Volume IX - Freu 5 lições - Leonardo Da Vinci - Amor
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Volume IX - Freu 5 lições - Leonardo Da Vinci - Amor


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inerente à civilização é conseqüência necessária de certas 
peculiaridades que o instinto sexual adotou sob a pressão da cultura. A 
própria incapacidade do instinto sexual de produzir satisfação 
completa, tão logo se submete às primeiras exigências da civilização, 
torna-se a fonte, no entanto, das mais nobres realizações culturais que 
são determinadas pela sublimação cada vez maior de seus 
componentes instintivos. Pois, que motivo teria o homem para colocar 
as forças instintivas sexuais a outros serviços se, com qualquer 
distribuição dessas forças, eles poderiam conseguir prazer 
completamente satisfatório? Não renunciariam nunca a esse prazer e 
jamais realizariam qualquer outro progresso. Parece, portanto, que a 
diferença irreconciliável entre as exigências dos dois instintos \u2014 o 
sexual e o egoísta \u2014 tornou os homens capazes de realizações cada 
vez melhores, conquanto sujeitos, é verdade, a um perigo constante, 
ao qual, sob a forma de neurose, sucumbem hoje os mais fracos.
O objetivo da ciência não é atemorizar ou consolar. Mas, de minha 
parte, estou pronto a admitir que conclusões importantes, como as que 
inferi, deveriam apoiar-se em fundamento mais amplos, e que, talvez, 
desenvolvimentos em outras direções possam permitir à humanidade 
corrigir os resultados dos desenvolvimentos que aqui venho 
considerando isoladamente.
O TABU DA VIRGINDADE (1918 [1917])
(CONTRIBUIÇÃO À PSICOLOGIA DO AMOR III) 
BEITRÄGE ZUR PSYCHOLOGIE DES LIEBESLEBENS III
DAS TABU DER VIRGINITÄT
(a) EDIÇÕES ALEMÃES:
(1917 Lido como uma comunicação à Sociedade Psicanalítica de 
Viena, 12 de dezembro de 1917.)
1918 S.K.S.N., 4, 229-51. (`Beiträge zur Psychologie des 
Liebeslebens\u2019 III. 2ª ed., 1922.)
1924 G.S., 5, 212-31.
1924 Em Beiträge zur Psychologie des Liebeslebens., Leipzig, Viena 
e Zurique: Internationaler Psychoanalytischer Verlag. (Págs. 29-48.)
1931 Sexualtheorie und Traumlehre, 95-115.
1947 G.W., 12, 161-80.
(b) TRADUÇÃO INGLESA:
`Contributions to the Psychology of Love: The Taboo of Virginity\u2019
1925 C.P., 4, 217-35. (Trad. Joan Riviere.)
A presente tradução inglesa, completamente nova, é de Angela 
Richards.
Este artigo foi escrito em setembro de 1917, mas só foi publicado no 
ano seguinte. Apesar do espaço de vários anos que separa este artigo 
dos dois precedentes, pareceu acertado reuni-los, visto que o próprio 
Freud os juntou sob o mesmo título. Totem and Taboo (Totem e 
Tabu)(1912-13) aparecera no meio tempo, já que o segundo artigo da 
série, e este terceiro, sob certo ponto de vista, podem ser considerados 
como acréscimo ao segundo ensaio dessa obra. Por outro lado, 
entretanto, inclui o exame do problema clínico da frigidez nas mulheres 
e, sob este aspecto, é o equivalente do estudo da impotência nos 
homens, no segundo artigo da série (vide [1]).
O TABU DA VIRGINDADE
(CONTRIBUIÇÕES À PSICOLOGIA DO AMOR III)
POUCAS particularidades da vida sexual dos povos primitivos são tão 
estranhas a nossos próprios sentimentos quanto a valorização da 
virgindade, o estado de intocabilidade da mulher. O alto valor que o 
pretendente atribui à virgindade da mulher parece-nos tão fortemente 
enraizado, tão natural, que ficaremos quase perplexos se tivermos de 
oferecer razões para justificar essa opinião. A exigência de que a moça 
leve para seu casamento com determinado homem qualquer 
lembrança de relações sexuais com outro nada mais é, realmente, que 
a continuação lógica do direito à posse exclusiva da mulher, que 
constitui a essência da monogamia, a extensão desse monopólio para 
incluir o passado.
Partindo deste ponto, não temos dificuldade em justificar o que a 
princípio parecia um preconceito, quando nos referimos a nossos 
pontos de vista sobre a vida erótica das mulheres. Seja quem for o 
primeiro a satisfazer o desejo de amor de uma virgem, longa e 
penosamente refreado, e que ao fazê-lo vence as resistências que nela 
foram criadas através das influências de seu meio e de sua educação, 
este será o homem que a prenderá num relacionamento duradouro, 
possibilidade esta que jamais se oferecerá a qualquer outro homem. 
Essa experiência cria, na mulher, um estado de sujeição que garante 
que sua posse permanecerá imperturbada e que a torna capaz de 
resistir a novas impressões e tentações estranhas.
A expressão `sujeição sexual\u2019 foi escolhida, por von Krafft-Ebing, 
(1892) para descrever o fenômeno de uma pessoa adquirir um grau de 
dependência, invulgarmente alto, e carente de autoconfiança em 
relação a outra pessoa com quem mantém um relacionamento sexual. 
Esta sujeição pode, em certa circunstância, estender-se bastante, ir 
até a perda de toda vontade independente e até fazer a pessoa sofrer 
os maiores sacrifícios de seus próprios interesses; o autor, no entanto, 
não deixa de salientar que certa proporção dessa dependência `é 
absolutamente necessária, se o laço for destinado a durar um período 
de tempo razoável. Certa medida de sujeição sexual é, de fato, 
indispensável para a manutenção do casamento civilizado e para 
manter afastadas as tendências à poligamia que o ameaçam e, em 
nossas comunidades sociais, este fator é comumente levado em 
consideração.
Segundo von Krafft-Ebing a formação da sujeição sexual decorre da 
associação de um `grau invulgar da condição de estar amando e da 
franqueza de caráter\u2019 de uma pessoa, e do egoísmo sem limites da 
outra. A experiência analítica, no entanto, não pode nos deixar 
satisfeitos com este simples esforço de explicação. Podemos observar, 
antes, que o fator decisivo é a proporção de resistência sexual que é 
vencida e, além disso, o fato de que o processo de vencer a resistência 
se concentra e ocorre apenas uma vez. Este estado de sujeição é, em 
conseqüência, muito mais freqüente e mais intenso nas mulheres que 
nos homens, conquanto seja verdade que ocorra nos últimos muito 
mais amiúde hoje que antigamente. Sempre que se nos ofereceu a 
oportunidade de estudar a sujeição sexual nos homens, esta se 
revelou como resultante da superação de impotência psíquica, por 
meio de determinada mulher a quem, subseqüentemente, o homem em 
questão permaneceu sujeito. Muitos casamentos estranhos e não 
poucos acontecimentos trágicos \u2014 alguns mesmo de amplas 
conseqüências \u2014 parecem ser explicados por essa origem.
Voltando à atitude dos povos primitivos, é incorreto descrevê-la 
afirmando que não atribuíam valor à virgindade e oferecer como prova 
disto o fato de que realizam o defloramento das moças fora do 
casamento e antes do primeiro ato de relação sexual marital. Ao 
contrário, o defloramento, para eles, parece que também é um ato 
significativo; tornou-se, porém, matéria de tabu \u2014 de uma proibição 
que se pode descrever como religiosa. Em lugar de reservá-la para o 
noivo da moça e futuro companheiro no casamento, o costume 
determina que ele se absterá de executá-la.
Não é parte de minha intenção fazer uma compilação completa da 
evidência literária de que existe esse costume da proibição, aprofundar 
sua distribuição geográfica e enumerar todas as formas em que ela se 
manifesta. Limitar-me-ei, portanto, a declarar o fato de que a prática da 
ruptura do hímen dessa maneira, fora do casamento subseqüente, é 
muito disseminada entre as raças primitivas que vivem ainda hoje. 
Como diz Crawley, `Essa cerimônia do casamento consiste na 
perfuraçãodo hímen por uma pessoa designada que não o marido; é 
muito comum nos estágio mais baixos de cultura, especialmente na 
Austrália.\u2019 (Crawley, 1902, 347.)
No entanto, se o defloramento não é para ser conseqüência do 
primeiro ato de relação sexual marital, então, é porque deve ter sido 
executado antecipadamente \u2014 não importa de que maneira nem por 
quem. Transcreverei algumas passagens do livro de Crawley, acima 
mencionado, que fornecem informações sobre esses pontos, mas que 
também dão vaza a algumas observações críticas.