Volume IX - Freu 5 lições - Leonardo Da Vinci - Amor
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Volume IX - Freu 5 lições - Leonardo Da Vinci - Amor


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com crescente perda de fôlego e, depois, 
com alguns saltos rápidos podemos crescer de novo. Assim, o modelo 
rítmico da cópula é reproduzido no subir as escadas. Nem devemos 
omitir em trazer à evidência o uso lingüístico. Ele nos revela que 
`trepar\u2019 [em alemão `steigen\u2018] se usa como equivalente direto do ato 
sexual. Falamos de um homem como um `Steiger\u2018 [um `trepador\u2019] e de 
`nachsteigen\u2018 [`correr atrás de\u2019, literalmente `trepar\u2019]. Em francês os 
degraus de uma escada chamam-se `marches\u2018 e `un vieux marcheur 
tem o mesmo sentido que o nosso `ein alter Steiger\u2018 [`um velho 
devasso\u2019]. O material do sonho de onde tais simbolismos, 
recentemente reconhecidos, foram extraídos, ser-lhes-á apresentado, 
no devido tempo, pela comissão que estamos formando para o estudo 
coletivo do simbolismo. Os senhores encontrarão algumas 
observações sobre outro símbolo interessante, o do `salvamento\u2019 e 
suas alterações em significação, no segundo volume do nosso 
Jahrbuch (Anuário). Mas, devo interromper aqui ou não chegarei aos 
meus outros objetivos.
Cada um dos senhores pode saber, de sua própria experiência, que 
atitude bastante diferente terá para um novo caso de enfermidade, 
quando certa vez se apoderou, profundamente, da estrutura de alguns 
casos característicos. Imaginem que tenhamos chegado a uma fórmula 
sucinta dos fatores que, comumente, participam da constituição das 
diversas formas de neurose, como aconteceu, até aqui, na 
estruturação dos sintomas histéricos, e considerem como isso pode 
estabelecer, firmemente, nosso julgamento prognóstico! Assim como 
um obstetra pode dizer, ao examinar a placenta, se ela foi 
completamente expelida ou se ainda permanecem seus fragmentos 
nocivos, do mesmo modo nós, independentemente do resultado e do 
estado do paciente, no momento, lograremos saber se nosso trabalho 
foi bem-sucedido ou se teremos de esperar recaídas e novas crises de 
enfermidade.
(b) Apressar-me-ei em torno das inovações no setor da técnica, onde, 
na verdade, quase tudo ainda aguarda a posição final e muita coisa, 
somente agora, começa a esclarecer-se. Há, hoje, dois objetivos na 
técnica psicanalítica: poupar o esforço do médico e dar ao paciente o 
mais irrestrito acesso ao seu inconsciente. Como sabem, nossa técnica 
passou por uma transformação fundamental. À época do tratamento 
catártico, o que almejávamos era a elucidação dos sintomas; 
afastamo-nos, depois, dos sintomas e devotamo-nos, em vez disso, a 
desvendar os `complexos\u2019, para usar uma palavra que Jung tornou 
indispensável; agora, no entanto, nosso trabalho objetiva encontrar e 
sobrepujar, diretamente, as `resistências\u2019, e podemos confiar em que 
venham à luz, justificadamente, sem dificuldade, os complexos, tão 
logo se reconheçam e se removam as resistências. Alguns dos 
senhores têm sentido, desde então, a necessidade de que se possa 
fazer uma pesquisa dessas resistências e classificá-las. Pedir-lhe-ei 
que examinem seu material e vejam se podem confirmar a afirmação 
generalizada de que, nos pacientes masculinos, a maioria das 
resistências importantes ao tratamento parecem derivar-se do 
complexo paterno e expressar-se neles no medo ao pai, desobediência 
ao pai e desavença do pai.
As outras inovações na técnica relacionam-se com o próprio médico. 
Tornamo-nos cientes da `contratransferência\u2019, que, nele, surge como 
resultado da influência do paciente sobre os seus sentimentos 
inconscientes e estamos quase inclinados a insistir que ele 
reconhecerá a contratransferência, em si mesmo, e a sobrepujará. 
Agora que um considerável número de pessoas está praticando a 
psicanálise e, reciprocamente, trocando observações, notamos que 
nenhum psicanalista avança além do quanto permitem seus próprios 
complexos e resistências internas; e, em conseqüência, requeremos 
que ele deva iniciar sua atividade por uma auto-análise e levá-la, de 
modo contínuo, cada vez mais profundamente, enquanto esteja 
realizando suas observações sobre seus pacientes. Qualquer um que 
falhe em produzir resultados numa auto-análise desse tipo deve 
desistir, imediatamente, de qualquer idéia de tornar-se capaz de tratar 
pacientes pela análise.
Estamos chegando, agora, também, à opinião de que se deve 
modificar a técnica psicanalítica, em certos setores, de acordo com a 
natureza da doença e das tendências instintivas predominantes no 
paciente. Partimos do tratamento da histeria de conversão; na histeria 
de angústia (fobias), devemos alterar, em certa extensão, o nosso 
procedimento. Pois esses pacientes não podem expressar o material 
necessário para resolver as suas fobias, uma vez que se sentem 
protegidos por obedecer à situação que se estabeleceu. Não se pode 
ser bem-sucedido, por certo, em persuadi-los a abandonar suas 
medidas protetoras e a trabalhar, sob a influência da ansiedade, desde 
o início do tratamento. Deve-se, portanto, auxiliá-los ao interpretar-lhes 
o inconsciente, até que possam tomar uma decisão, sem a proteção de 
sua fobia e sem que se exponham a sua ansiedade já grandemente 
mitigada. Somente depois de assim procederem, o material torna-se 
acessível, e, uma vez dominado, conduz à solução da fobia. As outras 
modificações da técnica, que ainda não me parecem maduras para 
exame, serão requeridas no tratamento das neuroses obsessivas. 
Nessa conexão, surgem muitas questões importantes, as quais, até 
aqui, não foram elucidadas: até que ponto se deve permitir, durante o 
tratamento, certa satisfação dos instintos que o paciente está 
combatendo e que diferença faz se esses impulsos são ativos 
(sádicos) ou passivos (masoquistas), em sua natureza.
Espero que os senhores tenham formado a impressão de que quando 
soubermos tudo quanto, só agora, suspeitamos e realizarmos todas as 
melhorias na técnica, a que nos conduz uma observação mais 
profunda dos pacientes, o nosso procedimento clínico alcançará grau 
de precisão e certeza de sucesso que se hão de encontrar em todo 
campo especializado da medicina.
(2) Disse que muito se tinha de esperar do aumento em autoridade, 
que nos adviria, na medida em que passa o tempo. Não necessito 
dizer-lhes muito sobre a importância da autoridade. Poucas pessoas 
civilizadas, apenas, são capazes de existir sem confiar em outras ou, 
até mesmo, de vir a ter uma opinião independente. Os senhores não 
podem exagerar a intensidade de carência interior de decisão das 
pessoas e de exigência de autoridade. O aumento extraordinário das 
neuroses desde que decaiu o poder das religiões pode dar-lhes uma 
medida disso. O empobrecimento do ego devido ao grande dispêndio 
de energia, na repressão, exigido de cada indivíduo pela civilização, 
pode ser uma das principais causas desse estado de coisas.
Até o momento, essa autoridade, com seu enorme peso de sugestão, 
ficou contra nós. Todos os nossos sucessos terapêuticos foram 
alcançados em face dessa sugestão: é surpreendente que se tenham 
conseguido quaisquer sucessos em tais circunstâncias. Não devo 
deixar que me levem a descrever minhas experiências satisfatórias 
durante o período em que, sozinho, representava a psicanálise. Posso 
dizer, apenas, que, quando assegurava a meus pacientes que sabia 
como aliviar-lhes, permanentemente, os sofrimentos, olhavam em torno 
da minha modesta sala, que refletia a ausência de fama e de título, e 
me consideravam como possuidor de um sistema infalível numa casa 
de jogo, de quem as pessoas dizem que, se pudesse fazer o que 
professa, pareceria bem diferente do que é. Nem realmente era 
agradável realizar uma operação psíquica enquanto os colegas, cujo 
dever seria o de assistir, se deliciassem, particularmente, em cuspir no 
campo operatório, quando aos primeiros sinais de sangue, ou de 
agitação do paciente, os seus parentes começassem por ameaçar o 
cirurgião. Uma operação, por certo, se destina a produzir reações; em 
cirurgia, estamos acostumados a isso, há muito