psicologia_do_desenvolvimento
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de Harvard, postulando que é muito importante 
dispor de uma teoria do desenvolvimento humano que busque aproximar os 
fenômenos, descobrindo desde onde e até aonde eles se desenvolvem. Suas 
ideias sobre o desenvolvimento humano e o desenvolvimento da identidade 
em etapas constituem um aporte de essencial valor.
De acordo com Schultz e Schultz (1992), os conceitos de crise de identida-
de defendidos por Erickson foram provenientes do desconhecimento do seu 
pai biológico e dos preconceitos que sofreu na vida pelo fato de ser judeu. O 
tema central do desenvolvimento da personalidade proposto por Erikson é a 
busca da identidade do ego. Ele dividiu o desenvolvimento humano em oito 
estágios que apresentam crises e conflitos para serem superados.
Erikson ficou conhecido como criador de novos conceitos \u2013 como o ciclo 
da vida, a identidade e a crise da identidade \u2013 que têm facilitado a compre-
ensão da psique humana e de sua relação com a sociedade e a cultura. Seu 
enfoque das múltiplas influências supera o reducionismo das teses clássicas 
da Psicanálise freudiana sem rechaçar seus pressupostos teóricos básicos. 
Além disso, Erikson proporcionou um insuperável aporte para a compre-
ensão das etapas infantis do desenvolvimento e dos aspectos psicossociais 
envolvidos nessa relatividade que define as identidades individual e social.
Sua proposta é basicamente uma teoria da psicologia diferente de 
Freud, que se centrou no inconsciente e no ego. Erikson atribui uma grande 
importância ao eu e a seu poder dentro da dinâmica da personalidade. 
Parte desse eu é capaz tanto de operar independentemente do ego e do 
superego como de promover a saúde mental. Fatores psicossociais estão 
presentes e exercem um papel importante no desenvolvimento humano.
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Psicologia do Desenvolvimento
Erickson preocupava-se com a formação do eu, assim como com os proces-
sos e agentes socializadores que levam as pessoas a se tornarem o que elas são. 
A sua abordagem sobre o desenvolvimento considera todas as etapas da vida de 
um ser humano. De acordo com Schultz e Schultz (1992, p. 381):
O tema central do desenvolvimento da personalidade é a busca de uma identidade do ego. 
Erikson dividiu a duração da vida em oito estágios psicossociais do desenvolvimento, cada um 
dos quais envolve um conflito ou crise que tem de ser resolvido. Esses conflitos surgem em 
cada estágio desenvolvimental à medida que o ambiente faz novas exigências. A pessoa se vê 
diante de uma escolha entre dois modos de lidar com a crise, um modo adaptativo e um modo 
inadaptativo. Somente quando a crise de cada estágio é resolvida, tendo a personalidade 
portanto, se modificado, a pessoa tem força suficiente para enfrentar o próximo estágio de 
desenvolvimento. Os primeiros estágios propostos por Erikson se assemelham aos estágios 
oral, anal e fálico e ao período de latência de Freud, embora Erikson enfatize antes os fatores 
sociais do que os biológicos e sexuais. Os quatro últimos estágios do desenvolvimento são 
próprios do sistema de Erikson e levam o indivíduo da adolescência à velhice, um período 
bastante ignorado por Freud. Cada um desses estágios de crescimento, embora carregado de 
tensão o bastante para ser considerado uma crise, pode ter um desfecho positivo se resolvido 
de maneira adaptativa.
Dessa maneira, é possível verificar que Erikson compreendia os estágios do 
desenvolvimento com algumas similaridades e diferenças em relação à teoria 
freudiana. Freud considerava que os traumas da vida adulta têm origem na in-
fância. Erikson defendia a ideia de que em determinados momentos da vida a 
pessoa pode apresentar crises que podem ser superadas em outros estágios. Ao 
analisar a teoria de Eriskson, Schultz e Schultz (1992, p. 382) afirmam que:
Erikson acreditava que podemos influenciar e dirigir conscientemente nosso desenvolvimento em 
cada estágio. Isso contrasta com a concepção freudiana de que somos produto das experiências 
infantis e incapazes de mudar mais tarde. Embora reconhecesse que as influências infantis são 
importantes e podem ser até traumáticas, Erikson afirmava que os eventos de estágios ulteriores 
podem se contrapor às experiências infantis negativas e superá-las, contribuindo para a nossa 
meta última: o estabelecimento de uma identidade de ego positiva.
Para Erikson, nas mais diversas culturas \u2013 tanto ocidentais como orientais \u2013 existe 
um ciclo de desenvolvimento comum. Os desajustes na personalidade humana 
estão relacionados aos eventos sociais de cada fase do desenvolvimento.
Formação da personalidade
Em todos os momentos, a existência de um ser humano depende de três pro-
cessos de organização que devem se complementar, independentemente da 
ordem em que se apresentam:
o processo biológico da organização hierárquica dos sistemas de órgãos \ufffd
que constituem o corpo (soma);
Erik Erikson: o desenvolvimento psicossocial
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processo psíquico, que organiza a experiência individual por meio da sín- \ufffd
tese do ego (psique); e
o processo comunal da organização cultural da interdependência das \ufffd
pessoas (etos).
A identidade, segundo Erikson, é um sentir-se vivo e ativo, é ser um mesmo, é 
a tensão ativa, confiante e vigorosa de sustentar a si mesmo. A identidade é uma 
afirmação que manifesta a identidade pessoal e cultural. Esses dois níveis, pessoal 
e cultural, interagem durante o desenvolvimento e se integram para alcançar uma 
unidade quando se atinge o desenvolvimento biológico. Expondo essa concepção, 
esse autor escreveu várias obras sobre o desenvolvimento psicossocial de um ponto 
de vista evolutivo, conjugando as forças biológicas e psicológicas em um processo 
que está imbricado tanto no núcleo do indivíduo quanto no núcleo de sua cultura.
Em uma personalidade sadia, a gênese da identidade é apresentada de modo 
gradual por meio de etapas complexas que levam a uma crescente diferenciação e 
a uma plenitude da pessoa, obedecendo a um plano fundamental ordenado pelo 
aparecimento de partes da personalidade, as quais surgem em momentos opor-
tunos (ritualizações que orientam a adaptação humana) até que se forme um con-
junto integrado e em funcionamento. Na realidade, todo interjogo do psicológico 
com o social, referente ao desenvolvimento individual e o histórico, e para o qual 
a formação da identidade tem uma significação primordial, poderia ser conceitua-
do como uma categoria de relatividade psicossocial. Isso pode ser definido como 
uma realidade que não somente nos rodeia mas também está dentro de nós.
Crise psicossocial
Erikson concebeu o desenvolvimento da personalidade considerando as ati-
tudes psicossociais originadas na resolução de conflitos básicos de cada fase: 
cada sujeito, dentro de seu processo de configuração da identidade, passará por 
crises para a efetivação de escolhas dentro do mundo e, com essas escolhas, de-
finirá sua identidade como pessoa, como ser ideológico, como profissional. Cada 
uma dessas crises implicará trazer à tona os prós e os contras que caracterizam 
qualquer opção, bem como atualizará a energia, a vitalidade e a coragem neces-
sárias para enfrentar a conquista dos objetivos que foram definidos.
Por consequência, essas crises irão gerar impactos sobre os lugares com os quais 
o sujeito interage, produzindo o que Erikson chama de síndrome da ambivalência 
dual, ou seja, cada conflito será vivido a dois. É pela superação desses conflitos que 
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o sujeito avançará na construção de sua identidade, permitindo que seu ambiente 
social e cultural aprenda a respeitar e a ser respeitado. Ele denominava esse processo 
também como bipolaridade, pois os conflitos eram marcados por dois polos.
Sendo assim, cada crise psicossocial estabelece um \u201csentido de\u201d ou \u201cum sen-
timento de\u201d como uma aquisição interior firme, que marca uma etapa ou aquisi-
ção ou seu reverso patológico.