Volume IX - Freu 5 lições - Leonardo Da Vinci - Amor
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Volume IX - Freu 5 lições - Leonardo Da Vinci - Amor


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em sua tarefa.
Lembremo-nos, no entanto, de que nossa atitude perante a vida não 
deve ser a do fanático por higiene ou terapia. Devemos admitir que a 
prevenção ideal de enfermidade neuróticas, que temos em mente, não 
seria vantajosa para todos os indivíduos. Um bom número daqueles 
que, hoje, fogem para a enfermidade não suportariam o conflito, sob as 
condições que supomos, mas sim, sucumbiriam, rapidamente, ou 
causariam prejuízo maior que a sua própria doença neurótica. As 
neuroses possuem, de fato, sua função biológica, como um dispositivo 
protetor, e têm sua justificação social: a `vantagem da doença\u2019, que 
proporcionam, não é sempre uma vantagem puramente subjetiva. 
Existe alguém entre os senhores que, alguma vez, não examinou a 
causalidade da neurose, e não teve de admitir que esse era o mais 
suave resultado possível da situação? E dever-se-iam fazer tais 
pesados sacrifícios, a fim de erradicar as neuroses, em especial, 
quando o mundo está cheio de outras misérias inevitáveis?
Devemos, então, abandonar nossos esforços para explicar o 
significado oculto da neurose como sendo, em última instância, 
perigoso para o indivíduo e nocivo para as funções da sociedade? 
Devemos renunciar a retirar conclusões práticas de uma parte da 
compreensão científica? Não; penso que, apesar disso, nosso dever 
repousa noutra direção. A vantagem da enfermidade, que proporciona 
as neuroses é, não obstante, no todo, e, finalmente, prejudicial aos 
indivíduos e, igualmente, à sociedade. A infelicidade que nosso 
trabalho de esclarecimento pode causar, atingirá, afinal, apenas alguns 
indivíduos. A modificação, para uma atitude mais realista e respeitável, 
da parte da sociedade, não será comparada, a preço bastante elevado, 
através desses sacrifícios. Acima de tudo, porém, todas as energias 
que se consomem, hoje em dia, na produção de sintomas neuróticos, 
que servem aos propósitos do mundo da fantasia, isolado da realidade, 
ajudarão, mesmo que não possam ser postos de imediato em uso na 
vida, a fortalecer o clamor pelas modificações, em nossa civilização, 
através das quais, unicamente, podemos procurar o bem-estar das 
gerações futuras.
Desejaria, portanto, deixá-los ir com a segurança de que, ao tratarem 
seus pacientes psicanaliticamente, estarão cumprindo com o seu dever 
em mais de um sentido. Os senhores não estarão trabalhando, 
apenas, a serviço da ciência, ao fazer uso de uma única oportunidade, 
para descobrir os segredos da neuroses; estarão, não apenas, dando 
aos seus pacientes o remédio mais eficaz para os seus sofrimentos, de 
que dispõem hoje em dia; estarão contribuindo, com a sua parcela, 
para o esclarecimento da comunidade, através do qual esperamos 
alcançar a profilaxia mais radical, contra as perturbações neuróticas, 
ao longo do caminho indireto da autoridade social.
ÜBER DEN GEGENSINN DER URWORTE
(a) EDIÇÕES EM ALEMÃO:
1910 Jb. psychoana., psychopath. Forsch., 2, (1), 178-184.
1913 S.K.S.N., 3, 280-287. (2ª.ed. 1921.)
1924 G.S., 10, 221-228.
1943 G.W., 8, 214-221.
(b) TRADUÇÃO INGLESA:
\u201cO Sentido Antitético de Palavras Primitivas\u201d
1925 C.P., 4, 184-191. (Trad. de M. N. Searl.)
A presente tradução inglesa com um título modificado, \u201cA Significação 
Antitética de Palavras Primitivas\u201d, é uma nova tradução de Alan Tyson.
Conta-nos Ernest Jones (1955, 347) que Freud tomou conhecimento 
do panfleto de Abel no outono de 1909. Experimentou uma satisfação 
particular com a descoberta, como se vê das muitas referências que a 
ela fez em seus escritos. Em 1911, por exemplo, acrescentou uma 
nota de rodapé a respeito dela, em The Interpretation of Dreams (A 
Interpretação de Sonhos) (1900a), ver em [1], e a resume com certa 
extensão, em duas passagens de suas Introductory Lectures 
(Conferências Introdutórias) (1916-17), nas Conferências XI e XV. O 
leitor deve ter em mente o fato de que o panfleto de Abel foi publicado 
em 1884 e não seria surpresa se algumas de suas descobertas não 
fossem aceitas por filólogos ulteriores. Isso é principalmente verdade 
para seus comentários egiptológicos, que foram feitos antes que 
Erman tivesse colocado a filologia egípcia, pela primeira vez, em base 
científica. As citações de Abel que aqui se fazem foram traduzidas sem 
qualquer modificação da ortografia de seus exemplos.
A SIGNIFICAÇÃO ANTITÉTICA DAS PALAVRAS PRIMITIVAS 
EM MINHA The Interpretation of Dreams (A Interpretação de Sonhos) 
fiz uma afirmação acerca de uma das descobertas de meu trabalho 
analítico, que eu, naquela época, não entendi. Repito-a aqui à guisa de 
prefácio a esta crítica:
`O modo pelo qual os sonhos tratam a categoria de contrários e 
contradições é bastante singular. Eles simplesmente a ignoram. O 
\u201cnão\u201d parece não existir, no que se refere aos sonhos. Eles mostram 
uma preferência particular para combinar os contrários numa unidade 
ou para representá-los como uma e mesma coisa. Os sonhos tomam, 
além disso, a liberdade de representar qualquer elemento, por seu 
contrário de desejo; não há, assim, maneira de decidir, num primeiro 
relance, se determinado elemento que se apresenta por seu contrário 
está presente nos pensamentos do sonho como positivo ou negativo.\u2019
Os intérpretes de sonhos da antiguidade parecem ter feito uso mais 
extenso da noção de que uma coisa num sonho pode significar seu 
oposto. Esta possibilidade também tem sido de vez em quando 
reconhecida pelos modernos estudiosos de sonhos, na medida em que 
admitem que os sonhos têm uma significação e podem ser 
interpretados. Não acho que serei contraditado ao pressupor que todos 
aqueles que me acompanharam no interpretar sonhos em bases 
científicas tenham encontrado uma confirmação da assertiva acima 
citada.
Eu não conseguia entender a tendência singular do trabalho do sonho 
para desconhecer a negação e empregar os mesmos meios de 
representação para expressar os contrários até que me aconteceu, por 
acaso, ler um trabalho do filólogo Karl Abel, publicado em 1884, em 
panfleto separado e, no ano seguinte, incluído nos 
Sprachwissenschaftliche Abhbandlungen [Ensaios Filológicos] do 
autor. O assunto é de interesse suficiente para justificar que eu cite 
aqui o texto completo das passagens cruciais do artigo de Abel 
(omitida, no entanto, a maioria dos exemplos). Delas obtemos a 
informação surpreendente que o comportamento do trabalho do sonho 
que acabei de descrever é idêntico a uma peculiaridade das línguas 
mais antigas que conhecemos.
Depois de acentuar a antiguidade da língua egípcia que deve ter-se 
desenvolvido muito tempo antes das primeiras inscrições hieroglíficas, 
Abel continua (1884,4):
`Atualmente na língua egípcia, esta relíquia única de um mundo 
primitivo, há um bom número de palavras com duas significações, uma 
das quais é o oposto exato da outra. Suponhamos, se é que se pode 
imaginar um exemplo tão evidente de absurdo, que em alemão a 
palavra \u201cforte\u201d signifique ao mesmo tempo \u201cforte\u201d e \u201cfraco\u201d; que em 
Berlim o substantivo \u201cluz\u201d se use para significar ao mesmo tempo \u201cluz\u201d 
e \u201cescuridão\u201d; que um cidadão de Munique chame cerveja de \u201ccerveja\u201d, 
enquanto outro use a mesma palavra para falar de água: nisto é que 
importaria o surpreendente costume usado regularmente pelos antigos 
egípcios em sua linguagem. Como incriminar-se alguém que, incrédulo, 
abane a cabeça?\u2026\u2019 (Omitem-se os exemplos.)
(Ibid., 7): `Em vista destes e de muitos casos similares de significação 
antitética (veja-se o Apêndice) está fora de dúvida que numa língua, 
pelo menos, havia um grande número de palavras que designavam, ao 
mesmo tempo, uma coisa e seu oposto. Por surpreendente que seja, 
estamos diante do fato e temos de reconhecê-lo.\u2019
O autor prossegue, rejeitando uma explicação destas circunstâncias 
que sugere podem acontecer, por acaso, que duas palavras tenham o 
mesmo som, e repudiando, com igual firmeza, a tentativa de referi-la