Volume IX - Freu 5 lições - Leonardo Da Vinci - Amor
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Volume IX - Freu 5 lições - Leonardo Da Vinci - Amor


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`stumm\u2018 
(`mudo\u2019) com `Stimme\u2018 (`voz\u2019), e assim por diante. Desse modo, 
mesmo a derivação etimológica bastante risível de lucus a non lucendo 
teria em si algum sentido.
Em seu ensaio sobre `A Origem da Linguagem\u2019 Abel (1885, 305) 
chama a atenção para traços outros de antigas dificuldades do pensar. 
Mesmo hoje o homem inglês para exprimir `ohne\u2018 (`sem\u2019 em alemão) 
diz `without\u2018 (`mitohne isto é \u201ccom-sem\u201d em alemão) e o prussiano 
oriental faz o mesmo. A própria palavra `with\u2018 (`com\u2019 em inglês), que 
hoje corresponde ao `mit\u2019 (`com\u2019 em alemão) originariamente 
significava `without\u2018 (`sem\u2019 em inglês) e ao mesmo tempo `with\u2018 como 
se pode reconhecer em `withdraw\u2018 (`retirar\u2019 em inglês) e `withhold 
(`reter\u2019 em inglês). A mesma transformação pode ser vista em `wider\u2018 
(`contra\u2019 em alemão) e `wieder\u2018 (`junto com\u2019 em alemão).
Para uma comparação com o trabalho do sonho há outra característica 
extremamente estranha da antiga língua egípcia que é significativa. 
`Em egípcios, as palavras podem \u2014 diremos de início, aparentemente 
\u2014 inverter seu som bem como seu sentido. Suponhamos que a palavra 
alemã `gut\u2018 [\u201cbom\u201d] fosse egípcia: ela poderia então significar `mau\u2019 do 
mesmo modo que `bom\u2019, e ser pronunciada `tug\u2018 do mesmo modo que 
`gut\u2018. Numerosos exemplos de tais inversões de som, que são 
demasiado freqüentes para se explicarem como ocorrências fortuitas, 
se podem igualmente extrair das línguas ariana e semita. 
Limitando-nos a princípio às línguas germânicas podemos assinalar: 
Topf \u2014 pot (`pote\u2019 em alemão e `pote\u2019 em inglês); boat \u2014 tub (`barco\u2019 
em inglês e `banheira\u2019 em inglês); wait \u2014 täuwen (`esperar\u2019 em inglês e 
`esperar\u2019 em alemão); hurry \u2014 Ruhe (`pressa\u2019 em inglês e `descanso\u2019 
em alemão); care \u2014 reck (\u2018cuidar\u2019 em inglês e `importar-se\u2019 em inglês); 
Balken \u2014 klobe, club (`viga\u2019 em alemão e `cepo\u2019 em alemão e `cepo\u2019 
em inglês). Se tomamos as outras línguas indo-germânicas em 
consideração, o número de exemplos relevantes cresce em 
conseqüência; por exemplo, capere \u2014 packen (`tomar\u2019 em latim e 
`agarrar\u2019 em alemão); ren \u2014 Niere (`rim\u2019 em latim e `rim\u2019 em alemão); 
leaf \u2014 folium (`folha\u2019 em inglês e `folha\u2019 em latim); dum-a, \u3b8\u3c5µ\u3bf\u3c2 \u2014 
mêdh, mûdha, Mut (`pensamento\u2019 em russo, `espírito\u2019 ou `coragem em 
grego e `mente\u2019 em sânscrito, `coragem\u2019 em alemão); rauchen \u2014 kur-ít 
(`fumar\u2019 em alemão e `fumar em russo); kreischen \u2014 to shriek (`gritar` 
em alemão e `gritar\u2019 em inglês) etc.
Abel tenta explicar o fenômeno de inversão de som como um dobrar ou 
uma repudiação da raiz. Aqui encontraríamos certa dificuldade em 
seguir o filólogo. Relembramos nesta conexão o quanto as crianças 
gostam de brincar de inverter o som de palavras e quão 
freqüentemente o trabalho do sonho faz uso da inversão do material 
representativo para várias finalidades. (Aqui não são mais as letras 
mas as imagens cuja ordem se inverte.) Deveríamos, portanto, nos 
inclinar mais a fazer provir a inversão de som de um fator de origem 
mais profunda.
Na correspondência entre a peculiaridade do trabalho do sonho 
mencionado no início do artigo e a prática descoberta pela filologia nas 
línguas mais antigas, devemos ver uma confirmação do ponto de vista 
que formamos acerca do caráter regressivo, arcaico da expressão de 
pensamentos em sonhos. E nós, psiquiatras, não podemos escapar à 
suspeita de que melhor entenderíamos e traduziríamos a língua dos 
sonhos se soubéssemos mais sobre o desenvolvimento da linguagem.
UM TIPO ESPECIAL DE ESCOLHA DE OBJETO FEITA PELOS 
HOMENS (CONTRIBUIÇÕES À PSICOLOGIA DO AMOR I) (1910)
BEITRÄGE ZUR PSICHOLOGIE DES LIEBESLEBENS I
ÜBER EINEN BESONDEREN TIPUS DER OBJEKTWAHL BEIM 
MANNE
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1910 Jb. psychoan. psychopath. Forsch., 2 (2), 389-97. (`Beiträge zur 
Psychologie des Liebeslebens\u2019 1.)
1918 S.K.S.N., 4, 200-12 (2ª ed. 1922.)
1924 G.S., 5, 186-978.
1924 Em Beiträge zur Psychologie des Liebeslebens, Leipzig, Viena e 
Zurique: Internationaler Psychoanalytischer Verlag. (Pp. 3-14.)
1931 Sexualtheorie und Traumlehre, 69-80.
1943 G.W., 8, 66-77.
(b) TRADUÇÃO INGLESA:
`Contributions to the Psychology of Love:A Special Type of Choice of 
Object made by Men\u2019
1925 C.P., 4, 192-202. (Tr. Joan Riviere.)
A presente tradução inglesa é uma nova feita por Alan Tyson.
Este trabalho, os dois seguintes, embora tenham sido escritos e 
publicados durante o período de alguns anos, foram reunidos, por 
Freud, na quarta série de seus ensaios maus curtos (S.K.S.N., 4, 1918) 
sob o título geral acima impresso. Soubemos, através de Ernest Jones 
(1955, 333), que Freud anunciara sua intenção de escrever um 
trabalho desta natureza para uma reunião da Sociedade Psicanalítica 
de Viena, em 28 de novembro de 1906. A essência deste trabalho foi 
apresentada perante a mesma sociedade em 19 de maio de 1909 e 
comentada uma semana depois. Mas não foi escrita, realmente, senão 
no começo do verão do ano seguinte.
NOTA DO EDITOR BRASILEIRO
A presente tradução brasileira é da autoria de Clotilde da Silva Costa. 
Revisão geral e técnica de Jayme Salomão (Membro-Associado da 
Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro).
UM TIPO ESPECIAL DE ESCOLHA DE OBJETO FEITA PELOS 
HOMENS (CONTRIBUIÇÕES À PSICOLOGIA DO AMOR 1)
ATÉ AQUI deixamos ao escritor de ficção descrever-nos as condições 
necessárias ao amor\u2019 que determinam a escolha de um objeto feita 
pelas pessoas e a maneira pela qual elas conduzem as exigências de 
sua imaginação em harmonia com a realidade. O escritor pode, 
realmente, valer-se de certas qualidades que o habilitam a realizar 
essa tarefa: sobretudo, de sensibilidade que lhe permite perceber os 
impulsos ocultos nas mentes de outras pessoas e de coragem para 
deixar que a sua própria, inconsciente, se manifeste. Há, entretanto, 
uma circunstância que diminui o valor comprobatório do que ele tem a 
dizer. Os escritos estão submetidos à necessidade de criar prazer 
intelectual e estético, bem como certos efeitos emocionais. Por essa 
razão, eles não podem reproduzir a essência da realidade tal como é, 
se não que devem isolar partes da mesma, suprimir associações 
perturbadoras, reduzir o todo e completar o que falta. Esses são os 
privilégios do que se convencionou chamar `licença poética\u2019. Além 
disso, eles podem demonstrar apenas ligeiro interesse pela origem e 
pelo desenvolvimento dos estados psíquicos que descrevem em sua 
forma completa. Torna-se, pois, inevitável que a ciência deva, também, 
se preocupar com as mesmas matérias, cujo tratamento, pelos artistas, 
há milhares de anos, vem deleitando tanto a humanidade, muito 
embora seu trato seja mais tosco e proporcione menos prazer. Essas 
observações, esperamos, servirão para nos justificar, de modo amplo, 
o tratamento estritamente científico que damos ao campo do amor 
humano. A ciência, é, afinal, a renúncia mais completa ao princípio de 
prazer de que é capaz nossa atividade mental.
No curso do tratamento psicanalítico, há amplas oportunidades para 
colher impressões sobre a maneira como os neuróticos se comportam 
em relação ao amor; conquanto possamos evocar, ao mesmo tempo, 
tendo observado ou ouvido falar de comportamento semelhante em 
pessoas de saúde normal ou mesmo naquelas de qualidades 
excepcionais. Quando acontece que o material é favorável e conduz, 
assim, à acumulação dessas impressões, surgem mais claramente 
tipos definidos. Começarei aqui pela descrição de um desses tipos de 
escolha de objeto \u2014 que ocorre no homem \u2014 já que se caracteriza por 
uma série de `condições necessárias ao amor\u2019, cuja combinação é 
ininteligível, e até desconcertante, e visto que admite uma explicação 
simples de contexto psicanalítico.
(1) A primeira dessas precondições para o amor pode ser descrita 
como positivamente específica: onde quer que ela se manifeste, 
pode-se procurar a presença de outras características desse tipo. 
Pode-se designá-la