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tantes como atenuantes do processo de enve-
lhecimento celular e os processos relaciona-
dos aos radicais livres, a maioria das vitami-
nas possui ação terapêutica inespecífica a sua 
ação biológica (a vitamina B6, por exemplo, é 
cofator de reações de transaminação de ami-
noácidos e é utilizada terapêuticamente em 
vertigens e dores musculares). 
O uso terapêutico é realizado em altas 
doses aicma das necessidades diárias e só po-
dem ser adquiridos através de medicamentos 
uma vez que seria necessária uma quantidade 
enorme das fontes naturais para atingir a con-
centração terapêutica (com exceção da vita-
mina C), o que pode levar ao aparecimento de 
efeitos adversos típicos da hipervitaminose. 
 
 
Vitaminas Hidrossolúveis 
 
1. Vitamina B1 (tiamina): 
Durante a absorção intestinal, é fosfo-
rilada a tiamina pirofosfato (TPP), sua forma 
ativa, que vai ser grupamento prostético das 
enzimas 2-cetoglutarato desidrogenase e 
transcetolase. 
 
2-cetoglutarato succinil-CoA complexo multienzimático 
TPP + 
 
 
piruvato acetil-CoA 
TPP + 
complexo multienzimático 
 
 
xilulose 5-P + ribose 5-P 
TPP + 
transcetolase gliceraldeído 3-P + 
sedoheptulose 7-P 
 
 
É uma vitamina termolábil e sensível a 
variação de pH, sendo inativa em soluções 
alcalinas. 
A sua deficiência resulta em béri-
béri, uma doença de sintomas cardio-
neurológicos e motores. Em alcoólatras a ca-
rência de tiamina expressa-se na síndrome de 
Wernik-Korsakoff, cujas causas está atrelada 
à insuficiência hepática que dificulta o arma-
zenamento e absorção não só da tiamina mais 
de quase todas as vitaminas do complexo B. 
Uma ingestão acentuada de peixe cru 
pode levar a uma maior destruição de tiamina 
devido a presença de enzimas tiaminases que 
hidrolizam a enzima no trato digestivo, inati-
vando-a. 
Seu uso terapêutico específico está as-
sociado a reversão da sintomatologia neuro-
muscular de algumas doenças genéticas onde 
há a diminuição da atividade das enzimas on-
de ela é co-fator. Freqüentemente, é utilizada 
em associação com as demais vitaminas do 
complexo B para a melhoria de sintomas de 
fraqueza muscular de causas variadas. 
 A Figura 9-1 representa a forma ali-
mentar da tiamina. 
 
 
Figura 9-1 - Estrutura molecular da tiamina. A
forma ativa de tiamina pirofosfato (TPP) é obtida
pela adição de dois fosfato na OH terminal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Vitamina B2 (riboflavina): 
A forma ativa é o FAD (flavina adeni-
na nucleotídeo) e o FMN (flavina adenina 
mononucleotídeo), que recebem e prótons e 
elétrons, convertendo-se de formas oxidadas 
(FAD+ e FMN+) para reduzida (FADH2 e 
Ricardo Vieira 
Fundamentos de Bioquímica - Capítulo 8: Vitaminas 88 
FMNH2). O FAD é um importante transpor-
tador de elétrons e prótons na cadeia respira-
tória mitocondrial. 
É uma vitamina de cor amarelada, 
termoestável, porém fotolábil, que perde essa 
cor quando exposta a luz ou submetida a radi-
ação (um procedimento industrial comum pa-
ra aumentar a quantidade de vitamina D no 
leite). 
Nenhuma doença específica está asso-
ciada à sua carência, mas são observadas ra-
chaduras no canto da boca, seborréia e anemi-
a. Seu uso terapêutico é em associação com as 
demais vitaminas do complexo B. 
 Na Figura 9-2 pode ser observada a 
forma alimentar da riboflavina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Vitamina B3: 
Presente nos alimentos na forma de 
niacinamida (uma amida) e ácido nicotínico 
(ou niacina, um ácido carboxílico), esta vita-
mina, que pode ser sintetizada a partir do a-
minoácido triptofano, participa da molécula 
de NAD (nicotinamida adenina dinucleotí-
deo), importantíssimo transportador de pró-
tons e elétrons no metabolismo energético 
mitocondrial (Figura 9-3). 
É foto e termoestável e tem na pela-
gra a forma clássica de carência alimentar 
cuja expressão sintomatológica é de fácil re-
conhecimento pela presença de dermatite, de-
nêmcia e diarréia. Pode ocorrer quando o ali-
mento está contaminado com fungos produto-
res de micotoxinas que destroem a vitamina 
B3. 
Outras doenças onde o metabolismo 
do triptofano é comprometido se expressam 
com a pelagra. É o caso do erro inato do me-
tabolismo conhecido como doença de Hart-
nup onde o triptofano (e outros aminoácidos) 
possem a absorção diminuída. Em algumas 
tipos de câncer desenvolve-se a síndrome 
carcinóide onde há o aumento do catabolis-
mo do triptofano, o que leva a pelagra. 
Seu uso terapêutico está associado ao 
combate dos sintomas causados pela sua defi-
ciência, sendo que o uso terapêutico em ou-
tras manifestações clínicas é desaconselhado, 
não devendo estar presente em doses acima de 
200mg/dia nos "coquetéis" de vitamina do 
complexo B, pois a hipervitaminose está rela-
cionada à lesão hepática e hiperpigmentação 
da pele, além de vasodilatação (que induz a 
queda da pressão arterial e faces rubras) e dis-
túrbios no metabolismo da glicose e ácido ú-
rico, levando a hiperglicemia e hiperuricemia. 
 
Figura 9-2 - A estrutura molecular da riboflavina.
A forma ativa é e o FAD onde a última hidroxila é
adicionada ao fosfato (formando o FMN) ou ao
ADP (formando o FAD). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9-3 - Estrutura molecular da vitamina B3 na forma de
ácido nicotínico ou niacina. A niacinamida possui a função
amida (substituição do -OH por -NH2). 
 
4. Ácido pantotênico: 
Já foi denominada de vitamina B5, es-
ta vitamina faz parte da molécula de coenzima 
A (CoA) e é responsável por reações de aceti-
lação (advindo daí o termo A da coenzima A) 
(Figura 9-4). 
Outra enzima que possui o ácido pan-
totênico é a proteína transportadora de gru-
pamentos acil na síntese de ácidos graxos. 
Entretanto, a CoA é a forma mais abundante e 
importante de ação dessa vitamina, sendo res-
ponsável pelo transporte de gripos carbonados 
(como o acetil e o acil) para o metabolismo 
energético. 
Nenhuma doença carencial é descrita, 
porém foi relatada uma síndrome do pé ar-
dente descrita em pelotões da segunda grande 
guerra cuja ração apresentava uma deficiência 
em ácido pantotênico. Uma forma sintética da 
vitamina, o ômega-pantotenato, possui ação 
antagonista diminuindo a ação do ácido pan-
Ricardo Vieira 
Fundamentos de Bioquímica - Capítulo 8: Vitaminas 89 
totênico ingerido naturalmente na alimenta-
ção. 
 Essa vitamina possui uma certa termo-
labilidade, com cerca de 1/3 sendo perdido 
com o cozimento dos alimentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. Vitamina B6: 
É encontrada nos alimentos em três 
formas: piridoxina (um álcool), piridoxal 
(um aldeído) e piridoxamina (uma amina) 
(Figura 9-4). 
É coenzima em reações do metabolis-
mo dos aminoácidos, como por exemplo as 
transaminações. 
É uma vitamina foto e termolábil 
(principalmente a forma de piridoxal) o que 
faz com que haja perda considerável com o 
cozimento dos alimentos. É estável em meio 
ácido, sendo inativada em pH alcalino. 
É rara a deficiência de vitamina B6, 
não havendo uma doença carencial específica. 
Entretanto, são descritos sintomas de dermati-
te, glossite e neuropatias relacionadas a sua 
deficiência em pacientes que fazendo uso de 
certos quimioterápicos (ciclosserina, isoniazi-
da e penicilamina). 
Seu uso terapêutico é como anti-
neurítico e na prevenção de enjôos. Existe a 
probabilidade de reações alérgicas quando se 
faz uso de altas dosagens. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9-5 - Estrutura molecular da vitamina B6 em
sua forma de piridoxina. Na forma de piridoxal o -
CH2OH é substituído por -CHO e na forma de piri-
doxamina por -CH2NH2. 
 
Figura 9-4 - Estrutura molecular da coenzima A. A região 
em destaque corresponde ao ácido pantotênico. 
 
6. Vitamina B12 (cobalamina): 
Possui