movimentos do id na 
busca de satisfação libidinal. O ego também procura satisfazer sua libido e realizar 
uma relação consigo mesmo, esse processo é denominado de narcisismo primário.
A noção de instinto de Freud também está relacionada com a ideia de defesa, 
alívio das tensões e satisfação das necessidades humanas. De acordo com Fadiman 
e Frager (1986), o termo instinto, quando utilizado por Freud, não está na mesma 
concepção empregada para os instintos animais. Para a interpretação psicanalíti-
ca, no homem os instintos estão associados a desejos físicos e mentais.
Freud considera que o homem possui dois instintos básicos que representam 
forças opostas. De um lado, está o instinto sexual e, de outro, o da agressividade, 
o instinto destrutivo. De certa forma, para sobreviver, o homem precisa da união 
desses dois polos. Ou seja, o homem precisa ser regido pelo princípio da vida, do 
prazer, mas também precisa direciona-se pelo princípio da realidade, pois não é 
possível se orientar somente pelo princípio do prazer, nem tampouco apenas 
pelo princípio da realidade. Na vida, são necessários momentos de fantasia, mas 
também de enfrentamento dos problemas e situações.