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DIREITO AMBIENTAL
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MÓDULO IV. TUTELAS ESPECÍFICAS DO MEIO AMBIENTE
Conforme relatado nos módulos anteriores, o bem ambiental é complexo, pois que é 
composto por diversos elementos bióticos e abióticos. São elementos bióticos o conjun-
to de todos os seres e organismos vivos naturalmente presentes em um mesmo ambiente 
e que são mutuamente interdependentes e sustentados. Abióticos são os elementos físi-
cos e químicos não vivos e que compõem o ambiente, como a água, rochas e minerais, 
por exemplo.77 O conjunto e a interação dos elementos bióticos e abióticos forma o 
meio ambiente natural, objeto de estudo da ecologia78 e hodiernamente da própria 
tutela jurídica ambiental.79 Se por um lado o direito ambiental apresenta princípios 
formadores e específi cos, peculiaridades em relação à forma de responsabilização de 
eventual dano em face da própria complexidade do bem a que se propõe tutelar, por 
outro, a especifi cidade dos elementos que compõem o meio ambiente atrai a necessida-
de da divisão da macro tutela em disciplinas específi cas para efeitos didáticos e melhor 
adequação à realidade fática. Esta necessidade impõe o desenvolvimento de uma intrin-
cada rede normativa nas três esferas da federação, diante da competência concorrente 
prevista pela Constituição Federal para a tutela do meio ambiente.
O ordenamento jurídico ao diferenciar o tratamento dispensado ao bem ambien-
tal conforme a sua natureza, consegue proporcionar maior efi cácia no cumprimento 
dos objetivos propostos em cada tipo de legislação. Por outro lado, o tratamento legal 
dispensado a um determinado bem ambiental deve sempre considerar o conjunto dos 
demais que compõe a totalidade do meio ambiente. Isto porque, fora do campo me-
ramente legislativo ou didático, no campo da natureza e da ecologia, a intervenção na 
fl ora quase sempre refl etirá na fauna, assim como a intervenção no ar pode refl etir na 
água, por exemplo, e assim sucessivamente. Em razão da impossibilidade do isolamento 
prático do conjunto de bens ambientais, a tutela específi ca deve sempre ser aplicada e 
interpretada à luz dos princípios constitucionais e preceitos legislativos federais gerais.
Assim, os principais objetivos deste módulo são:
\u2022 Entender a evolução histórico-legislativa do tratamento dos recursos hídricos 
no Brasil.
\u2022 Conhecer a legislação aplicável e instituições responsáveis pela gestão das águas.
\u2022 Entender o regime de competências legislativa e material, classifi cação das águas 
e do uso da água.
\u2022 Distinguir a cobrança pelo uso da água da cobrança pelo serviço de distribuição 
da água.
\u2022 Analisar a racionalidade da cobrança da água.
\u2022 Distinguir políticas de alocação de políticas para evitar poluição das águas.
\u2022 Trabalhar a aplicação da doutrina a casos concretos envolvendo confl itos sobre 
direito de uso da água.
\u2022 Entender as funções e relações da qualidade do ar com a saúde da população e 
sadio funcionamento de sistemas ecológicos diversos.
\u2022 Compreender o tratamento da matéria pelo ordenamento jurídico brasileiro.
\u2022 Identifi car os principais gases responsáveis pela poluição atmosférica.
77. State of Michigan\u2019s Offi cial Web-
site, Glossary of Environmental Terms, 
available at http://www.michigan.
gov/documents/GLOSSARYOFTERMS-
Sept13-2005_136497_7.pdf (last visi-
ted August 18, 2009).
78. State of Michigan\u2019s Offi cial Web-
site, Glossary of Environmental Terms, 
available at http://www.michigan.
gov/documents/GLOSSARYOFTERMS-
Sept13-2005_136497_7.pdf (last visi-
ted August 18, 2009).
79. No Brasil, o conceito legal de 
meio ambiente como o conjunto os 
elementos bióticos e abióticos vem 
disposto na Lei da Política Nacional do 
Meio Ambiente (6.938/1981), artigo 
3º, inc. I: \u201c(...) o conjunto de condições, 
leis, infl uências e interações de ordem 
física, química e biológica, que permite, 
abriga e rege a vida em todas as suas 
formas;\u201d
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\u2022 Analisar a importância da defi nição de padrões de qualidade do ar nacionais em 
um contexto internacional.
\u2022 Examinar as instituições responsáveis pela execução de políticas de qualidade 
do ar e legislação aplicável. Trabalhar problemas práticos.
\u2022 Compreender os diferentes tipos de áreas protegidas
\u2022 Diferenciar as áreas protegidas do Código Florestal das do Sistema Nacional de 
Unidades de Conservação
\u2022 Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos do SNUC.
\u2022 Distinguir as unidades de proteção integral das de uso sustentável
\u2022 Analisar o regime jurídico das unidades de conservação listadas pelo Sistema 
Nacional de Unidades de Conservação
\u2022 Analisar a Política Nacional de Resíduos Sólidos
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AULA 14. ÁREAS PROTEGIDAS (CÓDIGO FLORESTAL) E SISTEMA NACIO-
NAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC)
ÁREAS PROTEGIDAS
O Código Florestal de 1965 (Lei n. 4.771/65) foi revogado pela Lei n. 12.651/12, 
com as alterações da Lei n. 12.727/12. A nova lei fl orestal, em seu art. 2º, estabelece 
que as fl orestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação nativa 
são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, prevendo ainda que a sua 
proteção servirá como limitadora dos direitos de propriedade, conforme as disposições 
da legislação em geral e especialmente da própria lei fl orestal.
Assim, a lei prevê proteção, fundamentalmente, para dois tipos de áreas: (i) Áreas de 
Preservação Permanente (APP) e (ii) Reserva Florestal Legal.
As áreas de Preservação Permanente (APP) são territórios protegidos de acordo com 
os artigo 4º e seguintes do Código Florestal, cobertos ou não por vegetação nativa, com 
objetivo de preservar as fl orestas de forma indireta, na medida em que o objetivo de pro-
teção é de um bem, recurso ou serviço ambiental alheio à própria área protegida (e.g.: 
rio, montanha, dunas, etc). A APP tem função primordial de garantia de preservação 
e conservação de recursos ambientais acessórios e serviços ambientais que dependem 
da sua existência. Assim, são exemplos das funções da APP: garantir a qualidade e a 
quantidade dos recursos hídricos; os atributos da paisagem; a estabilidade ecológica dos 
diferentes ecossistemas; a preservação da biodiversidade; o fl uxo gênico de fauna e fl ora, 
o solo, entre outras. E, de forma indireta, a APP desenvolve papel de preservação da 
vegetação existente dentro dos limites de proteção defi nidos pelo Código Florestal. Essa 
interpretação decorre da previsão do art. 3º,, inciso II da Lei Florestal, que assim dispõe:
\u201cÁrea de Preservação Permanente \u2013 APP: área protegida, coberta ou não por 
vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a 
paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fl uxo gênico de 
fauna e fl ora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.\u201d
Existem dois tipos de APP\u2019s: (i) áreas de preservação permanente por imposição 
legal, previstas pelo artigo 4º do Código Florestal; e (ii) área de preservação permanente 
por ato do poder público, cujas hipóteses estão previstas no artigo 6º da referida legis-
lação. Cabe destacar que a primeira espécie de APP (por imposição legal) exige apenas 
a ocorrência do atributo natural para receber proteção legal. Ou seja, a existência de 
um rio, de uma montanha ou de uma duna são sufi cientes para atrair a proteção da 
legislação fl orestal, independentemente de ato declaratório do Poder Público. Já a se-
gunda forma de APP, depende de ato do Poder Público para que seja declarada como 
área protegida. Importante ressaltar que a hipótese do artigo 6º do Código Florestal 
não consiste em faculdade do Poder Público, ou seja, identifi cada área que constitua 
alguma das hipóteses previstas no artigo, o Poder Público tem o dever de declará-las 
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como dignas de
Elena
Elena fez um comentário
Excelente material de apoio. Muitíssimo grata.
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Suzyane
Suzyane fez um comentário
o site era útil, mas agora não é mais, uma vez que só conseguimos visualizar online e não temos mais a opção de baixar os arquivos, que são enviados por nós, alunos. Uma pena!
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robson
robson fez um comentário
O Governador do Estado, após estudos técnicos do órgão ambiental, criou um Parque Estadual numa serra de Mata Atlântica, por meio de um decreto do Poder Executivo. Posteriormente, após consulta à população residente na sua área de amortecimento, diminuiu a sua extensão territorial, por meio de outro decreto do Executivo. Tais medidas são constitucionais e legais? Justifique e fundamente as respostas... Veja mais
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Lincoln
Lincoln fez um comentário
Agora tem que pagar para abrir arquivos, lixo de site.
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abiqueila
abiqueila fez um comentário
Não consigo abrir
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