Ventilação Natural em Edificações
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Ventilação Natural em Edificações


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ventilação interna de uma edificação em cerca de 20%, con-
tanto que se leve em conta uma distância mínima de 1,0m acima do solo e o vento fique livre de obstáculos 
embaixo das construções (GAUDEMER, et al, 1992). Além disso, em assentamentos com construções sobre 
pilotis, a ventilação por baixo das construções seria acentuada, o que reduziria pela metade o tamanho da 
sombra de vento. Em localidades urbanas densas, a adoção de pilotis nas edificações pode contribuir para 
a penetração dos ventos na malha urbana, na altura dos usuários.
Tais dispositivos serão melhor detalhados na seção 5 desta publicação.
4.3 Beirais e inclinações dos telhados
Amplos beirais e varandas afetam levemente a profundidade da esteira do vento, independente da posição 
dos beirais (sotavento ou barlavento) e de seu tamanho (EVANS, 1973; VAN STRAATEN et al., 1965), figura 4.11.
Inclinações de telhados planos produzem um tamanho similar da sombra de vento, mas à medida que a 
inclinação vai aumentando, a profundidade da esteira se expande, figura 4.12. Este efeito é acentuado pelo 
fato de que a altura total da construção também aumentará em função da inclinação do telhado. Quando 
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a zona da sombra de vento é ampliada, a pressão negativa (e conseqüentemente a diferença de pressão 
entre as fachadas da construção) é também aumentada. Isto resulta num fluxo de ar interno 15% maior que 
o encontrado em construções de cobertura plana (EVANS, 1973).
Figura 4.11. Efeito dos beirais com coberta plana no tamanho da esteira.
Fonte: Evans, 1979; Boutet, 1987.
Figura 4.12. Efeito dos beirais inclinados no tamanho da esteira.
Fonte: Evans, 1979; Boutet, 1987.
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4.4 Cercas e muros
A presença de muros no perímetro dos lotes pode produzir uma significativa redução do movimento do ar 
no interior das construções, especialmente se os muros forem altos e fechados.
A velocidade do ar na região da sombra de vento é função da altura do muro, da porosidade e do ângulo 
formado pelas lâminas dos elementos vazados (para muros vazados), figura 4.13. Nessa figura são apre-
sentadas zonas, localizadas a sotavento dos muros, cujas velocidades médias são representadas como 
percentual da velocidade do vento existente, antes dele atingir esses muros.
Do ponto de vista da ventilação, a ausência de muros nos lotes acentua o movimento de ar em torno das 
construções. Onde divisões são requeridas, os muros deveriam ser baixos e afastados das construções para 
reduzir a interferência no vento que atinge a construção.
Figura 4.13. Efeito de cercas 
e muros com diferentes 
configurações. 
Fonte: Boutet, 1987.
No Brasil, assim como na maioria dos países localizados em regiões quentes e úmidas, devido à carência de 
recursos financeiros, a maioria das moradias de baixo custo situa-se em pequenos lotes. Como conseqüência, 
distâncias curtas entre os limites do lote e as aberturas das construções são comuns. Nestes casos, uma cerca 
de 1,5m desvia a maior parte do fluxo de vento por cima das construções (Figura 4.14). Se componentes 
perfurados com porosidade de cerca de 50% forem usados nos muros, a obstrução é significantemente 
reduzida (MELARAGNO, 1982). Tais elementos podem ser utilizados para minimizar o impacto de muros 
no fluxo de ar próximo às aberturas da edificação, produzindo uma vazão na altura das janelas maior que 
aquelas obtidas com muros sem aberturas. A figura 4.14 mostra a redução na velocidade do vento produzida 
por cercas e muros com porosidades variadas. Pode-se constatar a influência benéfica da porosidade do 
muro, particularmente intensa em curtas distâncias a sotavento dos obstáculos (BOUTET, 1987).
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Figura 4.14. Redução na velo-
cidade do vento produzida por 
cercas e muros com porosida-
des variadas. 
Fonte: Melaragno, 1982.
4.5 Vegetação
A presença de vegetação também afeta a configuração do vento em função de sua forma e dimensão 
(MELARAGNO, 1982). Uma grande floresta ou uma densa área de vegetação produz um tamanho pequeno 
de sombra de vento em relação ao seu comprimento, figura 4.15b.
Figura 4.15. Efeito da ve-
getação na configuração 
do fluxo do vento. 
Fonte: Boutet, 1987.
Entretanto, uma curta e alta linha de árvores pode produzir uma esteira significativa, conforme demonstrado 
na figura 4.15a. Diferentes densidades de folhagens das árvores, e/ou a presença de arbustos embaixo da 
massa de árvores, podem produzir configurações distintas no fluxo de vento. Se as árvores são plantadas 
distantes umas das outras e o vento pode fluir abaixo e ao redor de cada árvore, a distância da construção 
para as árvores não é muito importante do ponto de vista da ventilação (VAN STRAATEN et al., 1965).
Em áreas tropicais, coqueiros e palmeiras produzem um amplo sombreamento com o mínimo de impedi-
mento ao fluxo do vento (GANDMER; MARNAUD, 1989), figura 4.16. Dessa forma as edificações usufruem 
do sombreamento, sem perder a ventilação. 
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Figura 4.16. Os coqueirais produzem amplo sombre-
amento sem impedir o fluxo do vento na altura das 
edificações. 
Fonte: Bittencourt; Lins; Ramalho, 1985.
5 VENTILAÇÃO NOS ESPAÇOS INTERIORES
Esta seção examina a influência do tamanho e da tipologia das aberturas das construções na configuração 
do fluxo de ar no interior dos espaços arquitetônicos. A influência de componentes externos, tais como co-
berturas, beirais, marquises e protetores solares, é também considerada.
Uma ampla revisão da literatura, a respeito do movimento de ar através dos interiores e ao redor das cons-
truções, foi realizada por Bowen (1983). Ele observou que muitas informações divulgadas sobre ventilação 
natural estão equivocadas, visto que são, freqüentemente, baseadas em \u201cconhecimentos limitados e na 
imaginação fértil de projetistas, que não pesquisaram exaustivamente o assunto\u201d. Daí surgiu a conhecida 
observação, comumente citada pelos estudiosos da ventilação natural, de que, infelizmente, o vento não 
segue as setas desenhadas pelo arquiteto quando da elaboração de seus projetos.
Figura 5.1. O vento não sabe ler setas.
Fonte: Acervo pessoal, 2005.
As fontes que baseiam este texto estão entre aquelas citadas na revisão bibliográfica de Bowen (1983), 
devidamente complementadas com bibliografia produzida posteriormente à publicação do seu trabalho. 
Surpreendentemente, apesar da importância da ventilação para a produção de uma arquitetura mais 
adaptada aos climas tropicais, há ainda muito pouca informação de substância disponível sobre o tema\u201d 
(EVANS, 1983).
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Entre a literatura publicada há uma que é o resultado de abrangente pesquisa realizada pelo Centre Scienti-
fique et Tecnique du Bâtiment - CSTB, França, incluindo a maioria dos aspectos relevantes para a ventilação 
em regiões quentes e úmidas. A investigação consistiu em testes em túnel de vento com modelos similares 
aos das construções tradicionais de Guadalupe, Caribe, com aberturas de entrada e saída abrangendo 30% 
do total das paredes que continham janelas. 
Medições em escala natural foram realizadas para avaliar a precisão dos dados coletados nos modelos 
simulados em túnel de vento, mostrando boa correlação (GANDEMER et al., 1992). Os resultados são ex-
pressos como coeficiente de velocidade Cv, representando a razão expressa pela média da velocidade de 
ar no interior das construções, medida a 1,5m de altura, dividida pela velocidade do vento externo, livre 
de obstruções, medida na mesma altura. Este método, além de fornecer uma expressão quantitativa da 
eficiência da ventilação, é adequado às finalidades do projeto arquitetônico,
Estudante
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Thamara
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amei ????????????
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