DIREITO AMBIENTAL 2014-1.pdf
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será destinado à indústria, agricultura, preserva-
ção ambiental e/ou mista. Portanto, o zoneamento ambiental constitui-se como outro 
instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, previsto pelo art. 9º, inc. II, da 
Lei 6.938/81.
O zoneamento ecológico-econômico assume relevância fundamental e primária nos 
processos de gestão ambiental. É ele o instrumento que identifi ca as potencialidades 
e fraquezas físicas, químicas, biológicas e socioeconômicas de determinado território. 
Depois de defi nido, serve como defi nidor de escolhas e usos que orientam a estipulação 
de padrões de qualidade ambiental.
O zoneamento ecológico-econômico ocorre nas três esferas da Federação, em dife-
rentes escalas. Está intimamente vinculado à ideia de planejamento da atividade eco- 34. ANTUNES, p. 185.
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nômica, acomodação das exigências sociais e objetivos de preservação e conservação 
ambiental.
À União compete, segundo dispõe o artigo 21, inciso IX, da CF/88, \u201celaborar e 
executar planos nacionais e regionais de ordenamento do território de desenvolvimen-
to econômico e social\u201d. O ZEE enquanto instrumento previsto na Lei n. 6.938/81, 
encontra-se regulamentado pelo Decreto n. 4.297/2002. A defi nição de ZEE é trazida 
pelo artigo 2º, do referido decreto, nos seguintes termos:
Instrumento de organização do território a ser obrigatoriamente seguido na 
implantação de planos, obras e atividades públicas e privadas, estabelece medi-
das e padrões de proteção ambiental destinados a assegurar a qualidade ambien-
tal, dos recursos hídricos e do solo e a conservação da biodiversidade, garantindo 
o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da população.
Especifi camente em relação ao zoneamento industrial, o Decreto-lei n. 1.413/1975 
foi o primeiro instrumento legal a tratar das áreas críticas de poluição. Em seguida, a Lei 
n. 6.803/1980, dispôs sobre a necessidade de defi nição das áreas críticas de poluição a 
que se referia o citado Decreto-lei n. 1.413/75, por meio do zoneamento urbano.
Além do zoneamento industrial, o agrícola também se faz extremamente relevante 
para o contexto nacional, considerando a contribuição do setor agropecuário para o 
saldo da balança comercial brasileira. Por isso, o Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/1964), 
tratou da matéria. Posteriormente, a lei agrícola (Lei n. 8.171/1991), dispôs de forma 
mais completa sobre a política agrícola nacional.
Outra área de interesse nacional e que foi incluída em instrumento específi co de 
zoneamento ecológico-econômico, foi a zona costeira. A Lei n. 7.661/1988 instituiu o 
Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, com o objetivo de \u201cprever o zoneamento de 
usos e atividades na Zona Costeira...\u201d.
Aos Estados, função não menos relevante fi cou reservada em matéria de zoneamento 
ecológico-econômico. Segundo dispõe o artigo 25, § 3º, da CF/88, compete aos Es-
tados \u201cinstituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas 
por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e 
a execução de funções públicas de interesse comum.\u201d Além da instituição de regiões metro-
politanas, compete também aos Estados o ZEE referente às atividades socioeconômicas 
e à conservação ambiental dentro dos seus limites territoriais. Leis estaduais específi cas 
são geralmente os instrumentos utilizados para materializar o ZEE estadual.
O zoneamento ecológico-econômico no âmbito municipal é refl etido no plano 
diretor, obrigatório para cidades com mais de 20.000 habitantes (artigo 182, § 1º, 
da CF/88). No plano diretor, o zoneamento ambiental urbano contém áreas que fre-
quentemente utilizam a seguinte categorização: zonas de uso industrial, zonas de uso 
estritamente industrial, zonas de uso predominantemente industrial e zona de uso di-
versifi cado.
O Plano Diretor consiste em um instrumento de política urbanística que tem por 
fi nalidade o planejamento, a organização e a promoção das capacidades de uso do es-
paço urbano. Esse instrumento é previsto no artigo 182, §1º, da Constituição Federal35 
35. Art. 182. § 1. O Plano Diretor, 
aprovado pela Câmara Municipal, obri-
gatório para cidades com mais de vinte 
mil habitantes, é o instrumento básico 
da política de desenvolvimento e de 
expansão urbana.
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e regulamentado pelo Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/01), que estabelece diretrizes 
para a adequada ocupação e desenvolvimento das áreas urbanas dos municípios.
Antes da vigência do Estatuto da Cidade, o Plano Diretor tinha caráter obrigató-
rio  apenas para municípios cuja população ultrapassasse 20 mil habitantes. Atualmen-
te, também é exigido para as regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e cidades 
integrantes de áreas especiais de interesse turístico, bem como para as que possuem, 
em seus limites territoriais, empreendimentos ou atividades com signifi cativo impacto 
ambiental.36 Constitui, portanto, um instrumento fundamental da política de desen-
volvimento de um município.
Nos termos do Estatuto da Cidade, cabe a cada município editar seus planos dire-
tores, sob pena de caracterização de ato de improbidade administrativa por parte do 
Prefeito.37
Há, portanto, direta relação entre planejamento urbano e políticas de preservação 
e conservação ambiental. Aliás, é possível observar, nesse tocante, que diversos ins-
trumentos de política ambiental estão previstos no Estatuto da Cidade (como o zo-
neamento ambiental e o estudo de impacto ambiental), em princípio um diploma de 
direito administrativo-urbanístico, comprovando a inafastável relação entre ordenação 
das cidades e proteção do meio ambiente. No Brasil e na América do Sul, a importância 
do planejamento urbano como instrumento também de política ambiental é ainda mais 
relevante considerando os altos índices de urbanização da região.38
Em seu artigo 2º, o Estatuto da Cidade estabelece como diretriz, para que a política 
urbana satisfaça a função social da cidade, \u201ca ordenação e controle do uso do solo, de forma 
a evitar: a poluição e a degradação ambiental\u201d (inc. VI, \u2018g\u2019). Impõe, ainda, a \u201cproteção, 
preservação e recuperação do meio ambiente natural\u201d(inc. XII).
As políticas urbanas arbitrárias e excludentes ao longo do século XX estão estampa-
das no atual estágio de degradação dos grandes centros urbanos brasileiros. A diferença 
para o século XXI está justamente na mudança de paradigma legal (Constituição Fede-
ral e Estatuto da Cidade). Mas esta mudança somente produzirá efeitos concretos se o 
novel regime jurídico for realmente aplicado com rigor, evitando os mesmos abusos que 
comprometeram a qualidade de vida nas grandes cidades.
Com índices de urbanização que superam em muito a média mundial (80% contra 
50%),39 o Brasil e a América Latina não podem cometer os mesmos erros do passado. A 
constatação da existência, ou não, portanto, do Plano Diretor mostra-se dado de inegá-
vel relevância para que um município possa ter elevado grau de governança ambiental, 
de modo que se justifi ca a sua integração à lista de variáveis a serem utilizadas na análise 
exploratória de dados a ser realizada.40
PADRÕES DE QUALIDADE
No Brasil, em relação aos padrões de qualidade, o marco regulatório é justamente a 
Lei n. 6.938/81 e resoluções do órgão deliberativo e normativo, o Conselho Nacional 
do Meio Ambiente (CONAMA). A sua composição e diversidade democrática (go-
verno, sociedade civil, classe empresarial e científi ca) é capaz de identifi car e defi nir os 
36. Disponível em: http://www.
j u r i s w a y. o r g . b r / v 2 / p e r g u n t a .
asp?idmodelo=2608. Acesso em 13 de 
dezembro de 2010.
37. Vide art. 52 da Lei 10.257/2002: 
\u201cArt. 52. Sem prejuízo da punição de 
outros agentes públicos envolvidos e da 
aplicação de outras sanções cabíveis, o 
Prefeito incorre
Elena
Elena fez um comentário
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Suzyane
Suzyane fez um comentário
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robson
robson fez um comentário
O Governador do Estado, após estudos técnicos do órgão ambiental, criou um Parque Estadual numa serra de Mata Atlântica, por meio de um decreto do Poder Executivo. Posteriormente, após consulta à população residente na sua área de amortecimento, diminuiu a sua extensão territorial, por meio de outro decreto do Executivo. Tais medidas são constitucionais e legais? Justifique e fundamente as respostas... Veja mais
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Lincoln
Lincoln fez um comentário
Agora tem que pagar para abrir arquivos, lixo de site.
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abiqueila
abiqueila fez um comentário
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