Historia Direito UNIDADE IV
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Historia Direito UNIDADE IV


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fatos que têm consequências jurídicas 
e há outros que não as têm. Chove, por exemplo. 
Normalmente não decorre nenhum efeito jurídico de 
tal fenômeno natural. 
\uf0a7 Trata-se, neste caso, de um fato simples. Pode, 
entretanto, a chuva estragar uma colheita, acabando 
com os frutos a serem colhidos (percipiendi). Nessa 
hipótese, trata-se de um fato jurídico, de um evento 
que tem consequências jurídicas. 
\uf0a7 Entre os fatos jurídicos distinguimos os fatos 
causados pela vontade de alguém dos fatos que se 
verificam independentemente dessa vontade. 
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\uf0a7 Os primeiros são os fatos jurídicos voluntários, os 
segundos os fatos jurídicos involuntários. 
\uf0a7 Os fatos jurídicos voluntários, por sua vez, podem ser 
lícitos ou ilícitos, dependendo da sua conformidade 
ou não à norma jurídica. Os fatos jurídicos voluntários 
ilícitos são os delitos, mas nos interessam muito mais 
os fatos jurídicos voluntários lícitos. 
\uf0a7 Entre estes se destacam os atos jurídicos, que são 
manifestações de vontade que visam à realização de 
determinadas consequências jurídicas. 
\uf0a7 Ao ato jurídico assim concebido podemos dar 
também o nome de negócio jurídico, sendo ambas as 
denominações de origem moderna. 
\uf0a7 O ato jurídico nada mais é que uma declaração de 
vontade. Com referência a ela, logo se pergunta, qual 
deve ser a sua forma? O direito antigo era formalista, 
deu mais importância à forma do que ao fundo. Por 
isso, os atos jurídicos do direito quiritário (ius civile) 
exigiam formalidades complicadas, de cuja 
observância dependia a validade do ato e o seu 
conseqüente efeito jurídico. Assim, os atos per aes et 
libram, que eram a mancipatio, o nexum e a solutio 
per aes et libram; os atos pela in jure cessio e a 
stipulatio (e semelhantes como a dotis dictio, cretio 
etc.). 
\uf0a7 Os do primeiro grupo requeriam as formalidades de 
uma compra e venda real, uma troca efetiva de 
mercadoria contra preço, que, nos tempos primitivos, 
era um pedaço de metal não cunhado e que por isso 
tinha que ser pesado. 
\uf0a7 Daí a necessidade de um porta-balança e das 
formalidades extrínsecas de pesagem (mesmo que 
simbólicas). Além disso, exigiam-se as formalidades 
da presença das partes, do objeto, de cinco 
testemunhas idôneas e do pronunciamento de certas 
fórmulas verbais, quase sacramentais. 
\uf0a7 Os do segundo grupo, atos pela in jure cessio, 
requeriam a imitação de um processo e os do terceiro 
uma fórmula verbal, com pergunta e resposta, que 
gerava efeitos jurídicos, desde que pronunciadas as 
palavras sacramentais da maneira prescrita. 
\uf0a7 A evolução posterior acentuou cada vez mais o valor 
do elemento intencional do ato jurídico, em 
detrimento do externo e formal. Isso não significa, 
naturalmente, que a vontade não devesse ser 
devidamente declarada, mas apenas que a sua 
manifestação deveria ser feita de maneira clara, sem 
tanta prevalência das formas solenes. 
\uf0a7 No direito evoluído, o ato jurídico nada mais era que 
uma inequívoca manifestação de vontade. Além dela, 
somente em casos especiais era exigido algum ato 
suplementar, como, por exemplo, a entrega da coisa 
na tradição, que é um dos modos de transferência da 
propriedade. 
\uf0a7 A manifestação de vontade pode ser expressa, 
quando se empreguem os meios usuais para se 
declarar aquilo a que a vontade visa. 
\uf0a7 Assim, palavras, gestos ou redação e assinatura de 
documentos. Por outro lado, a manifestação também 
pode ser tácita mediante um comportamento de 
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significado inequívoco, podendo-se deduzir dele a 
vontade, tal como se fosse expressamente declarada. 
\uf0a7 Se um herdeiro toma conta dos negócios deixados 
pelo defunto, conclui-se que aceitou a herança, sem 
necessidade da declaração expressa e formal de 
aceitá-la. O silêncio não é propriamente manifestação 
de vontade, mas pode ser considerado como tal: qui 
tacet, non utique fatetur; sed tamen verum est eum 
non negare (D. 50. 17. 142). No caso de o pai dar a 
filha em casamento, o silêncio dela era considerado 
como consentimento: quae patris voluntati non 
repugnat, consentire intellegitur (D. 23.1.12 pr.). 
 
Capacidade de agir 
 
\uf0a7 Pressuposto da validade da manifestação da vontade 
era a capacidade de agir da pessoa que praticava o 
ato jurídico. Essa capacidade de agir tem outras 
denominações também: é chamada capacidade de 
fato, capacidade de exercício ou capacidade de 
praticar atos jurídicos. 
\uf0a7 Ela se distingue da outra capacidade, isto é, da 
capacidade jurídica de gozo ou capacidade de direito. 
Nem toda e qualquer pessoa tinha capacidade de 
agir. Esta dependia da idade, do sexo e de sanidade 
mental perfeita. 
\uf0a7 Em regra geral, os púberes, varões, perfeitamente 
sãos, tinham plena capacidade de agir. Por outro 
lado, as limitações à capacidade de agir decorriam 
desses mesmos fatores. Quanto à idade, a summa 
divisio era a puberdade, que, segundo opinião de 
jurisconsultos clássicos, acolhida por justiniano, era 
adquirida aos 14 anos pelos varões e aos 12 anos 
pelas mulheres. Os púberes, em princípio, tinham 
completa capacidade de agir; os impúberes, não. 
\uf0a7 Estes se dividiam em infantes (qui fari non possunt), 
isto é, menores de 7 anos, que eram absolutamente 
incapazes de agir, e os infantia maiores, isto é, dos 7 
anos até a puberdade, que tinham uma capacidade 
restrita de agir. Estes últimos podiam praticar atos 
que os favorecessem, mas não podiam obrigar-se sem 
a intervenção de um tutor, que devia tomar parte no 
ato jurídico, conferindo a sua autorização (auctoritatis 
interpositio). 
\uf0a7 No caso dos infantes, absolutamente incapazes de 
agir, eram os tutores que agiam por eles, praticando 
os respectivos atos jurídicos. Os atos jurídicos eram 
praticados em nome do próprio tutor, mas no 
interesse dos infans. No fim do exercício do cargo, o 
tutor, tinha que prestar contas. 
\uf0a7 Quanto aos púberes, eram eles plenamente capazes 
de agir, ao menos em princípio. Entretanto, com 
relação a eles houve uma distinção, introduzida pela 
lex laetoria (século II a.C.), que conferiu ao menor de 
25 anos, ou a qualquer pessoa que por ele quisesse 
agir, uma ação contra quem o tivesse enredado num 
negócio que lhe era prejudicial. 
\uf0a7 A razão dessa regra foi procurar proteger os 
adolescentes púberes e já capazes de agir, mas na 
realidade ainda inexperientes. Posteriormente, o 
pretor estendeu essa proteção a todos os casos em 
que um menor tivesse sido prejudicado, concedendo 
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meios processuais para anulação dos atos praticados 
pelo menor púbere, que era, em princípio, 
plenamente capaz de agir. 
\uf0a7 Não valiam, entretanto, esses meios, quando o menor 
púbere tivesse agido com a anuência de um curador 
(curador e não tutor), especialmente nomeado para 
assisti-lo na prática do ato jurídico. 
\uf0a7 Aos menores de 25 anos tornou-se de costume pedir 
a um curador que os assistisse na prática dos atos 
jurídicos. Daí se originou a regra, que se desenvolveu 
no direito pós-clássico, de que os menores de 25 
anos, tendo um curador, tinham capacidade restrita, 
semelhante à dos impúberes infantia maiores, isto é, 
que só podiam praticar atos jurídicos que os 
favorecessem, mas para obrigar-se precisavam 
sempre da assistência do curador. 
\uf0a7 Dessa equiparação pós-clássica nasceu a necessidade 
de se oferecer a menores de 25 anos a oportunidade 
de conseguirem, antes dessa idade, a plena 
capacidade de agir. Por isso, os imperadores 
concediam, em casos especiais, um favor legal, 
chamado venia aetatis, conferindo a pessoas 
individualmente determinadas a capacidade de agir. 
\uf0a7 Essa concessão só seria possível, no caso de varão, se 
tivesse pelo menos 20 anos, e no caso de mulher,