411-Manual_de_Economia
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that the limit to their production is to be found
in the internal conditions of production in their firm, which do not permit of the production of a
greater quantity without an increase in cost. The chief obstacle against which they have to
contend when they want gradually to increase their production does not lie in the cost of
production\u2014which, indeed, generally favours them in that direction - but in the difficulty of
selling the larger quantity of goods without reducing the price, or without having to face
increased marketing expenses. This necessity of reducing prices in order to sell a larger
quantity of one\u2019s own product is only an aspect of the usual descending demand curve, with
the difference that instead of concerning the whole of a commodity, whatever its origin, it
relates only to the goods produced by a particular firm; and the marketing expenses necessary
for the extension of its market are merely costly efforts (in the form of advertising, commercial
travellers, facilities to customers, etc.) to increase the willingness of the market to buy from it
- that is, to raise that demand curve artificially.\u201d (Sraffa, 1926, p. 542).
124 A este respeito, veja-se Marshall, 1982 , Apêndices B, C, e I.
125
Joan Robinson vai tomar esta dimensão positiva da crítica sraffiana pela raiz, propondo-se
a constituir uma teoria da concorrência que tome o monopólio como referência e ponto de partida.
O que envolve, dialeticamente, fazer a crítica da teoria tradicional do monopólio. Segundo a autora:
\u201cConsideremos ... o problema de definir o monopólio. No esquema tradicional, se tentava
dispor os casos reais em séries tais que o monopólio puro se situava em um extremo e a
concorrência perfeita em outro, mas era muito difícil encontrar uma definição de monopólio
puro que guardasse certa correspondência com a definição de concorrência perfeita. A primeira
vista, parece muito fácil dizer que existe concorrência quando a demanda de uma mercadoria
é atendida ... por um bom número de produtores, e que existe monopólio quando é atendida
por um só produtor. Mas, o que é uma mercadoria? Devemos considerar como mercadoria
simples a todos os artigos que competem entre si na satisfação de uma demanda única?
Neste caso, posto que cada artigo tem alguns rivais e posto que cada artigo representa em
última instância um emprego de dinheiro (e, portanto, é rival de todos os demais) nos veríamos
obrigados a dizer que é absolutamente impossível a existência de alguma coisa chamada
monopólio perfeito. Ou devemos definir a mercadoria simples como um grupo de artigos
perfeitamente homogêneos? Então a mais pequena diferença, desde o ponto de vista do
consumidor, entre os produtores rivais, inclusive de mercadorias suficientemente homogêneas,
deveria tomar-se como sinal de que não estamos lidando com uma única mercadoria, mas
com várias. Pois se o comprador individual tem alguma razão, por qualquer que seja, para
preferir um produtor a outro, os artigos que vendem não são perfeitamente intercambiáveis
desde o ponto de vista do comprador, e nos vemos obrigados a considerar a produção de cada
fabricante como uma mercadoria distinta. E assim, qualquer tentativa de estabelecer uma
definição de monopólio envolve a negação, ou bem do monopólio, ou bem da concorrência.\u201d
(Robinson, 1969, p. 29)
Sem dúvida, esta é a contradição posta. Porém, ela já traz consigo a sua própria solução.
Afinal, não se pode negar a existência de concorrência entre produtores, mesmo quando portadores
de algum \u201cpoder de monopólio\u201d. A concorrência pela conquista de novos demandantes é, justamente,
o que define os limites do poder de precificação de cada firma. O que envolve dizer que é a hipótese
de \u201cmonopólio perfeito\u201d que tem que ser negada. Não existe \u201co\u201d monopólio. O que existem
são distintos \u201cgraus de monopólio\u201d. Graus que se distribuem em um gradiente, desde o grau zero
\u2013 caso da concorrência perfeita \u2013 até um grau máximo, que representa um puro limite teórico, inatingível
objetivamente125.
125 Uma medida para o grau de monopólio vai ser proposta por Lerner (1934) e desenvolvida por Kalecki (1983) em sua obra
maior, de 1954. Voltaremos a este ponto mais adiante.
Para além disso, as considerações de Sraffa e Robinson, acima, acerca da dimensão
monopolista de cada produtor que não atua em mercados de concorrência perfeita se desdobra na
conclusão de que a determinação primeira do grau de monopólio é a diferenciação do produto126.
Isto não nega que um mercado de concorrência perfeita possa ser \u201cdefinido\u201d como aquele em que
atuam inúmeros produtores e em que a entrada é rigorosamente livre. Mas afirma que estes mercados
só existem na medida em que os bens produzidos nos mesmos são estritamente homogêneos
\u2013 vale dizer: indiferenciáveis -, de forma que os mesmos não apresentam limites geográficos bem
definidos e os compradores não diferenciam os produtos por qualquer critério, seja pela qualidade,
seja pela proximidade do fornecedor. Exemplificando: o ingresso de uma nova firma na produção de
soja em grão pode ser tão livre (no que diz respeito aos quesitos volume de capital necessário para a
operação na escala mínima competitiva e capacitação tecnológica) quanto o ingresso de uma nova
firma na produção de pão francês, e o número de produtores dos dois bens pode ser o mesmo em um
país ou região. Mas enquanto a soja é uma commodity negociada em Bolsas de Mercadorias globais,
o pão francês é adquirido única e exclusivamente pelos moradores do entorno da firma produtora; de
forma que o ingresso de mais um produtor em um território já ocupado por um fornecedor implica em
uma divisão deste mercado particular de pão francês entre dois produtores, resultando na diminuição
das vendas de cada um.
Ora, isto nos obriga a reconhecer \u2013 dentre outros aspectos - que a rivalidade entre os
produtores que operam em um mercado de concorrência imperfeita é necessariamente diferenciada,
e cada produtor se depara com um número restrito de concorrentes diretos. O que é o mesmo
que dizer que \u201cconcorrência imperfeita\u201d (entre produtores de bens diferenciados) e
\u201coligopólio\u201d (concorrência entre poucos produtores) são indissociáveis. Não obstante, como
Kaldor ressaltou,
\u201cMrs. Robinson ... neglects the intricate problem of the interaction of the price and output
policy of rival producers and the dependence of each producer\u2019s equilibrium position on his
own anticipation of this interaction (usually called the \u2018problem of duopoly\u2019) altogether, though
these ought occupy a central position in the treatment of any competitive situation which can
rightly call itself \u2018imperfect\u2019.\u201d (Kaldor, 1960, p. 53).
Esta crítica (que é igualmente pertinente ao tratamento dado por Chamberlin ao tema) é
particularmente grave, e expõe o cerne da dificuldade em se desenvolver um tratamento sistemático e
exaustivo à concorrência imperfeita. A questão denunciada por Kaldor é que, para além do problema
identificado e enfrentado por Robinson e Chamberlin \u2013 o de que cada produtor é, simultaneamente,
126 Esta derivação vai ser objeto de particular atenção no trabalho de Chamberlin, publicado nos EUA no mesmo ano da
publicação do trabalho de Robinson na Inglaterra. Na taxonomia adotada aqui, Chamberlin é um autor da Vertente Cambridgeana.
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um \u201cmonopolista\u201d que se depara com uma curva de demanda negativamente inclinada, e um competidor,
na medida em que outros produtores fornecem produtos similares ao seu - existe um outro problema
igualmente grave: o de que cada produtor não pode, nem abstrair, nem tomar como dadas ou
rigorosamente conhecidas, as reações dos seus concorrentes ao tomar decisões de produção e
precificação. E, a depender de quais reações projeta, ele tomará decisões que poderão levar a
resultados muito distintos dos previstos originalmente.
O enfrentamento desta grave questão não poderá se dar sem que se flexibilize e transcenda \u2013
sem negar - o instrumental e a lógica imanente