Historia Direito UNIDADE IV
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no caso dele morrer antes do liberto. 
\uf0a7 Quanto ao conteúdo do patronato estava o dever recíproco de 
prestar alimentos no caso de necessidade. O liberto passava a ter o 
nome do patrono e devia a ele respeito e reverência contínua 
(obsequium). Era por isso, proibido intentar ações criminais ou 
infamantes contra o patrono, para isso era necessário a autorização 
previa do magistrado. 
\uf0a7 Além disso, o liberto devia certos serviços ao seu patrono (operae). O 
pretor garantia ao patrono a metade da herança do liberto que 
morresse sem deixar filhos ou que os deserdasse em vida. Essa 
metade da herança cabia ao patrono, mesmo contra outros herdeiros 
estranhos, nomeados em testamento pelo liberto. 
\uf0a7 Com o favor imperial chamado natalium restitutio cessam totalmente 
os direitos do patronato e o liberto adquire, retroativamente, a 
posição de um ingênuo, pessoa nascida livre, que nunca foi escrava. 
\uf0a7 O ius aurei anuli era outro favor, também conferido pelo imperador, e 
pelo qual se eliminavam as restrições político-sociais impostas aos 
libertos, como as de não poderem ser magistrados, não poderem ser 
nomeados senadores, não poderem servir nas legiões do exército. Do 
ponto de vista dos direitos privados, ius aurei anuli eliminava o 
impedimento matrimonial entre liberto e pessoa de classe senatorial, 
mas não extinguia os direitos do patronato. Com ele o liberto passava 
a ser um quase ingênuo. 
\uf0a7 Ficavam livres por lei, a título de punição do dono os escravos velhos e 
doentes por ele expostos; a título de recompensa, o escravo que 
delatasse o assassino de seu amo. Também por lei os escravos que 
vivessem em liberdade por mais de 20 anos. 
\uf0a7 Os ingênuos são os nascidos livres e que nunca deixaram de o ser, 
desde o nascimento. Não sofrem nenhuma restrição decorrente de 
seu estado de liberdade. 
 
2) Cidadania (status civitatis) 
\uf0a7 Em princípio o direito romano, tanto público, como privado, valia 
só para os cidadãos romanos (quirites). 
LUÍS ANTONIO
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\uf0a7 Os estrangeiros (peregrini) não tinham a capacidade jurídica de 
gozo no concernente aos direitos e obrigações do ius civile. A eles 
se aplicavam as regras do ius gentium. 
\uf0a7 O estrangeiro podia adquirir propriedades pelo direito dele, 
mesmo em Roma. Também podia fazer testamento, conforme as 
regras de sua cidade. 
\uf0a7 Somente os peregrini dediticii, os inimigos vencidos, cujo direito e 
independência política não foram reconhecidos pelos romanos, 
estavam privados do uso de seu direito de origem. Eles se 
sujeitavam pura e exclusivamente às regras do ius gentium 
romano. 
\uf0a7 Entre os estrangeiros os latinos, vizinhos de Roma (latini prisci), 
tinham capacidade jurídica de gozo semelhante à dos cidadãos 
romanos. Tinham o direito de votar nos comícios (ius suffragii), 
quando se encontravam em Roma, e podiam comerciar e contrair 
matrimônio: ius commercii e ius conubii. Com a extensão da 
cidadania a toda a Itália, em 89 a.C., essa categoria deixou de 
existir. 
\uf0a7 Aparecem os latini coloniarii que eram os cidadãos das colônias 
fundadas por Roma e às quais fora dado o ius Latii. Estes gozam 
dos direitos privados (ius commercii e ius conubii), mas não os 
públicos (ius suffragii e ius honorum). 
\uf0a7 A cidadania romana adquiria-se por nascimento de justas núpcias 
ou mesmo fora delas, se a mãe fosse cidadã no momento do 
parto. Os filhos nascidos de matrimônio misto (isto é, em que um 
dos cônjuges fosse estrangeiro) seguiam a condição de 
estrangeiro, de acordo com as disposições da lei Minicia. 
\uf0a7 Adquiria a cidadania pela alforria quiritária. Além disso podia ser 
conferida pelos comícios por determinação dos magistrados e, 
mais tarde, pelos imperadores. A concessão podia ser feita a 
estrangeiro, quer em caráter individual, quer como medida de 
ordem geral. Ex. a extensão da cidadania a toda Itália em 89 aC. E 
a todos os habitantes livres do império em 212 dC. 
\uf0a7 O cidadão romano, desde que preenchesse também o requisito 
da independência do poder familiar, tinha plena capacidade 
jurídica de gozo. 
 
3) Situação familiar (Status familae) 
 
\uf0a7 A organização familiar romana distinguia entre pessoas sui 
iuris (paterfamilias), independentes do pátrio poder, e 
pessoas alieni iuris, sujeitas ao poder de um paterfamilias. A 
independência do pátrio poder não tinha relação com a 
idade. Um recém-nascido, não tendo ascendente masculino, 
era independente do pátrio poder, ao passo que um cidadão 
de 70 anos, com o pais ainda vivo, era alieni iuris, isto é, 
sujeito, na qualidade de filiusfamilias, ao poder do pai. 
\uf0a7 Os alieni iuris não eram absolutamente incapazes. Tinham 
plena capacidade no campo dos direitos públicos; podiam 
votar e ser votados para as magistraturas e, também, servir 
nas legiões. 
\uf0a7 No campo dos direitos privados podiam casar-se (ius conubii), 
desde que obtivessem consentimento do paterfamilias, que, 
aliás, exercia o pátrio poder também sobre os netos. 
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\uf0a7 Nas relações patrimoniais, tudo o que o alieni iuris adquirisse, 
adquiria para o paterfamilias; nas obrigações assumidas pelos 
alieni iuris a situação era diferente: o paterfamilias somente 
respondia excepcionalmente por elas. A evolução do direito 
romano se caracterizou pela responsabilização sempre 
crescente do paterfamilias no respeito às obrigações 
contraídas por seus familiares. 
\uf0a7 Por outro lado foi conferida independência patrimonial aos 
alieni iuris por meio do desenvolvimento do instituto do 
pecúlio (peculium). Este era uma parte do patrimônio da 
família, entregue à administração direita dos alieni iuris. 
 
2. \u201cCAPITIS DEMINUTIO\u201d 
 
\uf0a7 A situação da pessoa quanto à capacidade jurídica era 
determinada pelos três estados: liberdade, cidadania e da 
família. 
\uf0a7 Mudando-se um desses requisitos, mudava-se a situação 
jurídica. Esta mudança se chamava capitis deminutio. 
\uf0a7 Segundo os três estados três podiam ser as alterações 
sofridas per capitis deminutio: 1) perda da liberdade, que 
acarretava a capitis deminutio máxima; 2) a da cidadania, 
a media; 3) a mudança do estado familiar, a capitis 
deminutio minina. 
\uf0a7 A perda da liberdade verificava-se quando o cidadão 
romano caía prisioneiro do inimigo, servus hostium. 
Embora tivesse perdido o prisioneiro sua capacidade de 
ter direitos e obrigações, enquanto ele ficasse em poder 
do inimigo, sua situação era a de pendência, pois, pelo ius 
postliminii se aplicava somente aos direitos e não às 
situações de fato. Estas ultimas tinham que ser 
restabelecidas. 
\uf0a7 Se o prisioneiro morresse na mão do inimigo, pela ficção 
introduzida pela lei Cornelia, ele seria considerado como 
falecido antes de ter caído prisioneiro, isto é, como 
falecido no estado de livre. Isso para o efeito de abertura 
da sucessão por sua morte. 
\uf0a7 É que não se podia abrir sucessão de pessoa morta na 
condição de escravo, tornando ineficaz o testamento 
eventualmente deixado por ela (testementum irritum 
factum). 
\uf0a7 Perdia-se, também, a liberdade a título de punição, como, 
por exemplo o ladrão colhido em flagrante (fur 
manifestus). No direito arcaico, o devedor executado, que 
não conseguisse pagar sua dívida, também podia ser 
vendido como escravo, fora de Roma (trans Tiberim). 
\uf0a7 A perda da liberdade acarretava a perda da cidadania e 
da situação na família romana também, pois a liberdade 
era pressuposto da cidadania e do status familiae. 
\uf0a7 Na capitis deminutio media,