Penal I - Principios
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Penal I - Principios


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de contrato de locação).
A natureza subsidiária do Direito Penal, por sua vez, reside no fato de que, constituindo-se este subsistema jurídico na maneira mais violenta de intervenção do Estado na vida dos cidadãos, a sua utilização apenas se justifica quando as outras formas extrapenais de controle social não forem suficientemente capazes de proteger os bens jurídicos tidos como fundamentais.
Exemplo mais recente da completa violação ao Princípio Constitucional Penal da Intervenção Mínima consiste na LEI SECA, em face da total desnecessidade do legislador se valer do Direito Penal nesse caso.
8. PRINCÍPIO DA LESIVIDADE OU OFENSIVIDADE
Pelo princípio da lesividade ou ofensividade, o Direito Penal somente deve ser aplicado quando a conduta praticada pelo agente causar uma lesão ou ameaça de lesão a um bem jurídico relevante de terceiro. Em outras palavras, apenas em face de um efetivo ataque a um bem jurídico relevante alheio deve intervir o Direito Penal.
Assim, aquilo que for da própria esfera do agente deverá ser respeitado pela sociedade e, sobretudo pelo Estado, não podendo ninguém ser penalmente punido, por exemplo, pelo que pensa ou por sentimentos pessoais negativos (ira, ódio, raiva, etc.), por condutas lesivas que não ultrapassem o âmbito do autor (autolesão, tentativa de suicídio, etc.), por condutas desviadas sob o ponto de vista moral (não gostar de tomar banho, tatuar o próprio corpo, se entregar a práticas sexuais anormais, etc.), desde que não lesivas a terceiros. 
Inclui-se aqui, também, a figura do crime impossível. Não se pode punir, por exemplo, aquele que quer matar quem já está morto; ou que quer furtar quem não tem dinheiro, etc.
9. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
Pelo Princípio da Insignificância, impõe-se que as condutas de pouca ou ínfima lesividade sejam afastadas das severas consequências jurídicas de uma norma penal incriminadora. Como ultima ratio, o Direito Penal não deve cuidar de todas as lesões ao bem jurídico, apenas das mais graves.
Cumpre, neste particular, transcrever as célebres palavras de Francisco de Assis Toledo, a saber: \u201csegundo o princípio da insignificância, que se revela por inteiro pela sua própria denominação, o direito penal, por sua natureza fragmentária, só vai aonde seja necessário para a proteção do bem jurídico. NÃO DEVE OCUPAR-SE DE BAGATELAS.\u201d
Não faz sentido, portanto, o Juiz aplicar uma sanção penal em casos de furto de coisa insignificante, prática de crime de dano cuja lesão seja desprezível, bem como quando o imposto que não foi pago no crime de descaminho seja ínfimo, dada à insignificância da lesão ao bem jurídico protegido, devendo ser afastada a tipicidade da conduta.
11. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL
Por este princípio, cuja primeira menção se deve a Welzel, as condutas que se consideram socialmente adequadas aos valores da sociedade não podem constituir crimes e, por isso, não se revestem de tipicidade.
Os tribunais pátrios, especificamente em relação à contravenção penal do \u201cjogo do bicho\u201d, têm rejeitado a tese de que as condutas daqueles que se vêem envolvidos com a aludida contravenção são socialmente adequadas.
Ex: Art. 229, do CP: \u201cManter casa de prostituição ou local destinado a encontros com fim libidinoso.\u201d É possível se enquadrar aqui, dentre outras, a situação dos motéis. A conduta está socialmente adequada.
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