411-Manual_de_Economia
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que:
Exemplo 1
Q = 400 - 20 P 
P = 20 - 0,05 Q 
RT = Q x P = Q (20 - 0,05 Q)
RT = 20 Q - 0,05 Q2 
RMg = 20 - 0,1Q 
A Tabela 1, abaixo, nos apresenta a situação da firma aos diversos preços possíveis de
comercialização130 das tortas. O ponto de equilíbrio (de lucro máximo) está marcado pelo fundo
cinza. Nele, a firma produz e vende 160 tortas ao preço de R$12,00 a unidade, obtendo um lucro de
R$280,00 por dia.
130 Vale dizer: tratam-se de alternativas meramente hipotéticas, que já se revelam pelo fato de que sua demanda potencial
máxima (quando o preço é zero) superar sua capacidade produtiva máxima.
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Tabela 1 \u2013 Equilíbrio em Concorrência Imperfeita
Desde logo, vale observar que: 1) como havíamos anunciado, o equilíbrio é obtido
quando se igualam custo e receita marginal; 2) o custo marginal não corresponde ao preço, que
é três vezes superior a este; 3) o equilíbrio se dá num ponto em que a firma ainda apresenta
capacidade ociosa; 4) o preço de equilíbrio é determinado independentemente do cálculo/
P Q RT RMg CMg CVT CT CTM LT
0 400 0 -20 4 1600 2600 6,50 -2600
1 380 380 -18 4 1520 2520 6,63 -2140
2 360 720 -16 4 1440 2440 6,78 -1720
3 340 1020 -14 4 1360 2360 6,94 -1340
4 320 1280 -12 4 1280 2280 7,13 -1000
5 300 1500 -10 4 1200 2200 7,33 -700
6 280 1680 -8 4 1120 2120 7,57 -440
7 260 1820 -6 4 1040 2040 7,85 -220
8 240 1920 -4 4 960 1960 8,17 -40
9 220 1980 -2 4 880 1880 8,55 100
10 200 2000 0 4 800 1800 9,00 200
11 180 1980 2 4 720 1720 9,56 260
12 160 1920 4 4 640 1640 10,25 280
13 140 1820 6 4 560 1560 11,14 260
14 120 1680 8 4 480 1480 12,33 200
15 100 1500 10 4 400 1400 14,00 100
16 80 1280 12 4 320 1320 16,50 -40
17 60 1020 14 4 240 1240 20,67 -220
18 40 720 16 4 160 1160 29,00 -440
19 20 380 18 4 80 1080 54,00 -700
20 0 0 20 4 0 1000 - -1000
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identificação de uma \u201cfunção oferta\u201d e independentemente de qualquer interação desta com
a função demanda. Cada um destes pontos solicita considerações. Vamos tecê-las, em
ordem.
De fato, tal como em concorrência perfeita, o equilíbrio se impõe quando RMg e CMg se
igualam. Só que, agora, isto é assim porque a receita total deixou de ser uma função linear da quantidade,
de forma que a receita marginal deixou de ser constante. E isto porque, enquanto a receita total
estiver crescendo a taxas superiores ao custo total (que cresce a uma taxa constante), vale a pena
expandir a produção. Quando o crescimento da receita igualar o crescimento do custo por unidade
de produto, chegamos ao ponto de lucro máximo. A partir de então, qualquer expansão irá gerar uma
variação na receita inferior à variação no custo, deprimindo o lucro Este fenômeno é ilustrado nos
Gráficos 1 e 2, abaixo.
Gráfico 1
No Gráfico 2, abaixo, a mesma situação de equilíbrio é apresentada. Só que, ao invés da
apresentação da própria função lucro total, o lucro máximo se encontra determinado pelo ponto em
que a função CMg = 4 intercepta a função RMg, definindo a quantidade de equilíbrio : 160 tortas.
Mas é importante notar que o preço não está representado aí. Para identificá-lo é preciso recorrer à
função demanda, que nos informa qual é o preço consistente com a plena realização (venda) das 160
tortas produzidas: 12 reais.
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Gráfico 2
É bem verdade que este preço, de uma certa forma, já estava definido na função RMg; uma
vez que esta última é função da RT, que, por sua vez, é uma função da demanda. Mas o que de fato
importa entender é: que parâmetros \u2013 ou, ainda melhor, que determinações teóricas? - definem se o
preço de equilíbrio será 2, 3 ou 4 vezes o custo marginal? Ou, como preferem dizer os economistas,
que parâmetros definem o mark-up utilizado por uma firma?131
Ainda não temos todos os elementos necessários para responder a esta pergunta. Mas não
é difícil deduzir que a distância entre preço e custo marginal deve estar associada, simultaneamente,
ao poder de monopólio da firma, e à elasticidade da demanda. É esta relação entre elasticidade e
poder de precificação que Abba Lerner busca resgatar em sua proposta de medida do grau de
monopólio. Segundo o autor, este grau pode ser medido pela distância entre o preço da firma e sua
receita marginal que, por hipótese é igual ao custo marginal; de forma que
11) GM = (P \u2013 CMg) / P,
e o grau de monopólio varia de um valor mínimo igual a \u201czero\u201d \u2013 quando preço, receita
marginal e custo marginal são idênticos e nos encontramos em concorrência perfeita \u2013 até um limite
superior meramente hipotético de \u201cum\u201d \u2013 quando o preço é tão elevado vis-à-vis o custo marginal
que este último torna-se desprezível.
Ora, sabemos pela equação 3, acima, que
131 O mark-up é o multiplicador que se aplica ao custo direto unitário (que é igual ao custo marginal, nesta modelagem) para
determinar o preço de venda de uma mercadoria qualquer. Esta categoria será detalhada na seção terceira deste capítulo e no
Apêndice ao mesmo.
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12) P \u2013 RMg = - Q (\u201dP / \u201dQ)
E se dividimos a diferença entre preço e receita marginal pelo preço temos
13) (P \u2013 RMg) / P = - ( Q / P ) x (\u201dP / \u201dQ) = - (Q / \u201dQ) / (P / \u201dP)
Mas a última parte da equação 13 nada mais é do que a expressão invertida da nossa
conhecida elasticidade preço da demanda
14) \u395 = ( \u201dQ / Q) / ( \u201dP / P) (-1)
O que significa dizer que
15) \u395 = P / (P \u2013 RMg)
Esta é uma outra expressão para a elasticidade, que explicita a relação entre esta categoria,
a receita marginal e os preços. Mas ela também nos serve para entender a relação entre a medida de
grau de monopólio proposta por Lerner e a elasticidade. Afinal, em equilíbrio, o custo marginal e a
receita marginal são idênticas. De sorte que
16) (P \u2013 RMg) / P = (P \u2013 CMg) / P = 1 / \u395
O que a equação 16 nos diz é que, quanto mais elástica a demanda, menor a distância entre o
preço e custo marginal. Por quê? Porque se a demanda fosse mais elástica, valeria a pena baixar mais o
preço, pois, com isto, se elevaria a quantidade vendida em uma proporção suficientemente expressiva
para contrabalançar a elevação nos custos. Se a nossa confeitaria do exemplo anterior operasse em
concorrência \u201cquase-perfeita\u201d, seria isto que ocorreria: quanto mais perfeitamente competitivo um
mercado, mais uma queda qualquer no preço atrai uma grande quantidade de compradores para a firma
baixista. O que, de outro lado, equivale a dizer que quanto menos uma estratégia de redução de
preços é eficaz para alavancar a quantidade demandada de uma firma, quanto menos elástica
é sua função demanda a cada preço, maior o seu \u201cgrau de monopólio\u201d.
Por surpreendente que seja, o desdobramento necessário da elevação do grau de monopólio
é que as firmas concorrentes encontrarão o equilíbrio quando sua capacidade produtiva for superior
à produção efetiva, vale dizer, quando apresentam capacidade ociosa. Este resultado foi demonstrado
por Robinson e Chamberlin apenas para o caso em que a concorrência imperfeita é do tipo puro,
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vale dizer, quando a diferenciação que determina que cada empresa se depare com uma curva de
demanda própria e negativamente inclinada não está associada, nem imediata, nem mediatamente, à
existência de qualquer barreira à entrada de concorrentes \u2013 como patentes, reputação de marcas
consolidadas no mercado, tecnologia não difundida, exigência de grandes volumes de capital para o
ingresso, etc132. Este é o caso típico de toda uma gama de serviços urbanos em que a principal (ainda
que não exclusiva) vantagem de uma empresa sobre a outra é de caráter locacional: bares e restaurantes,
padarias, postos de gasolina, mini-mercados, farmácias, institutos de beleza, são alguns dos exemplos
mais corriqueiros de empresas que operam em concorrência imperfeita pura.
Ora, o fato de que exista livre entrada determina que qualquer agente que disponha dos
(relativamente pouco expressivos) recursos financeiros necessários ao ingresso nestas atividades o faça