Historia Direito UNIDADE IV
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Historia Direito UNIDADE IV


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pelos vícios ocultos da coisa 
vendida é um direito no sentido objetivo. O direito de não pedir rescisão 
da venda pelo vício descoberto na coisa recém-comprada é um direito 
subjetivo do comprador. 
\uf0a7 Conforme o tipo de poder que representam e de acordo com a 
obrigação que geram podem ser classificados. Com essa classificação 
fazemos a divisão da matéria do direito privado romano. 
\uf0a7 Os direitos subjetivos (e obrigações) são de dois tipos: decorrentes 
das relações familiares ou patrimoniais. 
\uf0a7 Familiares: casamento, pátrio poder, tutela e curatela. 
LUÍS ANTONIO
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\uf0a7 Patrimoniais dividem-se em dois grupos: os direitos reais e as 
obrigações. 
\uf0a7 Direitos reais: conferem um poder absoluto sobre as coisas do mundo 
externo. Sua característica essencial é valerem erga omnes: \u201ccontra 
todos\u201d. 
\uf0a7 Os direitos obrigacionais existem somente entre pessoas 
determinadas e vinculam uma (o devedor) e à outra (o credor). 
\uf0a7 Ex: o proprietário tem um direito real sobre o prédio em que mora. 
Todos devem respeitá-lo. Por outro lado, o locatário de um prédio só 
tem direito obrigacional contra a pessoa que o alugou a ele. Pode 
exigir dele que o deixe morar no prédio, mas não tem direito nenhum 
contra outras, ente os quais pode estar o verdadeiro proprietário 
também. 
\uf0a7 As relações e modificações patrimoniais decorrentes do falecimento 
de uma pessoa, intimamente ligadas também ao direito de família, 
são tratadas pelo direito das sucessões. 
 
B. PRINCÍPIOS E CONCEITOS GERAIS 
 
1. PESSOA FÍSICA 
 
\uf0a7 A pessoa natural, também chamada pessoa física é o homem. Sua 
existência inicia com o nascimento. 
\uf0a7 O nascituro não é ainda uma pessoa, mas é protegido desde a 
concepção e durante toda a gestação que o direito presume durar 
o prazo mínimo de 180 dias e o máxima de 300 dias. O direito 
romano conhece essa proteção: considerava o nascituro como já 
nascido (ficção), para fins de reservar-lhe vantagens. 
\uf0a7 O feto tem que nascer com vida e com forma perfeita. Não é 
pessoa o natimorto. 
\uf0a7 Extingue-se a pessoa física com a morte do indivíduo. Sua 
verificação não dependia de formalidade no direito romano, que 
não conhecia o registro civil como nossa época. 
\uf0a7 Desconhecia a declaração e a presunção de morte pelo 
desaparecimento durante longo tempo. Quem tivesse interesse 
relacionado com o falecimento de alguém devia produzir a 
respectiva prova. 
Capacidade jurídica de gozo: liberdade, cidadania e situação familiar 
\uf0a7 A capacidade jurídica de gozo, também chamada capacidade de 
direito é a aptidão do homem para ser sujeito de direitos e 
obrigações. 
\uf0a7 Para ter a completa capacidade jurídica de gozo, isto é, para ter a 
idoneidade de ter direito e obrigações, era necessário, no direito 
romano, que a pessoa fosse: 1) livre; 2) cidadão romano, 3) 
independente do pátrio poder; 
1) liberdade (status libertatis) 
\uf0a7 Os homens podiam ser livres ou escravos. 
\uf0a7 Eram livres aqueles que não eram escravos. 
\uf0a7 A escravidão era um instituto jurídico reconhecido por todos os 
povos da antiguidade. Sua origem vem da guerra: os inimigos 
capturados passavam a ser escravos dos vencedores. Não só os 
prisioneiros de guerra. Todos os estrangeiros que pertencem a 
um país que não fosse reconhecido por Roma, ainda que não 
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estivesse em estado de guerra, eram considerados escravos, se 
caíssem no poder dos romanos. 
\uf0a7 Outra fonte da escravidão era o nascimento. Era escravo o filho 
de escrava, independentemente da classe social do pai (livre ou 
escravo). O direito justinianeu concede o favor da liberdade ao 
filho de escrava que tivesse estado em liberdade em qualquer 
momento da gestação (segundo a ficção que o nascituro era 
considerado como já nascido). 
\uf0a7 Também a título de pena alguém poderia se reduzido à condição 
de escravo. 
\uf0a7 O escravo não podia ser sujeito de direitos, por lhe faltar a 
capacidade jurídica. Não podia ter direitos nem privados, nem 
públicos. Sua união conjugal (contubernium) não era casamento 
no sentido jurídico romano. Não havia entre ele, a mulher e os 
filhos, relações de parentesco, para fins de sucessão e outros. 
\uf0a7 Não tinha patrimônio e tudo que adquiria pertencia ao dono, que 
tinha poderes sobre ele tão amplos como sobre as demais coisas 
de sua propriedade. Podia aliená-lo; em princípio até matá-lo. 
Ainda sim, sua condição humana o distinguia das outras coisas do 
patrimônio do dono (persona servilis). 
\uf0a7 Participava do culto religioso da família. Seu túmulo era lugar 
sagrado, à semelhança do dos livres. Matar um escravo era crime, 
a que, já na República, correspondia a pena pública do homicídio, 
pela Lex cornelia de sicariis. 
\uf0a7 Na República o escravo podia possuir um pequeno pecúlio, cedido 
pelo seu dono, que ele geria livremente. Legalmente o pecúlio 
continuava a pertencer ao dono, mas na prática estava sendo 
administrado pelo escravo, como se fosse dele. 
\uf0a7 A condição de escravo era permanente. O escravo sem dono, por 
qualquer razão que fosse (ex por te sido abandonado), não se 
tornava livre. Continuava escravo sem dono (res nullius). 
\uf0a7 A atribuição da liberdade ao escravo fazia-se, ordinariamente, por 
meio de um ato voluntário do dono e se chamava manumissão. 
Havia possibilidade de obter a liberdade diretamente por 
disposição da lei. 
\uf0a7 O direito quiritário conheceu três formas de manumissão: 
manumissio vindicta, manumissio censu e manumissio 
testamento. 
\uf0a7 Manumissio vindicta: era a utilização do processo judicial em que se 
discutia a questão de liberdade. O processo se chamava vindicatio in 
libertatem ou vindicatio in servituto (reivindicação). O dono utilizava 
esse processo. Pedia um amigo que intentasse uma vindicatio in 
libertatem perante o pretor, como defensor da liberdade. Quando o 
defensor declarava sua fórmula, alegando que o escravo era livre: 
tocava-o com a vindicta (varinha), sinal do poder. O dono não 
contestava e o silêncio dele era tido, processualmente, como 
confissão ou admissão da veracidade das alegações da outra parte. O 
pretor declarava livre o escravo, sem remeter o caso ao juiz para 
ulteriores averiguações e decisão final. 
\uf0a7 Posteriormente a manumissio vindicta passa a ser uma declaração 
simples mas solene do dono perante o pretor e pala qual se conferia a 
liberdade. 
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\uf0a7 Manumissio testamento: ou alforria testamentária, já era conhecida 
pelas XII Tábuas. O testador podia determinar no testamento que, 
com sua morte, o escravo fosse livre. 
\uf0a7 Manumissio censu: mediante a inscrição com autorização do dono, 
do nome do escravo na lista dos cidadãos livres da cidade. A lista era 
elaborada pelos censores a cada cinco anos. 
\uf0a7 Além desses modos de alforria do direito quiritário, o pretor 
reconhecia outros, sem solenidades. Alforria feita perante 
testemunhas (manumissio inter amicos), por escrito (per epistulam), 
fazendo-se sentar o escravo à mesa (per mensam), colocando-lhe o 
chapéu (per pileum). 
\uf0a7 O escravo libertado se chamava liberto (libertinus ou libertus). Seus 
direitos políticos eram limitados. No direito privado encontravam-se 
sob o patronato do ex-dono. O patronato implicava uma relação de 
interdependência ente o ex-dono, patrono, e o ex-escravo, alforriado, 
liberto e até uma espécie de sujeição deste àquele. 
\uf0a7 Do patronato decorriam direitos e obrigações recíprocas, mas nem 
sempre equivalentes, entre as duas partes. Essa situação não se 
transmitia aos seus herdeiros. Por parte do patrono, a relação passava 
aos filhos,