fundamentos_de_bioquimica_-_ricardo_vieira
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seqüência do tipo TTGACA e na posição de 
10pb antes do gene há a seqüência TATAAT 
que são o ponto de acoplamento da RNA po-
limerase para o início da síntese do RNAm 
que dará origem, futuramente, à proteína, co-
mo será descrito posteriormente. Essas se-
qüências são as mesmas para todos os tipos de 
genes. 
Na região flanqueadora 3\u2019 (ou downs-
tream \u2013 \u201crio abaixo\u201d), logo após o término do 
gene, existe uma região rica em GC, seguida 
de outra rica em AT, que vão possuir papel 
fundamental para que a RNA polimerase en-
cerre a síntese do RNAm correspondente à-
quele gene, conforme será mostrado posteri-
ormente, ainda neste capítulo. 
Fazendo parte, ainda, do complexo de 
regulação da expressão do gene, encontramos 
regiões muito afastadas do início do gene que 
exercem ação reguladora de sua expressão, 
denominadas de enhancers (estimuladores). 
 
A molécula de RNA 
 
Existem três tipos básicos de RNA: 
mensageiro (RNAm), transportador (RNAt) e 
ribossômico (RNAr). 
 A forma estrutural do RNA é de uma 
fita simples em espiral que se arranja, na 
maioria das vezes, formando pregas entre si, 
em virtude de pontes de hidrogênio ocorridas 
entre as bases nitrogenadas dos nucleotídeos 
da própria cadeia. Estas pregas dão a confor-
mação e um grampo de cabelo (hairpins) às 
regiões onde elas ocorrem e são estruturas 
características das moléculas de RNAt e 
RNAr (Figura 3-16). 
 
Figura 3-15 \u2013 Esquema de um gene eucariota. As zonas amarelas correspondem às regiões flanqueadoras que contêm as
regiões promotoras -35 e \u201310 (na extremidade 5\u2019) e a região de terminação com os sítios GC e AT (na extremidade 3\u2019).
As regiões codificadoras (éxons) e as não codificadoras estão representadas em verde e vermelho, respectivamente. 
Ricardo Vieira 
Fundamentos de Bioquímica - Capítulo 3: Ácidos Nucléicos 37 
 A molécula de RNAm não possui tais 
grampos, devido a necessidade estar linear 
para ser \u201clida\u201d pelos ribossomos durante a 
síntese protéica. Na verdade, a formação de 
tais grampos na molécula de RNAm ocorre 
como mecanismo favorecedor da edição da 
molécula após a transcrição direta do gene. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3-16 \u2013 Modelo de formação das pregas entre os 
nucleotídeos de uma molécula de RNA, assumindo 
conformação que lembra um grampo de cabelo. 
 
O RNAm é responsável pelo código 
genético para a síntese protéica, estabelecido 
entre ele e o DNA, sendo que a seqüência de 
3 nucleotídeos do DNA corresponde a se-
qüência de 3 nucleotídeos do RNAm (códon) 
que, por sua vez, corresponde a um aminoáci-
do específico no processo de síntese protéica. 
O seu processo de síntese é denominado 
transcrição e é um dos processos mais im-
portantes para a manutenção das característi-
cas celulares, uma vez que qualquer erro que 
haja pode ocorrer em erro na tradução do co-
digo genético e o conseqüente erro na síntese 
protéica. A molécula de RNAm é a forma 
citoplasmática, porém imediatamente após a 
transcrição, o RNA que foi copiado direta-
mente do DNA possui ainda as informações 
dos íntrons, que não correspondem à nenhuma 
informação genética. Este RNA é denomina-
do RNA heterogêneo nuclear (RNAhn) e é 
submetido a um processo de retirada da se-
qüência correspondente aos íntrons denomi-
nado splicing (junção), além da adição de 
uma seqüência de cerca de 100 a 200 nucleo-
tídeos de adenina, denominado de cauda po-
li-A, que será um importante regulador do 
processo de controle da tradução protéica, 
como será abordado posteriormente. 
O RNAt (transportador) realiza o 
transporte dos aminoácidos para a síntese 
protéica mediada pelo RNAm. Existem 20 
tipos de RNAt (um para cada aminoácido), 
possuindo quatro domínios comuns: 1) o pon-
to de ligação com o aminoácido que transpor-
ta, sempre a seqüência ACC na extremidade 
3\u2019; 2) a alça D, com a presença do nucleotí-
deo diidrouridina (formado por hidroxilação 
da uracila); 3) a alça T com a presença de 
timina formada por metilação da uracila (ch-
mada de ribotimidina); e 4) a alça do anticó-
don, que possui a seqüência que se ligará ao 
RNAm no ribossomo durante a síntese protéi-
ca (Figura 3-17). Na molécula de RNAt é 
observada a presença de outras bases modifi-
cadas como a pseudouridina (\u3a8) e, algumas 
vezes, um mesmo tipo de RNAt pode apre-
sentar ou C ou G em áreas em que não há 
formação de pregas, representado na estrutura 
simplesmente como uma pirimidina (Y). 
O RNAr (ribossômico) faz parte da 
composição molecular dos ribossomos, local 
da síntese protéica, aonde se acopla o RNAm 
e, posteriormente, os aminoácidos. Possui 
uma estrutura extremamente pregueada onde 
se revelam domínios responsáveis pela estru-
tura tridimensional final dos ribossomos (Fi-
gura 3-18). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3-17 \u2013 Modelo esquemático de uma molécula 
do RNAt para o aminoácido fenilalanina. A extremida-
de 3' (ACC) é responsável pelo transporte do aminoá-
cido. A alça do anticódon contém a seqüência com-
plementar ao RNAm (códon) durante a síntese protéi-
ca. Em algumas regiões da molécula, há o pareamento 
intramolecular das bases, formando as pregas de fila-
mento em dupla hélice. 
 
Ricardo Vieira 
Fundamentos de Bioquímica - Capítulo 3: Ácidos Nucléicos 38 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3-18 \u2013 Representação esquemática de uma 
molécula de RNAr 16s de E. coli e seus quatro domí-
nios. Notar os hairpins freqüentes em toda a molécula. 
 
 Os ribossomos são compostos por 
duas subunidades de RNAr que diferem de 
acordo com o coeficiente de sedimentação 
obtido por ultracentrifugação (S). Em ribos-
somos eucariotas, é uma organela de 80S, 
composto pelas subunidades 40S e 60S liga-
dos à 33 e 49 proteínas, respectivamente. O 
cromossomo procariota é menos complexo, 
possuindo duas subunidades de 30S e 50S 
ligados a 21 e 31 proteínas, respectivamente, 
constituindo uma unidade de 70S (Figura 3-
19). 
 No RNAr de procariotas existem se-
qüências específicas onde o RNAm se fixa 
(seqüências de Shine-Dalgarno) e a partir da 
qual são adicionados os aminoácidos oriundos 
dos RNAt. Entretanto, os eucariotas não pos-
suem tais seqüências, devendo haver um me-
canismo de leitura apropriado para identificar 
o ponto de início da síntese protéica. 
É comum vários ribossomos organiza-
rem-se em fileira (polissomos) sintetizando 
várias moléculas de proteína a partir de uma 
única molécula de RNAm, sendo que os po-
lissomos de eucariotas são bemmenores que 
os procariotas. Há a existência, também, de 
várias bases nitrogenadas modificadas, como 
a pseudourindina, 4-tiourinina, inosina, 1-
metilguanosina, N-isopenteniladenina, dii-
drouridina e ribotimidina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3-19 \u2013 Representação esquemática da confor-
mação tridimensional de um ribossomo eucariota. 
 
Uma classe de RNA existente somente 
em eucariotas é o pequeno RNA nuclear ou 
snRNA (small nuclear RNA). Possui em tor-
no de 200 nucleotídeos (10S) e estão ligados a 
proteínas, formando as pequenas partículas de 
ribonucleoproteínas nucleares ou snRNP 
(small nuclear ribonuceloprotein particles) 
que possuem a função na liberação do RNAm 
do núcleo para o citoplasma. 
 
 
DNA extra genômico 
 
A principal forma de DNA que não faz parte 
da composição normal do genoma de um ser 
vivo, corresponde ao DNA mitocondrial e 
DNA dos cloroplastos em eucariotas e o 
DNA de plasmídios em bactérias. Uma espé-
cie peculiar de DNA é o DNA viral, que pos-
sui características próprias, podendo ser em 
fita simples dupla ou ainda híbrida com RNA. 
 As moléculas de DNA mitocondrial e 
dos cloroplastos são fechadas, circulares, em 
cadeia super-helicoidal em sua maioria. Em 
algumas plantas, fungos e protozoários o 
DNA mitocondrial